Apontamentos Utilizações Históricas do Estuque de Gesso

Utilizações Históricas do Estuque de Gesso

O estuque de gesso não é uma invenção moderna como o Cimento Portland, como algumas pessoas sugerem. Sabemos que ele foi usado pelos antigos egípcios para estucar a pirâmide de Keops.

Na Grã Bretanha, as investigações executadas por Claire Gapper, uma estudante PhD no Courtauld Institute, indicam que foram sendo importadas consideráveis quantidades de Estuque de Paris a partir de França, durante o reinado de Henrique VIII para trabalhos nas propriedades reais.

O nosso conhecimento do emprego do estuque de gesso antes do século XIX é limitado. No entanto as investigações de Claire Gapper demonstram que ele foi usado no século XVI em conjunto com cal em pavimentos, paredes e tectos, mas o estuque decorativo, que se assumia anteriormente conter gesso, tem vindo a demonstrar que apenas contém vestígios mínimos; na gama de níveis em que pode ser encontrado como uma impureza na pedra calcária. Isto contrasta com o emprego do gesso durante os últimos 200 anos, em que ele foi predominantemente usado para a moldagem de elementos decorativos e para adição à cal quando se correm moldes, enquanto que a maioria dos trabalhos planos foi executada usando-se apenas estuques lisos de cal. Apesar de ser necessária mais alguma investigação, parece que o gesso foi sendo usado nestes estuques primitivos de gesso e cal de forma diferente daquela que seria de esperarmos e não existem evidências, até este momento, de que tenha sido usado para moldes ou trabalhos decorativos.

Para pequenos embelezamentos decorativos, tais como grinaldas de folhas, frutos, figuras e emblemas heráldicos, a decoração modelada permitia a repetição. O gesso de Estuque de Paris permitia a produção de pormenores com arestas vivas já que era mais resistente do que a cal e fazia presa antes de ser retirado dos moldes. Além disso, a moldagem com cal demora mais tempo do que usando-se o Estuque de Paris, porque a cal tem que ser usada muito espessa e tem que ser apertada contra o molde.

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Mesmo assim, encontramos no século XVIII trabalhos em que as modelações foram feitas com cal e não com gesso. A sua vantagem é que, depois de ser retiradas dos moldes, podem ser deformadas e ajustadas enquanto ainda estão moles, permitindo variações menores nos pormenores entre uma modelação e outra. O emprego da cal e do gesso em casos diferentes pode ter sido parcialmente relacionada com tradições locais, mas também pode ter a haver com a disponibilidade destes materiais.

Mais tarde, os métodos de trabalho e os materiais tornaram-se mais normalizados. A nossa compreensão sobre os métodos e as práticas de execução do estuque a partir do final do século XIX é muito boa, graças ao excelente livro de William Millar, “Plastering – Plain and Decorative”, que foi publicado em 1897. Ele descreve os métodos de trabalho ‘da melhor prática’ deste período, e estabelece normas às quais os bons estucadores obedecem desde então. Sabemos que o gesso era fácil de ser comprado durante o século XIX e que foi usado quase sempre para aditivar massas de cal para moldes corridos, assim como foi usado isoladamente para trabalhos modelados.

Temos que compreender um pouco mais sobre a história da produção dos estuques de gesso neste país e também acerca da sua disponibilidade nas diferentes partes do país, antes de podermos compreender completamente porque é que ele foi usado de formas diferentes. No Derbyshire, por exemplo, sabemos que o alabastro era calcinado para produzir estuque de gesso no século XVII, especialmente para pavimentos, enquanto que noutras partes do país o gesso era importado de Paris.

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Isto pode ter sido muito simplesmente porque o estuque francês era mais puro, mas também pode indicar que era usado para finalidades diferentes.

Apesar de o interesse sobre a composição do estuque antigo poder parecer um pouco académico, é uma parte importante de uma reparação feita numa base de autenticidade. Se uma reparação for incompatível com o original, o material mias antigo pode acabar por ser danificado. É, portanto, muito importante que o estuque original seja examinado para se estabelecerem as suas propriedades básicas antes de se iniciarem as reparações. Com a experiência, é por vezes possível dizer-se se um estuque contém gesso apenas partindo-se um bocado e apalpando-se com o dedo. Em certos casos, dissolver-se uma porção em ácido hidroclorídrico pode ajudar, porque frequentemente fica um resíduo fino de cor branca, junto com o agregado, que é indicativo da presença de gesso.

Ocasionalmente, e particularmente com os estuques mais antigos, vale a pena executarem-se as adequadas análises laboratoriais para se determinar com segurança a proporção de gesso usada na mistura.