Apontamentos Tratamento de Precisão para o Ataque pelo Caruncho Death Watch

Tratamento de Precisão para o Ataque pelo Caruncho Death Watch

Durante os últimos anos tornou-se crescentemente aparente que os métodos existentes, quer para a avaliação do ataque pelo caruncho Death Watch, quer para o seu tratamento, eram de limitado sucesso e, nalguns casos, eram efectivamente contraproducentes.

As recentes técnicas não destrutivas para a localização e quantificação da extensão da infestação proporcionam uma avaliação, de longe, mais precisa das implicações estruturais do ataque pelo caruncho Death Watch: a exactidão destas técnicas permitiu, por outro lado, que se desenvolvesse um tratamento mais conservativo, mais eficaz e mais ambientalmente seguro.

Isto tem uma relevância especial nos edifícios religiosos, que sofrem mais do que a maioria, de ataques contínuos por este caruncho.

O Problema

O caruncho Deat Watch (Xestobium rufovillosum) é um insecto nativo da Grã Bretanha, que habita naturalmente na madeira morta das diversas espécies de hardwood encontradas no Reino Unido. Para as suas larvas se desenvolverem, é geralmente necessário que a madeira do cerne tenha sido modificada através da degradação por fungos, tornando-se mais apetitosa.

A grande maioria do carvalho estrutural usado nos edifícios históricos foi serrada e aplicada na construção em verde, enquanto o seu teor em humidade era ainda muito elevado, e é provável que algumas das madeiras utilizadas já sofressem de ataques menores por fungos, antes do abate da árvore.

Nas peças de madeira com maior secção, o teor de humidade pode ter permanecido suficientemente elevado para sustentar o ataque dos fungos durante muitos anos, e assim existiu no edifício um ambiente para a infestação pelo caruncho Death Watch durante um longo prazo, logo desde a sua construção, e, muito provavelmente, as próprias larvas deste caruncho ter-se-iam introduzido no edifício através da madeira usada na construção.

A falta de manutenção durante anos sucessivos permitiu, inevitavelmente, períodos de entrada de água, proporcionando novos ataques por fungos e, consequentemente, novas origens de comida fresca para a infestação.

Em muitos casos de infestação activa, as condições ambientais que permitem às larvas deste caruncho viverem estão reunidas quase no limite, permitindo assim que o ciclo de vida continue, mas apenas a uma taxa muito lenta; e os danos estruturais ocorrem também a uma taxa proporcionalmente muito lenta.

Uma relativamente pequena alteração do ambiente pode ter como consequência que o ataque morra ou, pelo contrário, que se torne mais activo.

Actualmente pensa-se que o teor em humidade de 14% é o limite inferior para uma colónia florescente de larvas do caruncho Death Watch, e se a humidade descer abaixo dos 12%, essas larvas morrem. Tratar-se-ia, portanto, de uma simples questão de se garantir que o teor em humidade ficaria abaixo deste nível, e a infestação deixaria de ser um problema.

Infelizmente, mesmo num interior de cobertura bem ventilado, o teor em humidade normal da madeira estrutural é de 14 – 15% e, em muitos edifícios onde este caruncho é um problema (tal como em igrejas irregularmente aquecidas), a condensação conjugada com uma ventilação fraca pode aumentar significativamente este teor em humidade.

A longo prazo, portanto, devem ser concentrados todos os esforços na garantia de que as condições ambientais estão ajustadas, primeiro para abrandar, e finalmente para liquidar o ataque pelo caruncho: este ambiente melhorado deve, então, ser mantido ano após ano.

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Mesmo que estes melhoramentos possam ser atingidos, ainda pode ser necessário, no curto prazo, introduzir-se o controlo químico sempre que o caruncho esteja particularmente activo. É essencial, claro, que os teores em humidade nas alvenarias circundantes sejam medidos e reduzidos, se necessário: se isto não for praticável, a madeira deve ser isolada da alvenaria humedecida, tanto quanto possível.

Há algumas situações em que não se consegue um melhoramento suficiente nas condições ambientais e, nessas situações, podem vir a ser necessárias intervenções químicas mais intensivas, a longo prazo.

Durante muitos anos pensou-se que o ciclo de vida do caruncho Death Watch tinha um máximo entre cinco a sete anos, e que o caruncho adulto punha os seus ovos sobre ou perto da superfície da madeira. As larvas eclodidas enterrar-se-iam, então, na madeira e continuariam a alimentar-se dela até que tivessem crescido o suficiente para formarem casulo: é a fase larvar que produz a maioria dos danos estruturais na madeira.

O adulto emerge durante a Primavera a seguir à formação do casulo, acasala e renova o ciclo. No entanto, está agora estabelecido que o ciclo de vida depende da adequação das condições, e que o estado larvar pode variar desde um ano, em condições ideais, até 12 anos, se as condições não forem tão favoráveis.

Também foi demonstrado que os adultos não precisam, necessariamente, de emergir, e que podem acasalar em cavidades no interior da madeira, e ainda mais, que os adultos fêmeas, se tiverem emergido para acasalar, por vezes voltam a entrar pelos furos já existentes e põem os seus ovos na profundidade da madeira, em vez de o fazerem perto da superfície.

O que ainda é desconhecido é se alguns adultos conseguem mesmo acasalar e por os seus ovos sem emergirem, desde sempre, ou se este comportamento evoluiu para contrariar os tratamento químicos superficiais. As consequências desta e de outras observações, esclareceram as ineficácias dos tratamentos existentes.

Tratamentos Actuais

A aspersão superficial só consegue penetrar alguns milímetros no interior da madeira e, ainda assim, apenas se as superfícies forem cuidadosamente limpas antes da aplicação.

Tem sido afirmado que isto é o suficiente, uma vez que mata o adulto quando este emerge, mas o que tende a acontecer é que os carunchos evitam as áreas tratadas e, em vez disso, emergem, se o fizerem, através das juntas e de outras áreas não tratadas.

A escuridão e o ambiente relativamente estável das juntas são, em qualquer caso, o habitat favorito deste insecto, pelo que deve ser evitado qualquer tratamento que tenda a afastar-se de se concentrar o ataque nas áreas das juntas.

Não aparecem novos furos de saída, e pensa-se que problema já foi resolvido, mas ele continua de facto, embora não observado e não controlado.

Além disso, ao se desencorajar a emergência, o único predador natural do caruncho existente dentro dos edifícios, a aranha, fica impossibilitada de exercer algum controlo, se é que não foi já morta pela aspersão.

Para se tentar evitar os prejuízos associados aos químicos à base de solventes, apareceram à venda emulsões líquidas à base de água, mas as evidências actuais sugerem que, no carvalho, a sua profundidade de penetração é ainda menor do que a dos líquidos à base de solventes.

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A pasta, vulgarmente conhecida como “maionese”, que usa o mesmo insecticida de contacto, mas num veículo de emulsão mais espessa, permite uma ligeira penetração em profundidade e uma maior concentração efectiva do químico.

Este método de aplicação também sofre das mesmas limitações que a aspersão superficial, e é ainda mais difícil de ser aplicado onde o acesso for difícil. Ele deixa também, frequentemente, uma pele cerosa sobre as áreas da madeira tratadas.

A injecção sob pressão ou a irrigação através de válvulas de uma via inseridas em furos abertos previamente com 10 mm, pode ser mais eficaz nalguns casos, mas não há qualquer controlo sobre para onde vai o líquido, ou sobre quanto dele está a ser usado.

Basta que um simples furo atravesse o forro ou uma junta de encaixe para que galões de líquido corram ao longo desse forro, emergindo por vezes a metros de distância do furo de injecção, ou corram para um vazio invisível, não alcançando necessariamente as áreas atacadas pelas larvas.

Esta utilização descontrolada de grandes volumes de químicos (geralmente num veículo de solventes, tal como o white spirit) introduz uma quantidade de riscos potenciais.

Em primeiro lugar está o aumento do risco de incêndio; em segundo lugar, o risco de consideráveis danos e manchas nos estuques, nas pinturas decorativas e noutros acabamentos; em terceiro, os danos no isolamento da instalação eléctrica; e em quarto, é potencialmente prejudicial para a saúde daqueles que habitam no edifício.

Não se podem usar emulsões à base de água na injecção ou na irrigação, já que a madeira iria empenar e também se iria produzir uma grande quantidade de manchas nos acabamentos decorativos.

Os tratamentos por fumigação, aplicados por volta da época de emergência do insecto, são particularmente ineficazes, matando geralmente mais aranhas do que carunchos.

A imunização com gás pode ser eficaz, mas é extremamente difícil selar-se adequadamente um edifício, ou uma área de um edifício, do género daqueles que são tipicamente atacados pelo caruncho Death Watch. Este facto, conjugado com os riscos geralmente envolvidos na utilização de gazes tóxicos (normalmente metil bromido), torna-a impraticável para ser usada em edifícios.

A esterilização térmica está actualmente a despertar muita  atenção. Afirma-se que uma temperatura de 52 – 55º C, mantida durante 30 – 60 minutos, consegue matar todos os insectos xilófagos.

Mas, dado que têm sido encontradas recentemente larvas do caruncho Death Watch no interior de grandes peças de madeira danificadas pelo fogo, a duração deste tratamento necessita ser muito superior a uma hora, se quisermos que seja alcançada esta temperatura no interior de uma peça em carvalho com 300 x 250 mm, por exemplo.

Os potenciais efeitos de tais temperaturas, durante um período prolongado, sobre acabamentos delicados, apainelados em carvalho e outras fábricas frágeis são, provavelmente, muito consideráveis.

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