Tratamento de Conservação

Tratamento de Conservação

Limpeza

As paredes foram todas cuidadosamente escovadas com esponjas “Absorene” para limpeza de papel de parede. Na parede oriental, o revestimento de verniz era mais escuro e espesso, pelo que foi reduzido com álcool. A tinta foi arrancada, ou parcialmente arrancada, com um “peeling” comercial para papel de parede, e depois lavada com solventes. Esta tinta deixou, quase sempre, um “fantasma” vermelho. Nas áreas em que o papel estava muito brando, em consequência dos danos provocados pelo bolor, a remoção da tinta iria danificar ainda mais esse papel. Aí, a tinta de óleo foi deixada ficar. A área do porta do pórtico das traseiras estava especialmente sobrepintada, em grande extensão. Uma grande parte desta tinta vermelha saiu, ficando o desenho e o papel intactos por baixo dela, mas foi deixada uma grande área de tinta verde perto da porta. As outras áreas pesadamente sobrepintadas ficavam no canto sueste que estava quebrado. A maioria deste tinha desaparecido, e tinha sido aplicada, em tempos, muita tinta quer onde o papel se tinha perdido, quer por cima do papel remanescente.

Reparação de fissuras e preenchimento de perdas no estuque

As fendas ramificadas das paredes foram reparadas pelo levantamento do papel, a partir da aresta da fenda, e por preenchimento com um composto de reparação aligeirado. Sobre este preenchimento, foi aplicado um remendo com papel japonês, usando-se uma cola de metilcelulose. As bordas do papel de parede foram, depois, coladas com a mesma cola. O canto sueste envolvia uma reparação de estuque complexa.

Antes de mais, as tiras de papel de cada lado das fendas foram amolecidas com álcool e água, sendo depois removidas. A seguir a fenda foi limpa das porções soltas de estuque. Como a parede oriental estava abaulada, não se podia criar um bom ângulo de 45 o. Foram aplicados, em ambas as paredes, bocados de têxtil em fibra de vidro para reparações, de forma a formarem um ângulo razoável, uma rede forte com cola de um dos seus lados, fabricada por “PermaGlas-Mesh”. Finalmente, este canto foi estucado de novo com “plaster of Paris”, criando-se assim um novo canto. Algumas fissuras eram tão finas que foram deixadas intactas.

Remendo das lacunas no papel

Onde quer que houvesse pedaços de papel em falta nas paredes, foi colocado um remendo de papel japonês. As bordas de cada lacuna foram levantadas e o papel japonês foi cortado para se adaptar ao tamanho da lacuna. Este foi colado à parede com metilcelulose. A seguir, as bordas do papel de parede receberam cola e foram pressionadas para baixo.

Nalguns furos de insectos maiores sobre o arco, o furo recebeu cola e aderiu-se papel japonês. Então, depois de secar, o papel japonês foi recortado com um escalpelo, na exacta forma do furo de insecto. Apesar de bem sucedido, isto era muito demorado para se continuar a fazer. As grandes faixas de papel de parede, de ambos os lados do canto sueste, foram removidas, como preparação para a reparação desse canto. Essas faixas foram colocadas, de face para baixo, sobre uma mesa de trabalho coberta com polietileno, e as suas grandes lacunas forradas por trás com papel japonês.

Então, as faixas foram preenchidas com papel japonês usando-se cola de metilcelulose e deixadas, sobre o polietileno, esticadas e a secar, com a face para baixo.

Depois de secas, elas saiam do plástico com muita facilidade. A pequena porção do plinto do lado sul da frente da lareira foi removida e reparada em estúdio. As lacunas muito extensas foram preenchidas com papel japonês e tonalizadas com aguarela ou tinta de látex aguada; depois o conjunto foi forrado por trás com papel japonês e pasta de amido trigo cozido. Depois de secas, as secções reparadas do papel de parede foram recolocadas nas paredes. Isto foi feito através da aplicação de diversas demãos de metilcelulose nas paredes. A seguir foi aplicada a pincel uma camada colante de metilcelulose, o papel de parede relaxado por aspersão com água/ etanol, e as porções colocadas nos seus lugares e escovadas. Os excessos de papel japonês do forro foram recortados, depois de secos.

Reparação do tecido

O tecido também foi removido do seu contorno em pregos enferrujados e colocado na horizontal. A parede de madeira foi escovada com metilcelulose, e foi aplicada uma forte emulsão acrílica nos contornos do tecido. A tela foi alisada com uma grande escova. Ao redor do contorno, foram usados pregos novos galvanizados para reforçarem a ligação da tela com a cola. As cabeças reluzentes desses pregos foram retocadas com tinta de látex para ficarem ocultas.

Consolidação da tinta

As áreas mais espessas de tinta, situadas na bordadura, estavam fissuradas e enroladas nas bordas. Nas paredes com tecido, toda a tinta estava friável e frágil. Esta tinta foi consolidada por aplicação a pincel de gelatina muito quente sobre as áreas fissuradas, foi deixada amolecer e secar a superfície, e depois brunida a tinta com um ferro de engomar de gravador.

Pintura

Em grandes áreas da antiga pintura que abrangia importantes áreas da decoração, a cor da tinta original foi coberta com tinta casca de ovo de látex para interiores “Sherwin-Williams”. Os tons de cor creme do fundo e a meia sombra consequente do verniz descolorido, foram diversamente misturadas entre si, alterados com aguarela ou com guache, ou aplicados directamente nas lacunas, e depois vidrados com aguarela transparente, conforme a situação exigisse.

Quando tudo secava, ficava ligeiramente brilhante, e a aguarela era bastante bem recebida. Esta, depois de seca, não é solúvel em água, pelo que foi possível ser feitas alterações na pintura dos topos superiores, sem que fosse removido o tom da base. O acinzentado do papel da lareira foi tonalizado, pela aplicação de aguadas finas de uma aguarela transparente da “Windsor & Newton”. A reposição da decoração original era essencial para a aparência estética da sala. Isto foi conseguido por uma primeira demão de sobrepintura com tinta de látex diluída em água. A seguir, foram feitos diversos stenciles correspondentes à cor castanha escura, aos cantos vermelhos, e a um dos meios tons cremes das flores. Foi usado um desenho para cada grupo diferente de flores, como referência, de acordo com uma fotocópia colorida dos cantos. As flores e as tonalidades mais escuras das bordaduras não foram recriadas em todos os seus pormenores, mas foram usadas formas, sombras e contrastes para as sugerir. Os stenciles foram usados para as formas básicas e, depois, os pormenores foram acabados ao pincel. As figuras dos veios da madeira do papel dos enchimentos foram, por vezes, escovados com aguarela transparente. Foi ligeiramente riscada uma aguarela, com uma escova seca, sobre as grandes áreas lisas.

Revestimento superficial

Toda a sala estava envernizada, originalmente. Algumas das maiores áreas pintadas, e o papel por trás da porta, foram revestidos com uma fina demão de laca âmbar.