Apontamentos Sondagem e técnicas de amostragem

Sondagem e técnicas de amostragem

Introdução

Na perspectiva etimológica, sondagem tem origem na palavra francesa sondage, (Costa e Melo, 1976), que surgiu provavelmente no séc. XIV para expressar o acto de, com recurso a uma sonda, investigar a profundidade da água e a natureza do fundo de um rio ou mar. No séc. XIX, Balzac utiliza-o para expressar a ideia de uma pesquisa ou investigação rápida (Droesbeke et al., 1987).

A associação do termo sondagem ao domínio marítimo ainda hoje permanece, mas coexiste já com a aplicação a outras áreas, como sejam a geologia, a medicina ou a estatística.

A língua portuguesa não apresenta distinção vocabular para os diversos domínios, mas por exemplo a língua inglesa diferencia todas estas formas de sondagem. Sounding, boring, probing, designam respectivamente a sondagem marítima, a geológica e a médica

(Hornby, 1980). No domínio estatístico diferencia a sondagem de opinião – poll- dos outros tipos de sondagem que designam de survey sampling.

Em geral, quando se pretende fazer o estudo de uma população com muitos indivíduos/características somos obrigados a retirar uma amostra.

A preferência na amostra é importante devido a vários constrangimentos operacionais, económicos, temporais, demográficos, políticos e/ou históricos.

Quando nos propomos a obter uma amostra porque a população tem um tamanho grande devemos elaborar um inquérito/entrevista, a primeira.

Refere-se ao número de habitantes dum país, da população bovina dum país, de estudantes dum nível de ensino, de doentes contaminados pelo HIV, etc. questão a colocar, depois de definido o problema e equacionadas as hipóteses é “a quem questionar?”.

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Esta questão remete-nos a duas etapas seguintes:

a. Qual é a população que é objecto de estudo?

b. Como escolher, nessa população, as unidades a questionar efectivamente, dado que, na maior parte dos casos, se exclui a hipótese, de as interrogar todas juntas?

Como a primeira questão não é sempre explicitada (por exemplo o conjunto de bovinos numa província), então, centramo-nos na segunda, que cobre os problemas dos métodos de amostragem e da dimensão da amostra, tendo em vista o melhoramento do questionário e/ou diminuir-lhe os custos, escolhendo de forma adequada as populações a tomar em consideração.

A falta de coerência nas sondagens de opinião (resultantes de erros na previsão de vitórias em casos de eleições), ensinou ao grande público que é possível obter uma informação digna de confiança, sobre uma população de várias dezenas de milhões, interrogando apenas alguns milhares.

Para tal, o recurso às técnicas de amostragem não é exclusivo das sondagens de opinião. Podem ser utilizadas nos mais variados fins, como por exemplo um determinado nível de ensino analisar uma amostra representativa das milhares de classificações ao longo de um determinado ano lectivo, para obter informações relativas à totalidade das classificações.

Como população podemos entender como sendo conjunto de pessoas, objectos, coisas, animais de qualquer natureza, que tenham uma determinada característica em comum.

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Assim, também definimos técnica de pesquisa por amostragem em interrogar um subconjunto da totalidade da população que interessa aos objectivos do questionário (o inverso seria chamado recenseamento, ou censo).

Esse subconjunto populacional (a amostra), deverá apresentar as características da totalidade da população para que, depois de retiradas as conclusões sobre a amostra, seja válido alargá-las a toda a população (processo designado de inferência), sendo a amostragem a parte da estatística que estuda os processos de selecção de amostra.

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