Apontamentos Que poderemos retirar como ensinamentos?

Que poderemos retirar como ensinamentos?

As obras em edifícios antigos colocam problemáticas específicas, não podendo os diferentes intervenientes olhar para estes trabalhos, como se se tratasse apenas de obra nova. 

Mesmo as situações mais simples, envolvendo trabalhos de manutenção e conservação, que podem à partida parecer colocar menos questões, extravasam a mera problemática técnica. Como proceder, então, atentas as condições concretas que em geral se apresentam?

No ambiente dos donos de obra, que são os promotores e decisores nestes processos, como conseguir que aceitem os maiores custos que este tipo de obras acarreta, traduzidos em recolha prévia de dados históricos, em projectos ou descrições de trabalhos elaborados por equipas especializadas, em obras com prazos de execução mais longos?

Sobretudo quando sentem que esse maior investimento decorre de uma exigência cultural, de responsabilidade colectiva que, geralmente, não se traduz em nenhuma espécie de solidariedade concreta, em nenhum tipo de apoio por parte da comunidade.

Como conseguir que não coloquem em primeiro e único lugar as suas legítimas preocupações institucionais, a sua urgência em encontrar soluções para necessidades prementes de espaço ou de habitabilidade, ou o seu dever de uso criterioso dos fundos públicos pelos quais são responsáveis? 

No ambiente técnico, constituído pelos técnicos representantes do dono de obra, da fiscalização e do empreiteiro e que se deparam com a necessidade de opções que vão para lá do ambiente técnico, de que margem dispõem para colocar este tipo de questões em cima da mesa, sabendo que cada um estará pressionado pelas respectivas organizações, para que se ande rápido?

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O empreiteiro não pretende alterações ao que foi concursado, mesmo que inadequado, ou quer decisões rápidas do promotor sobre eventuais alterações.

O representante do dono de obra vai confrontar-se com as expectativas de utilização dos espaços, e prazos sempre curtos.

A fiscalização procurará salvaguardar o enquadramento legal, a qualidade e os custos, mas nada a obriga a pugnar por soluções mais adequadas do que as concursadas. 

E, como vimos, muitas questões surgem como questões prementes a resolver, depois de começados os trabalhos. 

Como podem os técnicos, no meio deste jogo de forças, pugnar pela qualidade e adequação das soluções ou, eventualmente, salvaguardar a sua responsabilidade, no que vier a ser decidido e executado? 

No ambiente administrativo, dos organismos que de algum modo superintendem sobre este tipo de intervenções, como devem proceder para motivar os promotores e ultrapassar as dificuldades e limitações financeiras com que estes, a maior parte das vezes, se confrontam?

Sobretudo como evitar, no relacionamento, o trilhar de uma cultura muito comum e cómoda, de proibição e exigências, sobre cujas consequências e custos em geral não ponderam? Como fazer, com que meios, e sobretudo com que metodologias, para disponibilizar algum apoio, positivo e pedagógico, que os mantenha no acompanhamento prático do que vai por todo o lado acontecendo e, no concreto, se vai fazendo? Para evitar, no fundo, que os promotores se remetam a uma posição passiva, de “antes deixar cair, que recuperar”, tantas são as barreiras e obstáculos que, sentem, lhes são colocados? 

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Que margem também para um franco e profissional relacionamento com os técnicos envolvidos nos processos de obra, sobretudo engenheiros, a maior parte das vezes carentes de apoios especializados, de modo a que possam tomar com maior segurança, decisões, nos contextos alargados a que se vêem coagidos, e que extravasam o seu tradicional ambiente técnico? 

Para rematar com uma nota de confiança, seria desejável, que procurássemos difundir a história de casos bem sucedidos de obras onde, nestas três esferas, cada entidade tenha assumido de forma positiva e coordenada as suas responsabilidades, para que com essa difusão de boas práticas, possamos encorajar todos aqueles que se vêem confrontados com este tipo de trabalhos. 

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