Os Moldes e a Criação de Padrões

Uma discussão técnica sobre a composição não fica completa sem um exame aos moldes usados para a criação do ornamento. Estes eram o maior investimento do fabricante, em tempo e em despesa, e eram a chave do seu ofício.

Os moldes para a composição sempre foram feitos com materiais rígidos que conseguissem suportar a considerável pressão usada na prensagem dos ornamentos. Todos estes materiais e métodos tinham sido usados nos ofícios da escultura desde o Renascimento. A listagem comparativa que se segue ajuda a explicar as suas vantagens e desvantagens.

Um ornamento a ser cortado da tábua onde era prensado.

A madeira era gravada pelo reverso para se criar uma matriz negativa. Este era um trabalho altamente especializado, frequentemente executado por um especialista gravador, e exigia um grande investimento inicial em tempo, mas os moldes de madeira podiam durar indefinidamente se fossem adequadamente mantidos. Uma vantagem adicional da gravação pelo reverso era que as linhas finas gravadas iam aparecer como linhas finas salientes no ornamento final. (As linhas finas salientes eram notoriamente difíceis de esculpir ou de modelar em relevo.) Os moldes gravados a partir de madeiras densas e de grão fechado de árvores de fruto, tais como a macieira e a pereira, parecem ter sido vulgares no século XVIII. No século XIX, os moldes mais intrincados eram gravados em buxo, frequentemente encaixilhado ou emoldurado com peças de outra madeira, maiores e mais baratas, para maior facilidade de manuseamento e para se evitar lascá-los.

As ligas metálicas tais como o latão, o bronze e o peltre faziam moldes excelentes, capazes de suportarem o mais elevado nível de pormenor, e eram virtualmente indestrutíveis pelo uso. Eles eram caros em consequência do valor intrínseco do metal e porque a sua produção implicava uma série de passos especializados e complexos executados por modeladores, desenhadores de padrões e fundidores. Poucos moldes metálicos históricos sobreviveram, possivelmente como resultado da acção dos ferros-velhos em tempos de guerra.

O enxofre funde num líquido transparente a cerca de 115o C e pode ser vazado sobre um modelo positivo em barro ou sobre um outro ornamento em compo. Um molde em enxofre parece ser feito de plástico duro, mas é mais frágil. Mesmo quando emoldurado em madeira e reforçado com enchimentos em ferro, conforme era prática comum,
ele era especialmente vulnerável à fractura. O desenho figurativo, tal como um friso de As Três Graças, era muito mais fácil de modelar em relevo do que gravar em reverso, e o enxofre era um dos poucos materiais que podiam ser usados para se fazer um molde resistente a partir de um modelo em barro.

A própria composição podia ser comprimida sobre um padrão duro em relevo (tal como um ornamento de outro fabricante) para se produzir um molde. A composição retrai quando endurece e assim o molde era sempre mais pequeno do que o original.

Ela também é bastante frágil quando endurece e, tal como os moldes de enxofre, podia tender a esmagar-se na prensagem. Os “moldes comprimidos” feitos com composição eram o ideal para se piratearem os padrões de outros fabricantes!

Os moldes em resina dura tornaram-se populares durante o final do século XIX e o princípio do século XX. Uma mistura quente e mole composta principalmente por resina de pinheiro era vazada numa cavidade de um bloco ou de uma moldura de madeira. Era depois virada para baixo e comprimida contra um padrão oleado feito em madeira. Os moldes de resina podiam esmagar-se na prensa, com a idade, mas desde que ficasse guardado o padrão esculpido, eles podiam ser facilmente reproduzidos.