Apontamentos Novas abordagens teóricas e metodológicas no estudo da família

Novas abordagens teóricas e metodológicas no estudo da família

Introdução

Nesta unidade temática serão discutidas as novas abordagens teóricas e metodológicas no estudo sobre a família. Daí que ao completar esta unidade, o estudante deverá ser capaz de:

Objectivos específicos

  • Saber as novas abordagens sobre o estudo de família.
  • Aplicar na interpretação dos factos observados.

Desenvolvimento

Para Pereiro (2012) aponta para Joseph Campbell, no seu O Poder do Mito, nos ensina sobre os arquétipos e mitologias que orientavam as sociedades antigas. Nas sociedades agrícolas a figura da mulher é de fundamental importância, pois a personificação da energia que dá origem às formas e as alimenta é essencialmente feminina.

A Deusa é a figura mítica dominante no mundo agrário dos primitivos sistemas de cultura do plantio. A mulher dá à luz, assim como da terra se originam as plantas. A mãe alimenta, como o fazem as plantas.

Assim, a magia da mãe e a magia da terra relacionam-se. São povos, também, fixos na terra que lhes alimenta. Povos pastores, por outro lado, estão sempre em movimento, são nómadas e entram em conflitos com outros povos, conquistando as áreas para onde se movem.

Na cultura bantu, Pereiro (2012) afirma que à frente de cada linhagem ou da família alargada (clã) estava um chefe, com poderes políticos e religiosos, e um conselho de anciãos.

Ao norte do rio, no entanto, não obstante o poder pertencer ao homem, a comunidade aldeã constituía-se em torno de parentes consanguíneos (antepassado comum) definidos por via materna.

Essa linhagem matrilinear determinava inclusive a transferência de poder, na medida em que este passava do tio materno para o sobrinho. Ao sul do Zambeze, por outro lado, o poder passava do pai para o filho ou do irmão mais velho para o mais novo.

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Povos pastores são sempre conquistadores, assassinos, nômades e patriarcais. Não possuem a ligação com a terra dos povos agricultores, pacatos, estáveis e matriarcais.

Surge, então, nessas comunidades patriarcais ao sul do Zambeze, um poder político que se estruturava diferentemente do poder meramente linhageiro (MEDEIROS, 2006).

Era originado da conquista militar, onde o clã vencedor passava a exercer uma supremacia política sobre as outras, as quais deveriam pagar um tributo ao chefe da linhagem vencedora.

Surge, então, uma nova divisão social do trabalho. Os produtores deveriam produzir um sobre-produto para o pagamento do tributo. A linhagem do chefe e dos anciãos passa a constituir a aristocracia da sociedade.

Abaixo desta aristocracia estavam os membros das outras linhagens que habitavam a área dominada. Estrangeiros pagavam impostos mais altos. A classe dominante começa a possuir escravos domésticos.

Ainda de acordo com Pereiro (2012) são destes grupos que sairão, logo depois, as tribos que formaram, pelas sucessivas conquistas dos outros clãs, os reinos e impérios da região. São estes, principalmente, o povo Chona, Nguni e Tsonga. Darão origem ao reino do Grande Zimbabwe, ao império Monomotapa e ao império de Gaza.

Para Cabaço (2007) os pacíficos povos ao norte do rio, por sua vez, recebe a influência do contacto mercantil com os árabes e aspectos culturais dessas etnias vão pouco a pouco mudando, com muitos deles vindo a se estruturarem em xecados e sultanatos. São os povos do norte também as principais vítimas do tráfico de escravos feito, posteriormente, pelos portugueses.

Um outro conceito associado ao de família de acordo com Pereiro (2012) é o de “grupo doméstico”, isto é um grupo de parentes que coabitam e co-residem no mesmo espaço.

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Portanto há uma diferença com o conceito de família. Para Cabaço (2007) património entende-se como um conjunto de recursos do qual as pessoas podem dispor para enfrentar as suas necessidades e as de seus familiares.

Tais recursos compõem-se de trabalho, saúde, moradia, habilidades pessoais e de relacionamento, tais como os de vizinhança, de amizade, familiares, comunitários e institucionais.

Pereira (2012) diz que estruturar uma intervenção a partir do património da pessoa, da família e da comunidade significa considerar as potencialidades e os nexos que estas pessoas e comunidades estabeleceram na sua história de vida.

Compreender o trabalho em saúde a partir do património, implica uma abertura a uma realidade mais ampla, que transcende a dificuldade em si, não se restringindo à aplicação de soluções previamente concebidas. Tal compreensão permite o incremento gradativo do património da pessoa em situação de pobreza.

Em outras palavras, a acção nasce do que existe e este é o princípio que estimula a participação da família nesse processo.

Partir da falta, da doença ou da ausência de condições de vida, implica ficar, de algum modo, esperando que a solução ocorra no futuro, o que na maioria das vezes conduz a um imobilismo.

Quantas vezes, diante de uma criança desnutrida, da sua mãe, que parece tão “desinteressada” da sua situação económica de carência extrema, nos sentimos impotentes, uma vez que se trata de algo que não pode ser resolvido, partir do património permite olhar para essa situação buscando encontrar os recursos que já existem, identificar um caminho e não ficar parado (PEREIRA, 2012).

Essa atitude do profissional de saúde instiga a mãe a assumir os próprios problemas, tendo em conta o seu património.

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