Fabricar a Composição Ornamental: Um Processo Inalterado

Uma vez que esta arte permaneceu essencialmente a mesma ao longo do tempo, uma descrição histórica da sua manufactura também será aplicável na actualidade.

Numa vasilha, aquecem-se torrões de resina de pinheiro cor de âmbar, ou a mais barata seiva preta, em óleo de linhaça até que eles fundam todos e se combinem completamente. Numa outra vasilha (frequentemente um “banho-maria”), bocados de cola animal, derivados de peles e coiros, previamente postos de molho são cosidos e misturados até formarem uma solução espessa e uniforme. A seguir batem-se os dois componentes líquidos em conjunto. Este “batido” é transformado num “bolo” maleável por um método que é familiar a qualquer padeiro. Ele é despejado num monte de cré com uma cova no meio e mexido, em primeiro lugar, com uma espátula até que esteja suficientemente espesso para ser amassado à mão. Dobra-se e amassa-se vigorosamente com mais cré até que a composição ganha uma consistência igual à do barro de modelação e fique completamente uniforme.

Para se moldar uma decoração, primeiro a “compo” é aquecida numa panela de vapor, e o molde preparado com uma fina demão de óleo e uma pulverização com pó de talco. Um bocado do material é amassado manualmente até se produzir uma superfície lisa e sem rugas num dos seus lados. Esse lado bom é colocado em cima do molde rígido, e pressionado levemente com os dedos, deixando-se o excesso acima da superfície do molde. A seguir coloca-se uma tábua húmida sobre esse molde e esta “sanduíche” é colocada numa prensa de parafuso e comprimida até se conseguir obrigar a “compo” a adquirir os mais finos pormenores. Depois ela é retirada da prensa e virada para que o molde possa ser levantado, deixando a “compo” colada à tábua.

Depois de arrefecer até à temperatura ambiente, a “compo” gelifica, tornando-se firme e assemelhando-se à borracha (a propriedade de gelificação é consequente do ingrediente cola, a qual é quimicamente idêntica à da gelatina comestível). Nesta fase, ela é cortada da tábua com uma faca de lâmina fina. A massa remanescente do material ainda aderente à tábua também pode ser cortada e reutilizada.

A composição ornamental era frequentemente fixada num substrato de madeira previamente preparado na fábrica, enquanto ainda estava fresca e flexível, mas podia ser secada e enviada para o utilizador final, que a podia fazer ficar flexível de novo colocando-a num pano, sobre uma vasilha de água quente, para ser aquecida ao vapor. Alguns fabricantes enviavam instruções sobre como devia ser feita esta operação, bem como os pregos adequados para a “fixação”. Graças à cola componente, o aquecimento ao vapor do tardós dos ornamentos fazia-os ficarem mais moles e suficientemente pegajosos para se auto colarem sem nenhuma cola adicional. Os ornamentos eram pregados ainda moles ou eram comprimidos contra pregos sem cabeça previamente pregados (também chamados de “sprigs”). Embebiam-se frequentemente na massa fios e arames durante a prensagem, para servirem como armaduras internas e reforços. Estas medidas preservavam a integridade dos ornamentos mesmo que eles estalassem.

Originalmente pensada para imitar outros materiais, tais como a madeira, o gesso e a pedra, a composição tinha as suas características e vantagens próprias que, desde cedo, foram exploradas quer em termos técnicos, quer artísticos. Ela tinha características distintas em cada um dos seus três estados: moldabilidade, elasticidade e dureza. Enquanto quente e moldável, ela podia ser moldada por um trabalhador habilidoso e era capaz de receber pormenores finos quando era pressionada dentro de um molde. Depois de ter arrefecido até à temperatura ambiente e ter gelificado, ela ficava flexível e resistente como a borracha. O pormenor era essencialmente estável e não conseguia ser facilmente danificado quando os ornamentos eram manipulados.

As composições ornamentais gelificadas podiam ser facilmente dobradas sobre superfícies curvas sem racharem, ao contrário de um material rígido como o gesso moldado, e podiam ser apertadas ou comprimidas um pouco para se adaptarem a uma dada configuração sem danificarem os pormenores. Um motivo de óvulos e dardos, por exemplo, podia ser obrigado a contornar rigorosamente os cantos sem ter que se fazer um óvulo ou um dardo parcial. O vocabulário escultórico da colecção de moldes do fabricante podia ser reagrupado à vontade em grandes esquemas decorativos. De facto, qualquer pequeno componente de uma decoração, proveniente de um molde singular, podia ser cortado e inserido numa qualquer localização à vontade.

A composição podia ser esculpida para se realçarem os pormenores, para se corrigirem os defeitos, ou para se recortarem os ornamentos por baixo – os quais tinham, forçosamente, um lado rectilíneo – para se poderem libertar do seu molde rígido. Isto podia ser feito no estado de gel ou, com mais dificuldade, depois de ela ter endurecido completamente até uma solidez como a da pedra.

Finalmente, depois de completamente dura, ela podia receber um brilho de mármore polido apenas com um pano húmido. Podia ser colorida, revestida com qualquer tipo de tinta ou verniz, e dourada a óleo sem qualquer tipo de preparação adicional.