Decisão de investimento a longo prazo

Decisão de investimento a longo prazo

Toda vez que a empresa se vê obrigada a tomar decisões de longo prazo (mais de um ano), a decisão torna-se mais complexa e com maiores riscos. Essas decisões podem estar ligadas à aquisição de ativos fixos, compra de outras empresas, à análise de uma operação de leasing, a um programa de redução de custos a longo prazo, etc.

Técnicas como de valor presente liquido (VPL), taxa interna de retorno (TIR), pay-back ou número de anos de retorno do investimento e índice de lucratividade são razoavelmente conhecidas.

A inflação é um fator a dificultar o processo de tomada de decisão a longo prazo, pois a mesma irá exigir uma série de considerações especiais em relação à análise convencional. Vários são os aspectos que deveriam ser considerados para a inclusão da inflação na análise de propostas de investimentos, sendo que os mais relevantes são discutidos a seguir:

Ajuste na taxa de desconto

Existe uma idéia generalizada de que a solução do problema seria descontar os fluxos de caixa do projeto em análise por uma taxa de desconto na qual fosse incluída a inflação esperada. Esse ajuste na taxa de desconto, entretanto, mesmo quando feito corretamente, apresenta uma limitação, pois ajustamos apenas a taxa de desconto.

Ajuste no fluxo de caixa

Ajustar não apenas a taxa de desconto, mas também o fluxo de caixa é uma alternativa mais eficiente. Devemos inclusive destacar que poderemos avaliar o diferente impacto que a inflação poderá ter sobre os diversos componentes do fluxo de caixa (entradas e saí- das de caixa).

Ajustes no fluxo de caixa com taxas distintas para diferentes períodos

O grau de incerteza e risco cresce com o tempo e da mesma forma que é difícil projetar fluxos de caixa futuros, torna-se igualmente difícil projetar taxas de inflação. A solução deste problema poderia ser conduzida com a introdução da abordagem de simulação matemática onde teríamos a chance de introduzir diferentes taxas de inflação agora não mais para diferentes itens do fluxo de caixa, mas sim para diferentes períodos.

Necessidades de capital de giro para o investimento

A análise convencional de propostas de investimento a longo prazo, especialmente propostas de investimento em ativo permanente, não leva normalmente em consideração o capital de giro necessário. Isto é, analisamos o projeto em si, isoladamente, e dimensionamos o capital de giro necessário, em uma outra etapa da análise. Como já tivemos ocasião de ressaltar, as necessidades de capital de giro crescem exponencialmente. Portanto, quando formos analisar uma proposta de investimento em ativos permanentes, precisamos considerar as necessidades de capital de giro para que esse ativo possa operar.

Aspectos tributários

Considerando que na realidade brasileira o impacto da inflação é parcialmente reconhecido nas demonstrações financeiras, é preciso que consideremos o efeito da sistemática contábil na apuração dos resultados e no imposto de renda a ser pago.

Resumidamente, o tratamento contábil da inflação consiste em se corrigir os ativos permanentes, bem como o patrimônio líquido. A contrapartida da correção monetária do ativo permanente funciona como uma conta de receita e a contrapartida da correção monetária do patrimônio líquido funciona como uma conta de despesa. Assim, se a correção monetá- ria for devedora, a empresa terá uma despesa dedutível para fins fiscais, e uma receita, se for credora.

Como vemos, caso o ativo seja adquirido com capital próprio, não haverá nenhum impacto na corre- ção monetária, bem como em termos de imposto de renda. Entretanto, caso o ativo seja adquirido com capital de terceiros (financiamento), a empresa terá um imposto de renda adicional devido à sistemática de correção monetária.

Portanto, é fundamental, na análise de investimento, que se avalie a forma como o ativo foi financiado e se destaque que, com isso, estamos fazendo uma inter-relação da decisão de investimento com financiamento, aspecto esse que, tradicionalmente, não é considerado na teoria financeira.

Pelo que acabamos de expor, fica bastante claro que o processo de tomada de decisão a longo prazo merece uma análise bem mais criteriosa. Investimento em ativos permanentes como uma proteção à inflação é uma decisão correta somente se forem observados os aspectos acima expostos. A exemplo de estoques, proteção contra a inflação não significa que qualquer decisão de investimento estará sempre correta.