Apontamentos Critérios válidos para trabalhos específicos

Critérios válidos para trabalhos específicos

Em conformidade com estas indicações metodológicas, as modalidades para se executarem intervenções correctas sobre as superfícies das fachadas dos edifícios podem ser exemplificadas pelos casos seguintes:

1) Intervenções sobre materiais pétreos artificiais (rebocos)

  • O reboco apresenta-se bem conservado mas marcado de diferentes formas pela passagem do tempo. Nestes casos é possível usar-se do máximo respeito pela preexistência limitando-se as operações ao mínimo indispensável; como se recomenda, também, a salvaguarda desse reboco sem se renovarem as cores (N.T – tintas), com o objectivo de se manterem os vestÌgios da sua passagem pelo tempo. Recomenda-se, também, a limpeza e a consolidação das partes mais erodidas ou a retenção e a fixação dessas cores (N.T – tintas) existentes.
  • O reboco apresenta-se bem conservado mas as suas cores (N.T – tintas) estão irreversivelmente comprometidas. Nestes casos torna-se indispensável a renovação da coloração (N.T. – pintura) das fachadas. A intervenção não deve, no entanto, assumir um carácter excessivamente competitivo ou prevaricante relativamente à figuração em que se insere, nem deve ser imitativa ou mimética no respeito pela imagem arquitectónica; se forem profusamente seguidas estas disposições, provoca-se uma grave alteração aos valores históricos. As novas cores (N.T – tintas) não devem, no entanto, voltarem a propor as originais ou uma das que se lhes tenham seguido; a utilização de uma cor nova destina-se a constituir uma adição crítica, ou seja, uma contribuição que a cultura actual pode legitimamente trazer à solução do problema.
  • O reboco apresenta zonas (mais ou menos amplas) lesionadas e em fase de destacamento. Nestes casos a demolição é injustificada por existirem técnicas que permitem a reparação das lesões e a readerência das partes destacadas.
  • O reboco apresenta-se bem conservada, mas algumas partes (mais ou menos amplas) estão ausentes. A presença de lacunas (localizadas frequentemente na base da construção, por patologias consequentes da humidade ascendente) não justifica (seja em termos culturais, seja em termos económicos) nem a substituição sistemática de todo o revestimento nem a pintura das fachadas exteriores.
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Neste caso deve-se proceder à reparação das partes em falta, pelo emprego de argamassas cromaticamente controladas ou pela utilização de técnicas de tipo pictórico de recuperação em pinturas.

  • O reboco está em péssimas condições e irrecuperável, ou completamente ausente. Neste caso é fútil encararem-se obras de conservação ou de manutenção. Encontramo-nos perante um problema de reintegração da imagem, a ser conduzido com rigor filológico e sentido crítico; os edifícios danificados perderam, de facto, a sua imagem assumindo o aspecto de figuras mutiladas. Na proposta de um novo reboco devem-se evitar, assim, quaisquer tentativas de reposição de um inverosímil “estado original”, ou de procura de efeitos de “traço antigo”, ou de imitações “ao estilo”. Devem-se resolver os problemas de reinterpretação desse edifício, procurando-se o objectivo da definição caso a caso, dentro dos limites cromáticos, historicamente circunscritos, propostos pelo ambiente.

2) Intervenções sobre materiais pétreos naturais

  • Os elementos em pedra apresentam-se bem conservados. Entendendo-se por boa conservação uma condição em que os aparelhos decorativos, apesar de apresentarem sinais consistentes da passagem do tempo, se apresentam formalmente íntegros e sem lacunas, as operações de manutenção consistem na execução de uma ligeira mas cuidadosa limpeza. Onde particulares condições de agressão ambiental tenham provocado a formação de crostas (de natureza química, inequivocamente activa e evolutiva) é correcto executar-se uma intervenção de limpeza mais profunda, mas sempre com total respeito pelo princípio da intervenção mínima e evitando-se a obliteração irreversível dos sinais do tempo.
  • Os elementos em pedra apresentam-se, geralmente, bem conservados mas com pequenas lacunas. Continuando correctas as recomendações para o caso anterior, devem-se distinguir as seguintes situações:
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a) a lacuna consiste na forte degradação de poucos elementos em pedra de cantaria isentos de decorações, mas com funções construtivas precisas. Neste caso, procedendo-se por modelação ou por substituição de alguns elementos não se altera, geralmente, a forma da obra;

b) a lacuna consiste na forte degradação ou na ausência de uma parte de um aparelho decorativo. As intervenções podem consistir em pequenas reparações; sempre na condição de que estas resultem distinguíveis, reversíveis e úteis para a salvaguarda da obra, e que não se assumam tentativas de interpretação “ao estilo” ou como cópias.

  • Os elementos em pedra apresentam-se fortemente degradados com lacunas consistentes. Quando os aparelhos decorativos tiveram perdido a sua imagem, assumindo o aspecto de figuras mutiladas, encontramo-nos frente a um problema de reintegração da imagem, a ser conduzido, como indicado no caso da ausÍncia dos rebocos, com rigor filológico e sentido crítico.

Devem ser evitadas todas as tentações de restituição do “traço antigo” ou da imitação “ao estilo”. Por conseguinte, os problemas de reinterpretação do edifício devem ser resolvidos pela execução de adições a serem definidas caso a caso sem responder a regras previamente fixadas ou a dogmas; procurar-se-ão reinventar, de vez em quando, com originalidade os critérios e métodos de intervenção.

… preferível, nestes casos, sem se sacrificar a unidade formal da obra, proporem-se soluções equilibradas e discretas possuidoras de uma valência expressiva contemporânea; e tudo com a consciência de que a obra que se está a restaurar, uma vez investigada com sensibilidade histórico-crítica e com competÍncia técnica específica, sugerirá, por ela mesma, a correcta via para a sua interpretação.

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