Apontamentos Conservação de Alvenarias de Tijolo

Conservação de Alvenarias de Tijolo

“Os edifícios antigos não são preservados fazendo-os passarem por novos”

Os artesãos do passado sabiam, certamente, uma ou duas coisas sobre a construção, razão pela qual o seu trabalho já atravessou diversas centenas de anos.

Eles compreendiam que as fundações em que assenta um edifício sofrem alterações permanentes. Elas são alteradas por factores tais como o clima (quente e frio), a chuva, e os níveis freáticos.

Eles sabiam que se um edifício era para durar, os materiais e os métodos de construção tinham que permitir os seus movimentos naturais.

Eles não usavam betões rígidos nas suas fundações e, muito frequentemente, assentavam as suas alvenarias de tijolo sobre pedras pousadas directamente sobre o terreno.

Eles usavam, também, argamassas de cal que permitiam que o edifício “respirasse” pela evaporação da humidade para a atmosfera (enquanto que as argamassas de cimento, hoje usadas, retêm essa humidade).

Quando estes edifícios antigos necessitam, eventualmente, de alguma reparação, é absolutamente vital que se usem os mesmos materiais e métodos de construção que os do artesão original.

Infelizmente, este facto não era largamente compreendido, no passado recente, e eram usados materiais modernos, tais como o cimento Portland, nas reparações.

O cimento é o maior “assassino” dos edifícios antigos, especialmente se for usado em reparação de juntas, estuques ou rebocos.

Eles não é poroso, e retém a humidade, o que pelos ciclos de humedecimento e secagem, e de congelamento e descongelamento, destrói a alvenaria de tijolo e a argamassa de cal originais, provocando a sua transformação em pó!

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As reparações nas fundações também devem receber as mesmas considerações.

De facto, o edifício mostrado ao lado não tinha “fundações” propriamente ditas, apenas uma base em pedra assente no terreno, sobre a qual foi colocada a alvenaria de tijolo.

Com o passar dos anos, o terreno abateu, provocando a fractura e queda de tijolos (como pode ser visto pelas linhas da alvenaria original e depois de reparada).

Uma solução moderna (que é totalmente errada) consiste no recalçamento. O recalçamento envolve a escavação e a colocação de uma fundação em betão para suportar o edifício.

O problema é que o betão é muito rígido e esta prática cria um “ponto rígido”. Deve-se recordar que o edifício está constantemente a mover-se, pelo que, criando-se um “ponto rígido”, parte do edifício não se movimenta (mas o resto continua a movimentar-se, provocando fracturas ainda mais graves!).

A parede teve que ser quase toda escorada, enquanto era removida a secção de tijolo danificada.

Foi construída uma fundação que permitisse a natural movimentação do edifício. Foi escavada uma trincheira até à profundidade de cerca de 1 metro, e foi construída uma fundação em degraus com tijolos e cal hidráulica.

A parede foi reconstruída utilizando-se tantos tijolos originais quanto possível, apesar de muitos estarem gravemente danificados para serem reutilizados. O edifício mostra estar para durara, agora, muitos mais anos.

Portanto, como vocês já adivinharam agora, eu estou absolutamente dedicado à correcta preservação dos edifícios antigos, e não tenho tempo para “enriquecer depressa” com práticas da construção moderna.

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As minhas especialidades são as argamassas de cal, os estuques de cal, e os rebocos de cal, as alvenarias tradicionais, a reparação de pedra, a execução de estuques, e o meu trabalho inclui desde o vernáculo ao eclesiástico.

Estou preparado para executar qualquer tamanho de obra (até mesmo as mais pequenas reparações) já que o meu objectivo é apenas a preservação e a conservação dos edifícios antigos.

Sou, também, muito empenhado em passar as minhas competências, e oferecer treino e aconselhamento in situ, sobre a reparação das alvenarias tradicionais de tijolo, e sobre a utilização de argamassas de cal, diferentes métodos de reparação de juntas, inclusive o “pennyroll”, o “tuck”, o “galleting”, etc., e espero, em breve, poder oferecer análises de argamassas.

Se quiserem ver exemplos do meu trabalho, algumas das obras em que trabalhei, ou descobrir como me contactar, basta “clicar” nos botões seguintes.

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