Apontamentos Antropologia como ciência

Antropologia como ciência

Introdução

Ao estudar esta unidade temática buscar-se-á ligar as questões que nortearam ao surgimento da antropologia e a consideração como ciência. Pretende-se que ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

Objectivos específicos

  • Dominar os marcos de surgimento da antropologia.
  • Descrever os processos que ditaram a transformação ou evolução da antropologia como ciência.

Desenvolvimento

Segundo Gusmão (2008) a antropologia, como ciência da modernidade, coloca seu aparato teórico construído no passado, com possibilidade de, no presente, explicar e compreender os intensos movimentos provocados pela globalização: de um lado, os processos homogeneizantes da ordem social mundial e, de outro, contrariando tal tendência, a reivindicação das singularidades, apontando para a constituição da humanidade como una e diversa. Contudo, essa tradição é hoje alvo de controvérsias, na medida em que os fatos decorrentes da intensa transformação da realidade parecem não estar contidos em seus princípios explicativos.

Para Gusmão (2008) nesse campo de tensão, defende-se que ora a trajectória da antropologia tem sido a de avaliar as diferenças sociais, étnicas e outras com a finalidade de proporcionar alternativas de intervenção sobre a realidade social de modo a não negar as diferenças; ora não seria a tradição antropológica suficiente para dar conta do contexto político das diferenças e, como tal, estaria superada em seus propósitos.

Decorrentes do questionamento que afecta as ciências humanas de modo geral ainda na segunda metade do século XX, e em particular a antropologia, emergem outras perspectivas teóricas, dentre as quais se destacam os chamados estudos culturais, cuja definição se dá no interior das correntes ditas pós-modernas.

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Jordão (2004) e Gusmão (2008) comungam a ideia de que no contexto dos debates, a análise das relações existentes entre antropologia, estudos culturais e educação apresenta-se como desafio teórico da modernidade e como uma necessidade diante dos princípios e das práticas presentes na articulação entre o campo científico e o processo educativo na sociedade moderna.

Em jogo, a busca do diálogo inter e transdisciplinar capaz de recuperar da modernidade o pensamento crítico para compreender as propriedades da vida social e resgatar a noção de cultura como noção crítica e engajada, ou seja, que entende a cultura como questão política (GUSMÃO, 2008).

Ainda Gusmão (2008) avança a ideia de que a análise do lugar variável da antropologia, como campo disciplinar no passado e no presente, coloca em questão a dimensão política própria de qualquer ciência e não ausente da história e da prática dessa ciência nascida nos estertores do século XIX e no início do século XX.

Na divisão de trabalho entre as ciências sociais, a antropologia especializou-se na descrição e na classificação dos grupos sociais frequentemente tidos como primitivos, atrasados, marginais, tribais, subdesenvolvidos ou pré-modernos, definidos por sua exterioridade e alteridade em relação ao mundo dos antropólogos, ele próprio definido pela civilização, pela ciência e pela técnica.

A antropologia como ciência pregava, então, a preservação, a protecção, a transformação e a repressão como objecto de políticas dirigidas ao mundo do outro.

Nesse sentido, a participação dos antropólogos e a ciência que praticam acontecem na elaboração e na implementação das políticas, o que, mais tarde, já no início do século XX, seria conhecido como uma ciência da prática ou uma ciência de serviço. O que está em jogo nesse tipo de ciência são as relações entre ciência e prática, até hoje, fato de constantes discussões no mundo científico e social.

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Expressiva desse tipo de prática científica e, posteriormente, objecto de considerações morais e políticas, como toda ciência praticada naquele período, inscreve-se em um campo particular da antropologia – a chamada antropologia “da” educação (GUSMÃO, 2008).

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