Apontamentos Alvenaria de calhaus

Alvenaria de calhaus

Nos agregados habitacionais o uso do calhau rolado prolongou-se desde a Idade Média até meados do Séc. XX, revelando-se particularmente espalhado quando, por problemas de exploração e de transporte, conseguia ser concorrencial relativamente ao tijolo maciço.

Entre os paramentos em pedra que a tradição da construção nos transmitiu, os de calhaus não trabalhados são certamente os mais pobres; de facto, não existe selecção dos materiais, e os calhaus eram recolhidos nas zonas próximas, tendo-se o cuidado de os seleccionar com um peso que, apesar da sua heterogeneidade, coubesse dentro de certas normas fixadas, no caso das maiores dimensões, pelos problemas de transporte.

De uma qualidade superior e de maior resistência são as paredes executadas com calhaus partidos a meio.

Neste caso, eram escolhidos calhaus venados, por forma a que uma pancada de marreta os podesse abrir ao meio; ambas as metades eram usadas no paramento, com um assentamento cuidadoso, para se reduzirem as juntas e obter um plano suficientemente rectificado.

A técnica mais espalhada para a construção de edifícios, geralmente não superiores a dois andares, consistia na criação de paredes de grande espessura, adelgaçando para cima; geralmente, pode-se observar que a espessura da base das paredes é de um décimo da sua altura total, e que reduz em correspondência com os pavimentos.

As dimensões possantes destas paredes espessas levam ao engano os executantes que tenham que programar uma intervenção; de facto, não é raro que sejam vazias no interior, ou então que estejam cheias com materiais incoerentes.

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As razões para estas soluções devem ser procuradas, em vez de na poupança de material, nas possibilidade de se distribuir o grande peso destes paramentos por uma maior área; de facto, ficamos frequentemente maravilhados com o facto de estas estruturas serem isentas de uma fundação adequada.

Quando estas eram realizadas, eram mais largas do que a parede em elevação; era frequentemente empregue cal com abundância, escassa no resto da construção, se não mesmo ausente.

A importante avaliação da repartição das cargas atribuída às fundações, determinava a execução de algumas fiadas de tijolo maciço sobre as quais se continuava com a mais pobre alvenaria de calhaus.

Enquanto que o assentamento dos tijolos segue esquemas correntes, a dos calhaus exige uma atenção especial, para se combinarem melhor elementos com formas e dimensões diferentes.

Os calhaus eram posicionados com cuidado, por forma a se reduzir ao mínimo o emprego da cal, limitada apenas aos pontos de apoio.

Por vezes eram colocadas varas, ou até vigas de madeira englobadas na parede, com funções de plano de apoio e para se manter ligada a estrutura, função obtida também pela intercalação de uma ou duas fiadas de tijolos.

Quando se trabalha junto destas paredes, deve-se ter muita atenção às demolições ou integrações parciais, já que os calhaus estão só apoiados e retirar-se um quer dizer interessar-se os periféricos.

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Desde 1700 até aos nossos dias, o calhau perde a peculiaridade de alvenaria pobre, para assumir um valor prevalentemente decorativo na construção civil.

Nos nossos centros com estrutura medieval, notam-se frequentemente casas com a fachada principal, virada para a rua larga, rebocada, enquanto que, nas fachadas viradas para as ruas estreitas, o calhau era deixado à vista.

Devem ser respeitadas as diferentes aplicações dos paramentos: descobrir à vista calhaus anteriormente rebocados, para conferir ao edifício um presumível aspecto de rusticidade, é tão incorrecto como rebocarem-se os calhaus encontrados à vista.

É importante que se mantenham as alvenarias em calhaus que sobreviveram, muitas vezes demolidas sem uma justificação rigorosa, pelo menos como testemunhos frequentemente preciosos de uma antiga técnica construtiva e das raízes históricas a que estamos ligados.

Para a sua integração e reparação devem ser empregues as técnicas gerias tradicionais de “cucci scucci”; não é possível executarem-se perfurações; as injecções de argamassa podem ser eficazes em paredes não muito grandes e com cavidades limitadas.

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