Apontamentos A teoria de protótipos

A teoria de protótipos

A mais conhecida teoria desenvolvida em oposição à visão clássica de categorias é conhecida como teoria de protótipos. Essa teoria surgiu a partir dos estudos experimentais feitos pela psicóloga americana seus colaboradores.

Esses pesquisadores demonstraram, por meio de uma série de experimentos, que categorias conceituais naturais são estruturadas a partir dos melhores exemplares da categoria. Ou seja, as categorias são estruturadas a partir dos exemplares que primeiramente vêm à mente de um grande número de pessoas, quando perguntadas sobre qual seria um exemplo de membro daquela categoria. Esses melhores exemplares são chamados protótipos.

Os protótipos são os membros centrais de uma categoria. Em uma cultura como a nossa, por exemplo, maçã é um protótipo de FRUTA. Qual seria nosso protótipo de VERDURA? E de LEGUME?

A escolha dos melhores exemplares de uma categoria apresenta importantes correlações com certos aspectos de nossa cognição.

Essas correlações são chamadas efeitos de protótipo.

Dois dos efeitos de protótipo mencionados na literatura são os seguintes:

  • Quando pedimos às pessoas que façam uma lista dos membros de uma  determinada categoria, os melhores exemplares da categoria vão aparecer no topo da lista;
  • No caso da categoria FRUTA, por exemplo, em um país como o nosso, o exemplar ‘maçã’ geralmente aparece em primeiro lugar;
  • As crianças tendem a adquirir primeiramente as palavras que se referem aos membros prototípicos de uma determinada categoria;
  • Dessa forma, crianças brasileiras tendem a adquirir a palavra maçã antes da palavra damasco, por exemplo.
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Nos termos da teoria de protótipos, as categorias não têm limites definidos. Alguns teóricos chegam mesmo a afirmar que as categorias não têm quaisquer limites.

A idéia é a de que só os protótipos podem ser considerados membros inquestionáveis de uma categoria.

Os demais membros vão ser mais ou menos pertinentes a uma categoria, dependendo de sua semelhança com o protótipo (lembrem-se da idéia de semelhança de família, proposta por Wittgenstein, mencionada acima!).

Em princípio, não existe nenhuma regra sobre quanto um exemplar pode se afastar do protótipo e ainda ser considerado um membro da categoria.

Algumas pessoas podem ser mais observadoras do que outras e perceber semelhanças entre o exemplar e o protótipo que passam despercebidas por outras pessoas. Essas pessoas mais observadoras vão certamente incluir o exemplar na categoria; as outras pessoas vão tender a deixá-lo de fora.

Desse modo, voltando a tomar como exemplo a categoria FRUTA, o exemplar ‘maçã’ seria inquestionavelmente considerado um membro da categoria.

Outros, como ‘pêra’, ‘laranja’, ‘banana’, etc. também tenderiam a ser considerados membros da categoria, por causa de alguma semelhança que tenham com o protótipo ‘maçã’.

Essa semelhança pode estar relacionada ao formato físico dessas entidades, à sua função, ou a qualquer aspecto da experiência que as pessoas têm com essas entidades (como o lugar onde são vendidos e guardados em casa, ou as circunstâncias em que são comidas).

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Diferentemente, um exemplar como ‘azeitona’ seria visto como uma entidade que se afasta muito do protótipo. Muitas pessoas devem ficar sem saber se ‘azeitona’ é ou não um membro da categoria FRUTA.

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