Um Banho de Cor

Embora hoje em dia a magia romântica dos edifícios pintados com cal espante muitos dos seus admiradores, a tinta de cal teve uma pela vulgar como tratamento decorativo e protector, pelo menos, durante dez mil anos.

Essencialmente, a tinta de cal é uma mistura de cal extinta (hidróxido de cálcio) em água que faz presa lentamente
por absroção de dióxido carbónico do ar.

A reacção química que ocorre produz cristais de calcite (carbonato de cálcio).

Estes cristais são invulgares, no sentido em que eles têm um índice de refracção duplo; a luz que penetra cada cristal é devolvida reflectida em duplicado. Isto resulta numa luminosidade superfícial maravilhosa que é característica das superfícies caiadas, e que não se encontra noutros acabamentos decorativos.

No entanto, quando a tinta de cal foi descoberta, o homem não procurava um acabamento decorativo para impressionar os vizinhos. Ele tinha, efectivamente, descoberto um tratamento superficial que protegia o seu lar contra o pior clima. As estruturas rimitivas de lama e de taipa eram muito vulneráveis ao clima e a tinta de cal desempenhava o seu mais importante papel pela protecção dessas superfícies em particular.

Antes da patente do Cimento Portland em 1824, a maioria das estruturas eram construidas com materiais compactos e porosos que mantinham a humidade e a chuva no exterior pela sua grande  espessura e pela sua elevada prosidade ou permeabilidade ao vapor de água; isto é o mesmo que dizer que eles secavam tão rapidamente que a humidade nunca penetrava a espessura das paredes. Esta secagem rápida era ajudada pelo uso de lareiras abertas, e de fogos de cozinha, em particular, que permaneciam acesos durante todo o ano, proporcionando aquecimento e ventilação. Pode-se ter uma ideia da taxa de ventilação que eles proporcionavam observando-se a velocidade a que o fumo sai de
uma chaminé, já que o ar é extraido do edifício exactamente à mesma velocidade. Esta maravilhosa ventilação garantia que qualquer humidade presente na edificação era expelida através da chaminé num muito curto período de tempo.

A tinta de cal ajuda a manter-se a capacidade do edifício em respirar, já que é um dos revestimentos decorativos mais permeáveis ao vapor. A experimentação demonstra que a tinta de cal tem uma permeabilidade ao vapor de cerca de 350 unidades, enquanto que a maioria das tintas para alvenaria fica bem abaixo das 75 unidades. Se uma edificação for impedida de respirar, a água pode ficar retida nas suas paredes exteriores, resultando na degradação das alvenarias e produzindo a combinação ideal de condições para começar a podridão nas madeiras. Forma-se condensação e as contas com o aquecimento sobem, já que uma parede húmida transmite o calor mais depressa que uma parede seca.