Tintas de Cola

Pigmentos:

Todos os pigmentos são adequados para a preparação de tintas de cola, menos o óxido preto que se pode tornar difícil de trabalhar e a Terra de Siena que pode ser difícil de misturar com alguns tipos de cola. A tinta de cola branca á preparada com giz como pigmento.

Utilização:

A maioria das tintas de cola só podem ser usadas em interiores, onde irão parecer muito espessas, cheias de cor e belas. Em contrapartida elas são muito delicadas relativamente aos tecidos, gorduras e manchas de água, que só desaparecem por nova pintura da superfície. A propriedade mais atraente das tintas de cola é a sua bela reflexão da luz, consequente de os grãos de pigmento ficarem na parte aparente da demão de tinta.

As cores particularmente fortes como o vermelho, o verde e o azul, se não forem misturadas com o branco, irão aparecer com uma reflexão aveludada da luz. Essas cores aparecem por vezes ainda mais belas se lhes for misturado um pouco de pigmento preto. Faz-se “ a cor suja”, como se diz.

Quando se pretende adicionar uma certa tonalidade á cor, pela preparação dessa cor a partir de diversos pigmentos básicos, pode-se misturar todos os pigmentos numa massa de pigmentos, ou podem-se colocar em água um por um e misturá-los todos depois.

É aconselhável verem-se as tonalidades de cor apenas à luz do dia e nuca com luz artificial. A pintura com tintas de cola também deve ser feita apenas à luz do dia. Não se deve guardar as tintas de cola numa lata de zinco ou de ferro durante um período longo, porque aquela pode enferrujar. As vasilhas mais aconselháveis para se guardarem as tintas de cola são os baldes de plástico com tampas herméticas.

A tinta de cola feita com branco de giz pode-se decompor na vasilha, se não for usada durante muito tempo. O mesmo acontece se uma parede pintada com tinta de cola ficar humedecida durante muito tempo.

Repintura com tinta de cola:

Quando uma camada de tinta de cola envelhece e fica manchada, pode ser removida por lavagem com água limpa e depois, logo que a parede seque, pode-se pintar de novo com tinta de cola. O método que se deve usar é molhar-se a camada de tinta velha com água e pancadas fortes de uma trincha (pincel largo) e então “pelar-se” a camada de tinta com uma esponja, que se vai enxaguando frequentemente com água limpa. Desta forma evita-se que a tinta escorra pela parede e para o chão.

Reparação:

O método atrás mencionado pode ser usado em trabalhos de reparação de pequena dimensão. Se tiverem sido guardados os restos da tinta de cola original numa lata – sob a forma de torrões secos, estes podem ser triturados e misturados com uma quantidade apropriada de água, e então usados de novo como se fosse tinta de cola nova, sem que se adicione mais cola.

  • b1 Tinta feita com cola animal (cola de ossos ou cola de peles):

A cola de peles é feita com restos, por vezes rejeições de peles dos curtumes, as quais, entre outras operações, são fervidas, extraindo-se-lhes a gelatina. Esta cola, também é chamada cola de cabedal e é vendida sob a forma de pó ou de escamas. A cola de peles que é extraída da pele de coelho tem a quantidade de aderência apropriada, pelo que é muito conveniente para a composição de tintas de cola.

A cola de ossos é extraída pela fervura de ossos desengordurados, cartilagens e chifres de animais. Esta cola também é conhecida por “cola de marceneiro” e é vendida sob a forma de cola triturada ou de cola em pérolas. A cola de ossos não tem a mesma capacidade de colagem que a cola de peles, e é por isso que esta última é preferida para a preparação de tinta de cola.

Quando se prepara a tinta de cola, a primeira coisa que se deve fazer é ensopar o pó de pigmento com água. Uma medida “a olho” diz que cerca de 1 kg de pigmento dá para 1 litro de tinta de cola. Já que diferentes pigmentos absorvem quantidades diferentes de cola, esta medida “a olho” não é sempre correcta. Voltaremos a este assunto mais tarde.

Primeiro deve-se ensopar o pó de pigmento em metade da quantidade de água, ou seja 1 kg de pigmento para 0,5 litros de água. Deixa-se o pigmento macerar durante algum tempo, por exemplo durante uma noite, por forma a que todos os grãos de pigmento fiquem bem saturados em água. A chamada massa de pigmento é muito bem misturada a seguir.

O próximo passo é a preparação de uma quantidade de cola que vá corresponder à outra metade da quantidade de tinta de cola que se pretende usar. A cola de peles é vazada em água fria na proporção de 1 : 1. ao absorver a água, a cola irá expandir (inchar) durante um par de horas.

Aquece-se então esta mistura de água e cola em banho Maria, mas deve-se ter cuidado para que a mistura não ferva.

A seguir, despeja-se 5/6 da massa de pigmento numa lata de tinta e acrescenta-se 5/6 da cola quente, enquanto se mistura vigorosamente. Pode ser adicionada mais água, se necessária.

Pretende-se uma consistência que seja como a das natas.

Chegou a altura de se fazer uma amostra, à trincha, desta mistura provisória de tinta de cola, de preferência numa superfície que corresponda aquela que se vai pintar. Quando esta demão de tinta estiver seca, se necessário o tempo de secagem pode ser apressado por aquecimento, pode-se verificar se a tinta de cola contém a quantidade de cola necessária ou não, tocando-se nela com o dedo. Se a tinta se soltar é porque não contém a necessária quantidade de cola, pelo que se deve acrescentar mais. Se a tinta estiver demasiado brilhante e sem reflectir a luz, esta é característico da tinta de cola, pode-se acrescentar mais massa de pigmento. Repete-se a amostragem até que a tinta de cola seja satisfatória.

A tinta de cola pode ser aplicada sobre qualquer material absorvente : papel, parede rebocada, madeira tosca ou aparelhada. A experiência demonstra que um pré tratamento com água de sabão (1/2 kg de sabão fraco e 3 a 4 litros de água quente) irá tornar mais fácil a aplicação desta tinta, o sabão seco irá macerar o material sobre o qual se vai aplicar a tinta, durante um momento, e irá atrasar a penetração da tinta de cola, o que possibilita trabalhá-la com um pincel molhado. Podem-se usar 1 ou 2 demãos de sabonária quando se aplicam novas demãos de tinta, ou se desejarmos alterar as cores, porque o sabão seco irá selar a demão de tinta antiga.

Depois disto, a tinta de cola é aplicada com uma trincha específica cujas cerdas são arranjadas em feixes. Enquanto que se aplica a tinta, esta não deve secar nunca, e deve-se trabalhar suave mas rapidamente. É frequentemente necessário aplicarem-se duas demãos de tinta, e neste caso deve-se assegurar que a primeira demão esteja bem seca antes de aplicar a seguinte.

Qualidades: Mate com uma bela reflexão da luz. A tinta de cola forte não descasca, e é tão dificilmente desgastada como deslavada. As manchas de gordura não podem ser removidas.

Secagem: 2 horas.

Utilização: Apenas em interiores e só sobre materiais absorventes: papel, parede rebocada (seca), madeira tosca ou aparelhada.

Durabilidade: Depende das circunstâncias.

  • b2 Tinta feita com cola celulósica:

A cola celulósica é feita a partir da resina contida na madeira das coníferas, a qual é pulverizada e tratada com sais alcalinos. A cola celulósica é, portanto, chamada de cola vegetal (cola de plantas) e também chamada pasta ou metilcelulose. Pode ser comprada em pó e é a cola mais popular usada nas tintas de cola, já que é muito fácil e rápida de misturar em água pura e fria.

A cola celulósica é mais elástica do que a cola animal, e é por isso que mesmo uma demão de tinta “colada por cima” não irá descascar. A tinta seca quando a água se evaporar. Esta cola não é venenosa. A proporção entre o pó da cola e a água consta da embalagem, mas na maioria dos casos é de 1 parte de cola para 25 partes de água.

A preparação desta tinta de cola é feita da mesma maneira descrita para as “tintas de cola feitas com cola animal”. O pigmento é saturado em água na véspera do seu uso para que a sua consistência não fique demasiadamente fina. A cola é feita conforme a receita da respectiva embalagem.

A cola e a massa de pigmento são preparadas cada qual na sua lata. Numa terceira lata deita-se 5/6 da cola e 5/6 da massa de pigmento, pintando-se de seguida uma amostra. Quando a tinta seca, deve ser testada para ver se descasca e, neste caso, deve-se juntar mais cola. Se a tinta estiver demasiado brilhante deve-se juntar mais massa de pigmento. Se a própria tinta parecer muito espessa, deve-se juntar mais água. Pretende-se uma consistência que seja como a das natas.

Qualidades: Mate com uma bela reflexão da luz. A tinta de cola forte não descasca, e é tão dificilmente desgastada como deslavada. As manchas de gordura não podem ser removidas.

Secagem: 2 horas.

Utilização: Apenas em interiores e só sobre materiais absorventes: papel, parede rebocada (seca), madeira tosca ou aparelhada.

Durabilidade: Variável, conforme as circunstâncias.

  • b3 Tinta feita com decocção de musgo da Islândia:

A cola com cor-de-musgo, o chamado musgo da Islândia, nem está relacionada com o musgo nem com a Islândia. Consiste num extracto aquoso extraído de diferentes espécies de líquenes e de algas, por exemplo a carragena, que cresce na Islândia.

A cor-de-musgo é apropriada para a pintura de tectos, porque a cola é muito fraca, o que torna mais fácil retirá-la por lavagem, quando se quer repintar a superfície, e produz a mais bela superfície mate e clara, extremamente reflectora da luz. Apesar disso, tem uma viscosidade adequada que evita que a tinta escorra pelo pincel. Pode-se usar o alvaiade como pigmento.

A cor-de-musgo pode ser comprada em embalagens pré-preparadas a que apenas se deve adicionar água.

Qualidades: Mate com uma bela reflexão da luz. Vai descascando progressivamente.

Secagem: 2 horas.

Utilização: Apenas em interiores e só sobre materiais absorventes : papel, parede rebocada (seca), madeira tosca ou aparelhada. É principalmente usada na pintura de tectos.

  • b4 Tinta feita com cerveja:

A tinta feita com cerveja é preparada pela mistura do pigmento com cerveja (que dizem ser melhor as do tipo “Dark Lager”, tal como a Rod Tuborg ou a Gamle Carlsberg) por forma tal que a tinta tenha uma grande capacidade de cobertura e seja fácil de aplicar.

Quando se executam trabalhos menores, como por exemplo a pintura decorativa a fingir madeira ou mármore, a mistura cerveja-pigmento é por vezes feita na paleta. O pigmento é posto sobre a paleta, se necessário misturado com outros pigmentos. Molha-se o pincel na cerveja e mistura-se a cor na paleta. Usa-se um pincel artístico.

A tinta de cerveja é frequentemente espelhada mas não é impermeável. Se lhe for aplicada uma laca por cima fica resistente à água.

Qualidades: Mate com uma bela reflexão da luz. Alguns pigmentos são brilhantes mas nenhuns descascam.

Secagem: 1 a 2 horas.

Utilização : Apenas em interiores e só sobre materiais absorventes : papel, parede rebocada (seca), madeira tosca ou aparelhada.

  • b5 Tinta feita com farinha de batata (cola de pintor ou cola de Schell):

A “cola de pintor” ou cola de Schell é feita com farinha de batata e pode ser comprada sob a forma seca. O pó dessa cola é misturado com água e repousa por 5 a 10 minutos após os quais a tinta de cola é preparada conforme descrito para a “tinta feita com cola animal”, (b1). Qualidades, secagem e utilização iguais às da “tinta feita com celulose”.

  • b6 Tinta feita com massa de farinha (cola de tanoeiro):

O ligante é feito a partir de uma quantidade adequada de farinha desfeita em água fria até se conseguir formar uma pasta livre de grumos. Durante a mistura, acrescenta-se água a ferver até se produzir uma cola de farinha parecida com geleia, mas livre de grumos. Também se pode comprar cola de farinha sob o nome de “Fustagelim” (cola de tanoeiro).

Esta cola é misturada com o pigmento, macerada com água até se transformar numa pasta de pigmento espessa, a que se acrescenta água ou cola até que a tinta tenha um poder de cobertura adequado e que seja fácil de aplicar sem descascar. Pode-se fazer uma ou mais amostras, aplicando-a com uma trincha.

Se houver necessidade de se guardar esta tinta durante muito tempo, deve-se adicionar-lhe um preservante.

Qualidades, secagem e utilização conforme descrito para a “tinta feita com celulose”, fora o facto de que a tinta feita com farinha tem uma tendência marcada para se tornar bolorenta, caso a parede pintada seja fria ou húmida durante um certo período.

  • b7 Tinta feita com papas de farinha de centeio (cor de terra Sueca):

Esta tinta tem uma cor vermelha acastanhada clássica e é chamada de “vermelho sueco”. É principalmente usada em exteriores e é especialmente conhecida pelas numerosas casas de madeira “vermelhas sueco”. A tinta pode ter outras cores tais como: amarelo (ocre amarelo), preto (negro de fumo), branco, azul ou verde.

O mais antigo e usado pigmento é no entanto o “vermelho de Falu”, um produto secundário gerado na extracção do cobre nas montanhas de “Store Koppergerg” perto da cidade de Falu, no centro da Suécia. Uma receita desta chamada “cor de terra”, do princípio do século XVIII diz o seguinte:

Dissolvem-se 2 kg de sulfato ferroso em 50 litros de água a ferver. Nesta solução batem-se 2 a 2 1⁄2 kg de farinha de centeio fina ou de farinha de trigo. Após 15 minutos de fervura sem parar de se mexer, acrescentam-se 8 kg de pigmento na cor vermelha, enquanto que se agita vigorosamente. Deixa-se esta mistura ferver durante outros 15 minutos e a tinta está pronta. Se necessário, podem-se acrescentar 1 a 1 1⁄2 litros de óleo de linhaça, de alcatrão de madeira, de óleo de peixe ou de óleo de fígado de bacalhau, para fazer a tinta ficar mais forte.

O sulfato ferroso é principalmente usado para se combater a formação de algas. Como o sulfato ferroso vai ficar enferrujado com o decurso do tempo, a cor irá escurecendo progressivamente. Quando se pinta com amarelo, verde ou azul, ou com outras cores claras, usa-se o sulfato de zinco em vez do sulfato ferroso, para se evitar a formação das algas.

Qualidades: Mate. Normalmente consegue cobrir apenas com uma demão de tinta. O pigmento “vermelho de Falu” não é inflamável.

Secagem: 2 horas.

Utilização: Apenas sobre madeira tosca e seca.

Durabilidade: Cerca de 10 a 15 anos. As cores escuras irão durar mais que as claras.

  • b8 Tinta feita com caseína:

Dissolvem-se 100 gramas de caseína seca em 200 ml de água. Acrescenta-se, então, 800 ml de água quente (sem ferver). Enquanto ainda se está a mexer, adicionam-se 20 a 25 gramas de amónia em pó (carbonato de amónio hidrogenado) por cada litro da solução de caseína. Durante este processo a mistura irá efervescer bastante e portanto é muito importante que se faça a mistura da cola numa vasilha grande desde o primeiro momento. Quando a cola já não efervescer mais, acrescentam-se 5 ml de “Atamon” (anti-fungos) por litro.

Em vez de caseína seca podem-se usar 200 gramas de requeijão misturados com 1 litro de água quente. Deve-se no entanto não esquecer de acrescentar os 20 a 25 gramas de amónia em pó por cada litro de dissolução de caseína e ainda o anti-fungos.

Adiciona-se agora o pigmento à cola (cerca de 1⁄2 kg de pigmento por cada litro de cola, conforme o pigmento). Mas primeiro deve-se preparar alguma massa de pigmento e assegurar-se que ela é bem misturada e adquire uma consistência firme.

A seguir, a cola é adicionada até que a tinta tenha um bom poder de cobertura e que seja fácil de aplicar. Verificar que a tinta não descola pela aplicação de algumas amostras sobre material adequado.

Qualidades: Mate. Impermeável mas não lavável.

Secagem: 1/2 hora.

Utilização: No interior sobre rebocos, papel, gesso cartonado ou madeira.

No exterior sobre madeira tosca ou reboco.

A tinta de caseína é uma das soluções apropriadas para aplicação sobre um reboco recentemente acabado, já que esta tinta seca facilmente sobre este material de base.

Durabilidade: 10 a 15 anos.

  • b9 Tinta feita com cal e caseína:

Uma variação da tinta de cola de caseína é preparada pela mistura de água de cal ou de leite de cal com um pouco de caseína, sob a forma de caseína seca dissolvida em água quente, ou sob a forma de manteiga, nata de leite ou requeijão. Desta maneira a água de cal está pronta para receber mais pigmento, porque a caseína lhe proporciona a necessária quantidade de aderência à cal. A intensificação da cal com a caseína é muitas vezes usada quando se pinta com cores fortes (vermelho, azul, verde e preto). Mas deve-se ter consciência do facto de se ter transformado a caiação numa tinta de cola, o que irá afectar a tensão superficial, o processo de têmpera e de aderência ao material sobre o qual é aplicada essa tinta.