Tintas de Cal

Este revestimento tradicional proporciona um acabamento respirante e decorativo que se embebe no material subjacente em que é aplicado. O material é principalmente composto por cal extinta (hidróxido de cálcio) geralmente com uma baixa proporção de um ligante orgânico, tal como o sebo. O hidróxido de cálcio faz presa lentamente por combinação com o dióxido carbónico para formara carbonato de cálcio, o principal componente da pedra calcária e do mármore. As alternativas ao sebo, geralmente menos usadas, incluem a caseína, que reage com a cal apagada para formar caseinato de cálcio e produz uma ligação insolúvel, e aditivos pozolânicos, tais como as cinzas volantes que provocam uma presa por contacto com a água através de uma reacção mais complexa. Como revestimento para um estuque ou para um reboco à base de cal, e de pedra calcária em particular, a tinta de cal é, de muitas formas, comparável em natureza ao material que lhe fica subjacente, tem uma porosidade similar, alcalinidade (valor de pH) e coeficiente de expansão térmica.

No passado, a pintura periódica das fachadas dos edifícios com tintas de cal, com uma periodicidade de poucos anos, era muito comum e as composições específicas variavam quase de edifício para edifício, confiando fortemente na experiência passada, na disponibilidade local das matérias primas e no que previamente tinha provado ser bem sucedido.

Um grande número de factores conspirou para a redução da utilização das tintas de cal. Com o advento das tintas modernas formadoras de películas com cores previamente pigmentadas, as técnicas de execução e os conhecimentos necessários quer para a produção quer para a aplicação das tintas de cal diminuíram rapidamente, apesar de actualmente estarem de novo a ressurgir. Quando as tintas de cal eram aplicadas sobre materiais subjacentes de porosidade variável, tais como uma fachada em alvenaria de tijolo com juntas de argamassa relativamente fraca e faces de tijolos mais resistentes, havia uma tendência para a tinta de cal exibir fissuras por movimentos diferenciais, permitindo a entrada de água e, eventualmente, o falhanço do revestimento. A tinta de cal não deve ser usada sobre um arenito que não tenha sido previamente tratado com tinta de cal, já que a introdução da cal pode conduzir à sua degradação.

O rápido aumento da poluição, desde a revolução industrial, especialmente a chuva ácida, fez com que as fachadas exteriores em tinta de cal se degradassem muito rapidamente. Primeiro notam-se marcas de escorrimentos em áreas tais como soleiras, capeamentos, etc., consequentes da reacção entre a chuva ácida e a tinta de cal resultando na dissolução desta. Depois, eventualmente, a inteira fachada é atacada e degradada. A tinta de cal proporciona protecção à superfície actuando como revestimento ‘sacrificial’, pelo que é destruída mais rapidamente do que o material subjacente. Ela também serve para ajudar a consolidar superfícies calcárias friáveis. A tinta de cal é muito adequada para os pequenos edifícios históricos que foram rebocados e construídos com alvenaria de pedra calcária ou com taipas e outras alvenarias tradicionais, em que há uma necessidade de se manter a aparência histórica e quando for aceitável a necessidade de uma manutenção regular. A curto prazo, pelo menos, ela é relativamente económica.