Apontamentos Restauro da Porta Principal da Catedral de Milão

Restauro da Porta Principal da Catedral de Milão

A porta central da Catedral de Milão foi fundida pelo método da cera perdida e por partes individuais, reunidas entre si mediante soldadura.

As partes que compõem esta porta foram executadas algumas em alto relevo, outras a todo o fundo, com uma excepcional complexidade de modelações em que figuras e elementos decorativos se entrelaçam e se estratificam, conseguindo um sábio e belíssimo jogo de vazios e de cheios, num conjunto que vai desde os 30 cm dos painéis até aos 50 cm das cenas centrais dos dois batentes, chegando a atingir um metro na cena da Coroação da Virgem na bandeira; ao todo numa extensão total com mais de 10 metros de altura por 5 de vão.

A sua data de inauguração, em 1908, diz muito sobre o estado de conservação da obra: os cerca de 90 anos de existência da porta correspondem, em grande parte, ao primeiro período industrial, o pior no que respeita à poluição atmosférica, anos em que a principal fonte de energia foi, primeiro o carvão, depois a nafta, os maiores responsáveis pela contaminação com anidrido sulfuroso, que provocou os fenómenos de sulfatação bem evidentes em toda a superfície do bronze, a qual mostra uma generalizada corrosão alveolada.

Para além destes danos de origem ambiental, a porta reúne os sinais da guerra: que se traduzem por entalhes, furos e algumas mutilações, por sorte pouco importantes, consequentes das bombas que explodiram nas proximidades da fachada da Catedral.

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No restauro anterior, executado nos anos 60, foi tomada a decisão de se deixarem evidentes os danos da guerra, justamente considerados como uma componente relevante, apesar de negativa, da história.

Esta decisão foi compartilhada e respeitada, e para este tipo de danos limitamo-nos a algumas consolidações das reparações já efectuadas.

O problema mais complexo deste restauro foi a limpeza dos produtos de corrosão estratificados e incrustados na superfície do bronze.

O bronze é uma liga de cobre, estanho e chumbo que se altera com extrema facilidade, formando, à superfície, uma camada mais ou menos complexa de produtos de corrosão, os quais constituem a patina.

Esta confere ao metal um aspecto muito diferente do novo, manifestando os sinais mais visivelmente concretos da passagem do tempo, sinais de que mesmo a matéria, tal como a forma, pertencem a um momento diferente do actual.

Se esta camada de produtos da corrosão, na sua maioria, é fina e formada por compostos estáveis e compactos, pode constituir uma protecção para o metal; pelo contrário, se é espessa e pulverulenta, pode comportar-se como uma esponja que atrai os agentes corrosivos e a humidade para o contacto com o metal, com efeitos destrutivos; neste caso deve ser desbastada e tornada compacta com um consolidante.

Segundo os critérios metodológicos e os procedimentos actuais, a patina deve ser conservada pelos motivos quer técnicos quer estéticos que se mencionaram e, embora seja necessário intervir-se para a adelgaçar, deve-se agir mecanicamente.

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No caso da Porta de Pogliaghi, dada a profundidade e a complexidade do modelado, o método que se revelou mais eficiente foi a abrasão por projecção, executada pela utilização de uma granalha vegetal, com uma granulometria de cerca de 0,2 a 0,5 mm, como abrasivo e com uma pressão de cerca de 6 atmosferas.

Seguidamente procedeu-se a uma lavagem com água corrente adicionada com um detergente neutro e a um enxaguamento com água desmineralizada.

O tratamento anticorrosivo foi efectuado com benzotriazol em álcool puro; por seu lado, a consolidação e a protecção foram realizadas com uma camada dupla de resina acrílica primeiro e de cera microcristalina depois, as duas contendo benzotriazol, para se prolongar sua a acção anticorrosiva.

O restauro foi executado em colaboração com a Veneranda Fabbrica del Duomo, que assim proporcionou a aquisição de conhecimentos pelo seu pessoal, tendo em vista a efectivação de intervenções de manutenção periódicas, condição indispensável para uma boa conservação da porta em questão, tal como de qualquer outro monumento.

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