Responsabilidade Social das Instituições Financeiras

Responsabilidade Social das Instituições Financeiras

As revoluções tecnológicas que ocorrem com o passar do tempo geram mudanças que intervém nas relações empresariais, assim como na geração de bens e serviços. As aberturas nos padrões de produção possibilitaram uma maior possibilidade de riqueza com menor intervenção humana. Já não são mais satisfatórias as grandes riquezas materiais, em detrimento da qualidade de vida dos indivíduos. Afirma-se que esse resultado é um reflexo da intensa mobilização dos diversos setores da sociedade, atuando de forma proposital, procurando apontar caminhos para uma maior equidade nas relações entre o governo, o mercado e a sociedade civil organizada.

Segundo Veloso (2002), reconhece-se o processo de reestruturação de atribuições por que passam o Estado, a sociedade civil e as organizações, tendo como um de seus efeitos principais o maior interesse das empresas em se tornarem socialmente responsáveis perante o contexto sociocultural em que se inserem, ocupando espaços na sociedade antes preenchidos somente pelo Estado ou pela Sociedade Civil, como área de atuação social nas comunidades.

Essa sociedade civil tem procurado assumir a sua parcela para a melhoria da qualidade de vida coletiva, buscando estabelecer relações humanas mais saudáveis, assim como o Estado tem empreendido esforços para melhoria das relações com os seus governantes, aprovando assuntos de interesses estratégicos para a nação; e as empresas atendendo as exigências que surgem desses “grupos de interesse” têm aportado com sua parcela de contribuição para reduzir a fome e a miséria em nosso país.

Na atual conjuntura ouve-se muito falar em solidariedade, transparência, ética, comunidade e responsabilidade social, para citar somente alguns termos atuais na sociedade. Assim como se debate tanto a melhoria de qualidade de vida.

Infelizmente ao se contemplar as diversas nações neste início de século, sob o enfoque das condições de vida, constata-se que grandes são o aumento das desigualdades, contradições e o aprofundamento da pobreza que permeiam a sociedade. Todo o desenvolvimento científico e tecnológico das últimas décadas parece não ter sido usado em prol do resgate da dignidade humana. Benício (2005) afirma que:

  • Essa grande contradição exige uma redefinição urgente dos parâmetros de desenvolvimento econômico. A crença de que o crescimento econômico geraria um maior volume de receita para atender a população carente está definitivamente abalado.

A Responsabilidade Social surge no momento em que a sociedade assume uma atitude que cobra uma postura mais
complexa, necessitando de diálogo e interdependência mais acirrada entre os três setores: Sociedade, governo e empresa.

A expectativa em torno da Responsabilidade Social é voltada para o que se espera em torno daquilo a ser pertinente de uma organização. Espera-se uma participação mais direta das ações comunitárias na região em que está presente e minorar possíveis danos ambientais decorrentes do tipo de atividade que exerce; entretanto, só o apoio ao desenvolvimento da comunidade e preservação do meio-ambiente não são suficientes para atribuir a uma empresa a condição de socialmente responsável, investimento no bem-estar dos seus funcionários e dependentes e num ambiente de trabalho saudável, além de promover comunicações transparentes, dar retorno aos acionistas, assegurar sinergia com seus parceiros e garantir a satisfação dos seus clientes ou consumidores.

Responsabilidade Social pode ser definida como o compromisso que uma organização deve ter para com a sociedade, expresso por meios de atos e atitudes que a afetem positivamente, de modo amplo, ou a alguma comunidade de modo específico, agindo proativamente, e coerentemente no que tange o seu papel específico na sociedade e a sua prestação de contas para com ela. (CARDOSO e ASHLEY, 2002 p.7)

E Veloso (2002, p.53) pontua como atitudes e atividades que as organizações necessitam desenvolver com vistas ao atingimento da Responsabilidade Social:

  • Preocupação com atitudes éticas e moralmente corretas que afetem todos os públicos, stakeholders envolvidos (entendidos de maneira mais ampla possível);
  • Promoção de valores e comportamentos morais que respeitem os padrões universais de direitos humanos e de cidadania e participação na sociedade;
  • Respeito ao meio ambiente e contribuição para sua sustentabilidade em todo o mundo;
  • Maior envolvimento nas comunidades em que se insere a organização, contribuindo para o desenvolvimento econômico e humano dos indivíduos ou até atuando diretamente na área social, em parceria com governos ou isoladamente.

Então se pode dizer, então, que os principais setores da responsabilidade social de uma empresa são: o apoio ao
desenvolvimento da comunidade onde atua; preservação do meio ambiente; garantia ao bem-estar dos funcionários e dependentes num ambiente de trabalho agradável; promoção de um sistema de comunicação transparente; retorno aos acionistas; sinergia com seus parceiros/partes interessadas; e garantia da satisfação dos seus clientes internos e externos.