Observação Histórica

História Antiga e Renascença. A decoração moldada por prensagem foi usada durante séculos com vários materiais moles e plásticos. Por exemplo, é conhecido que os escultores medievais prensavam em moldes algumas misturas orgânicas para decorarem esculturas pintadas. Mas como essas misturas, baseadas em ligantes orgânicos tais como a cola, o óleo, as resinas e as ceras, eram objecto de várias espécies de degradações, os seus sobreviventes actuais são raros.

Os antepassados directos do ofício da composição encontravam-se, muito provavelmente, na Renascença Italiana; no entanto, as misturas de composição não foram extensivamente usadas na decoração arquitectónica durante este período, provavelmente em consequência das tradições construtivas, assim como da relativa despesa. Vale a pena referir-se que aquela foi uma época de experimentação com materiais e de redescoberta dos desenhos Gregos e Romanos. As misturas prensadas moldadas chamadas de ‘pastiglias’ eram usadas para se decorarem caixas em madeira e molduras de quadros tão cedo como no século XIV.

As composições moldáveis foram discutidas por diversos escritores Renascentistas. As receitas eram extremamente variadas e incluíam, entre os seus ingredientes mais vulgares e compreensíveis, o gesso, o carbonato de chumbo, a serradura de madeira e o pó de mármore, ovos, pigmentos, lã de ovelha e diversos óleos e resinas.

O século XVIII. O primeiro florescimento da composição arquitectónica na América teve lugar em finais do século XVIII, quando os ornamentos eram quer importados da Inglaterra, quer produzidos por fabricantes em todas as principais cidades do Leste. Todas as condições eram correctas: as tecnologias de moldagem estavam bem estabelecidas (o papier maché arquitectónico que, tal como a composição, era produzido em moldes, tinha ganho uma aceitação amplamente espalhada durante as décadas de meados do século).

As matérias-primas eram produzidas ou importadas em grandes volumes, pelo que os custos dos ingredientes da composição baixaram, ao mesmo tempo que os custos da disponibilidade da mão-de-obra mais altamente treinada tinham subido. As condições económicas e sociais favoreciam “manufacturas” centralizadas para a produção de variadas artes e ofícios. O projecto também se encaminhava para uma recepção favorável da composição. Uma mais fidedigna reinterpretação do projecto Grego e Romano posteriormente denominada de “Neoclássica” tinha-se instalado na Europa, sendo defendida em Inglaterra pelo arquitecto Robert Adam depois do seu regresso de Itália em 1758, onde tinha estado a estudar.

Apesar de Robert Adam não ter desempenhado nenhum papel directo na “invenção” da composição ornamental, como por vezes é afirmado, ele patrocinou os artesãos ingleses que a estavam a fabricar e era geralmente receptivo aos materiais novos e inovadores. Um fabricante inicial, por vezes citado pelos seus contemporâneos como sendo o “inventor” da composição, foi John Jaques. O seu nome aparece na publicidade em Londres por volta de 1785, mas provavelmente ele já estava neste negócio antes disso.

Em consequência da influência de Adams, os projectistas de aplicações ornamentais quer na Europa, quer na América começaram a tirar partido de um processo de moldagem que estava idealmente adequado para a produção dos pormenorizados, mas repetitivos, motivos da decoração clássica – folhas de acanto, óvulos e dardos, Festões e panejamentos em composição ornamental exibidos no catálogo de um fabricante. A empresa, estabelecida em 1893, ainda hoje está a trabalhar.

O século XIX. Durante as primeiras décadas do século XIX, o Neoclássico – rodeado pelas palavras Federal, Império e Revivalismo Grego, na América – estava em ascensão. Os fabricantes de composição continuaram a aumentar e também a encontrar novas aplicações para o seu material.

Tornaram-se comuns as molduras para quadros e para espelhos em composição e alguns fabricantes publicitavam a adequação da composição ornamental para a moldagem de fundos de lareira e de salamandras. A composição ornamental era explicitamente publicitada para utilizações exteriores também, apesar de muito poucas terem sobrevivido. Os interiores das casas e dos edifícios públicos em todas as prósperas cidades Americanas eram decorados com composição ornamental.

Quando os estilos Federal e Império, classicamente derivados, deram lugar a vários estilos revivalistas – Rococo, Gótico, Renascença e Italiano – os fabricantes de composição fizeram simplesmente novos moldes para os acomodarem. (Apesar de os estilos Rococo e Renascença não serem vulgares na América, eles eram vulgares na decoração do mobiliário e dos interiores, e consequentemente, na composição ornamental).

Junto com a proliferação de estilos durante as décadas de meados e finais do século, existiu um crescimento paralelo de um certo número de materiais moldáveis e fundíveis que partilhavam alguns elementos do ofício da composição tais como o carton pierre, a gutta percha, o estuque fibroso, as composições de laca e, posteriormente, o celulóide e a borracha dura. A composição continuava a ser o material preferido para a decoração pormenorizada sobre madeira, sempre que o tamanho dos ornamentos não fizessem o seu custo ser proibitivo. A publicação de livros práticos por e para operários, iniciada no século XIX, disseminou receitas e procedimentos a uma larga audiência e desmistificou o ofício. As composições ornamentais deste período, chamadas de “gravações em madeira de imitação”, eram largamente publicitadas nos catálogos dos fabricantes. Foram postas à venda bolas de “compo” preparado, nalgumas lojas de artigos de arte nas grandes cidades, para serem usadas por artesãos com pequena produção.

Durante os últimos anos do século, o Movimento Arts and Crafts – conforme apregoado por William Morris e pelos seus associados e seguidores – tornou-se crescentemente importante em desenho e em filosofia. Morris valorizava a fidelidade ao material no projecto, exaltava a espiritualidade do trabalho manual e rejeitava a fabricação, a produção em massa e a distinção entre a “grande” arte e os ofícios. No século XX, estes princípios conseguiram afectar quer a tecnologia, quer o desenho. As composições ornamentais viriam a ser um anátema para Morris e para os seus clientes de elite; a maioria da produção de composições ornamentais, durante os últimos anos do século, fica melhor descrita como sendo Ecléctica Vitoriana.

O século XX. O Arts and Crafts e outros estilos aparentados, tais como a mais decorativa Art Nouveau, estavam bem enraizados na América nos princípios do século. Os moldes em resina dura, feitos a partir de padrões com relevos gravados, tornaram-se muito vulgares na América. As marcas da ferramenta de gravar podiam ser acentuadas nestes padrões, para se manterem de acordo com a moda actual. As madeiras de grão aberto, tais como o mogno, eram frequentemente escolhidas para que as composições ornamentais acabadas tivessem uma espécie de grão da madeira que aparecia através da pintura e do verniz. Uma aplicação ímpar das composições ornamentais no século XX foi nos luxuosamente ornamentados palácios do cinema da época da Depressão.

Conforme o interesse pelos embelezamentos arquitectónicos declinava, particularmente em consequência dos austeros estilos posteriores à II Guerra Mundial, assim acontecia com o negócio da composição. Muitas firmas antigas deixaram de funcionar e os seus moldes foram dispersados ou destruídos. As poucas que permaneceram concentraram-se nas obras de restauro ou ficaram a ser sustentadas pela diversificação para outros materiais. Por
volta de 1950 e 60, a composição ornamental, como material e como ofício estava quase esquecida.

Um ressurgimento dos ofícios de produção manual, que teve início nos finas dos anos 60 e que tem continuado até hoje – assim como um crescente interesse crescente na preservação histórica – levou ao estudo renovado dos métodos e dos materiais antigos, incluindo a composição. Os poucos fabricantes que permanecem viram um grande crescimento nos seus negócios, e um número crescente de pessoas reconhece que a composição é um material ornamental único e querem conservá-la, restaurá-la e criá-la.