Apontamentos O quarto de cama inabitável

O quarto de cama inabitável

Antecedentes  

A propriedade era um edifício de dois andares pertencente a uma autoridade local, com pavimentos em betão e paredes exteriores maciças de 13”, fazendo parte de um grande bloco.  

Uma grave inundação no apartamento de cima penetrou na parede ao fundo do quarto de cama principal, e o papel dessa parede descolou-se. A autoridade local refez a decoração três semanas mais tarde e o papel (vinílico) descolou-se de novo.  

Cerca de 18 meses mais tarde sem se fazer nada, o inquilino levou a autoridade local a tribunal e reclamou que o apartamento estava impróprio para ser habitado – e ganhou a acção.  

A autoridade local recorreu e pediu uma investigação à humidade que se afirmava persistir e provocar a inabitabilidade do apartamento.  

Investigação

Só uma parede se encontrava afectada. Visualmente, o papel de parede tinha-se descolado e tinha-se desenvolvido um ligeiro bolor negro por baixo do papel, mostrando tinha estado molhada em tempos. 

Para além disso, não existia mais nenhum sinal de humidade ou de desenvolvimento de bolor.

À época da inspecção, o diferencial de pressão interior/ exterior do vapor era menor que 0,3 kPa, o que indicava que a produção de humidade estava a ser bem compensada pela ventilação.  

O papel de parede restante estava bem colado à parede, o que indicava que o papel estava, para  efeitos práticos, “seco”. Na verdade, puxando-se pelo papel provocava-se o arrancamento da película de pintura que estava por baixo daquele.

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No entanto, eram obtidas elevadas medições de humidade em todo o papel, mas apenas na metade superior da parede (os dados higrométricos mostravam que as superfícies das paredes estavam bem acima do ponto de orvalho para a temperatura respectiva, e que não eram afectadas por nenhuma condensação superficial, ao tempo da inspecção).  

Foi desenhada uma grelha das medições ao longo de toda uma parede, em simultâneo com uma análise completa da humidade do substrato.

O resultado evidenciou humidade livre apenas na parte superior da parede, em que os níveis mais elevados das leituras se situavam logo abaixo do tecto em betão.

Mais análises demonstraram que esses níveis andavam a cerca de 5 %, ou menos, próximos da capacidade máxima em humidade dos materiais analisados.  

A parede estava protegida exteriormente por uma caixa de escada, e tinha uma película muito fina de tinta à base de óleo aplicada na sua face exterior.  

Conclusão

A grave inundação ocorrida dois anos antes tinha saturado o topo da parede provocando o amolecimento da cola e a descolagem do papel. O mesmo aconteceu algumas semanas depois, quando a parede foi de novo revestida.  

A actual distribuição de humidade livre é residual ainda da inundação ocorrida no piso superior – está relacionada com o pavimento superior em betão (que actuou como um reservatório).

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A parede nunca secou completamente por causa do papel vinílico e da pintura exterior que lhe retardavam a evaporação. Mas os níveis de humidade residual não eram certamente insuficientes para provocarem o amolecimento da cola do papel de parede. 

Os muito baixos níveis de humidade livre também provocaram as elevadas leituras da medição da humidade (os humidímetros eléctricos são muito sensíveis aos níveis de humidade livre muito baixos).  

Não se tinha desenvolvido nenhum bolor superficial dentro do quarto nem, na verdade, no resto do apartamento.  

Concluiu-se que, efectivamente, o quarto estava “seco” e que não existiam organismos (bolor) que podessem fazer com que o quarto se tornasse prejudicial para a saúde dos seus ocupantes.

Na verdade, nem havia nenhuma evidência, presente ou passada, que demonstrasse ou sequer sugerisse que as condições dentro do quarto tivessem sido alguma vez uma ameaça para a sua saúde. (N.B. o conteúdo em humidade da atmosfera, só por si, não constitui uma ameaça para a saúde!).  

A autoridade local ganhou o seu recurso.  

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