Apontamentos O humidímetro “Carbide”

O humidímetro “Carbide”

O humidímetro “Carbide” é considerado, por muitas pessoas que o possuem, como sendo o instrumento definitivo no diagnóstico dos problemas com humidade.

Apesar de tudo, eles dão mesmo um resultado quantitativo rigoroso do conteúdo em humidade. Dizem nos também que eles são recomendados pelo BRE Digest 245 – vamos analisar isto de seguida.  

Este humidímetro tem uma enorme desvantagem, enquanto ferramenta para uma vistoria preliminar – é um método destrutivo para a determinação da humidade, ou seja, ele necessita que sejam recolhidas amostras.

Isto dificilmente será aceitável para um vendedor, como parte de uma vistoria anterior a qualquer uma venda!  

Quando são usados como um instrumento in-situ (como o são, geralmente), o investigador está, normalmente, à procura de conteúdos de humidade inferiores aos 5 %. Porquê? 

Porque, alegadamente, o BRE Digest 245 diria que esse conteúdo de humidade seria aceitável até aos 5 %. Na verdade, o Digest não diz nada disso! Ele afirma claramente,  

“Se for encontrado um conteúdo em humidade (MC) inferior a 5 por cento na base, é improvável que a parede esteja afectada por humidade ascendente” e que “Apesar de ser apenas um indicador grosseiro, o limiar dos cinco por cento representam uma orientação geral razoável sobre se é necessário ou não um tratamento curativo. Isto enfatiza a importância da diferença entre a HMC e a MC, medidas em amostras.” 

São claramente referidos quatro pontos:  

  1. O número indicativo dos 5 % refere-se à base da parede, e não a 150 mm ou ainda mais acima, onde parece que a maioria das amostras são recolhidas!
  2. Estas afirmações não têm nada a ver com diagnóstico – elas referem-se, efectivamente,  aos regimes de tratamento.  
  3. In-situ, não se consegue distinguir entre MC e HMC! e  
  4. Em parte nenhuma do Digest é descrita, ou sequer sugerida, a utilização in-situ instrumento!  
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Infelizmente, a maioria das pessoas parece ignorar os pontos anteriores, desvalorizá-los ou interpretá-los mal.  

Este humidímetro também responde aos materiais contaminados com sais, ou seja, à humidade higroscópica; esta aumenta o conteúdo em humidade total da amostra.

Quando usado in-situ, este humidímetro não consegue distinguir entre a humidade livre e a humidade higroscópica, e os materiais severamente contaminados por sais podem ter conteúdos de humidade superiores aos 5 %, sem a presença de humidade livre.

Na verdade, este é apenas um caso clássico em que a humidade ascendente foi eficientemente eliminada, mas a utilização in-situ de um humidímetro registou conteúdos em humidade superiores aos 10 a 12 %.

Depois de terem sido executadas 4 barreiras hidrofugantes demonstrou-se posteriormente que toda a humidade era devida à contaminação com sais higroscópicos, e não a um repetitivo falhanço da barreira hidrofugante!

É exactamente isto que o Digest sublinha “- a  importância da diferença entre a HMC e a MC medidas em amostras.”  

Talvez um dos mais fundamentais equívocos na utilização dos humidímetros seja a tentativa de se  compararem conteúdos em humidade entre dois ou mais materiais diferentes e, a partir daqui, tentar-se  icar a origem de uma humidade. 

Diferentes materiais têm diferentes graus de saturação, para os
mesmos conteúdos em humidade, pelo que não podem ser feitas comparações entre materiais diferentes.
 Isto também leva a diagnósticos e interpretações errados baseadas nos resultados obtidos in-situ.  

Portanto, como ferramenta para diagnóstico in-situ, este humidímetro tem uma série de desvantagens e, assim, como ferramenta de diagnóstico in-situ, os seus resultados são frequentemente mal interpretados e podem levar a mais erros (práticas de não tratamento) do que um perito competente usando um humidímetro eléctrico.

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Com efeito, este humidímetro está sujeito ao mesmo tipo de problemas de interpretação levantados pelos humidímetros eléctricos.

Existe, também, uma distinta deficiência na formação dos operadores, assim como sobre as imitações deste humidímetro e sobre as interpretações erradas dos conteúdos do BRE Digest 245, um documento que tem sido tão largamente mal interpretado e desvalorizado.

Além disso, como ferramenta in-situ, é muito lento de usar, já que cada uma das amostras demora mais de 5 minutos a dar um resultado.

Mais uma razão pela qual a maioria dos utilizadores destes humidímetros não fazem mais do que uma ou duas amostras, as quais não são, certamente, suficientes para fundamentação de um diagnóstico.  

Mas quando este humidímetro é usado para a sua verdadeira finalidade, deve sê-lo conforme descrito no BRE Digest, ou seja para a determinação do conteúdo total em humidade (MC), do conteúdo idade higroscópica (HMC) e, em consequência destes, do conteúdo em humidade livre, a partir de uma série vertical de amostras.

Efectivamente, ele é um instrumento para ser usado fora do local, e que substitui o método laboratorial também descrito no Digest; torna-se, então, no verdadeiro instrumento de diagnóstico para que foi concebido.

Tal como o método laboratorial também descrito no Digest, é um  método destrutivo para a análise completa da humidade e está mais adequado a trabalhos de pesquisa. 

Ele necessita de uma série vertical de amostras, a serem recolhidas no local e analisadas em laboratório, para a determinação dos conteúdos em humidade total e higroscópica e, a partir destes, em humidade livre; este método está completamente descrito no Digest.  

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