Linhas de Orientação sobre a Preparação de Superfícies para a Pintura de Estruturas Históricas

Linhas de Orientação sobre a Preparação de Superfícies para a Pintura de Estruturas Históricas Estas linhas de orientação pretendem auxiliar adequadamente os proprietários e os LACACs na aplicação de Oito Princípios de Orientação na Conservação de Estruturas Históricas.

Consequentemente, elas não pretendem fornecer um aconselhamento específico caso a caso. Este aconselhamento específico caso a caso deve ser obtido pela contratação dos serviços de um profissional em conservação da arquitectura.

  • Quando se aplica um acabamento por pintura no exterior de qualquer edifício, pretende-se aumentar a capacidade dos materiais da sua superfície para resistirem à penetração da humidade (madeira, alvenaria de elevada porosidade) ou contra a corrosão (metal galvanizado, aço, ferro fundido).
  • Historicamente, as superfícies exteriores em madeira e os metais ferrosos eram originalmente protegidos com um acabamento por pintura, a menos que a natureza utilitária ou rudimentar da estrutura não exigisse a despesa com uma pintura (paramentos de um celeiro, pontes estruturadas em madeira, paredes feitas de troncos descascados).
  • A análise das camadas de tinta que, ao longo dos anos, foram aplicadas umas por cima das outras, é o único meio pelo qual pode ser determinada a história sequencial das diferentes cores de tinta usadas num edifício.
    • É preferível renovar-se uma superfície pintada por pintura sobre as camadas existentes e deixarem-se as camadas de tinta mais antigas intactas, para sua futura análise, estudo e verificação.
    • Nos casos em que a destruição (remoção) das camadas de tinta existentes for inevitável, é essencial que se execute uma análise completa dessa tinta antes da sua remoção e que se compile a informação e as amostras recolhidas durante esta análise, num formato que possa ser referenciado pelos futuros proprietários.
  • Um edifício muito antigo vai, geralmente, exibir uma grande variedade de condições nas suas superfícies exteriores pintadas.
    • O primeiro passo, para o planeamento de uma estratégia apropriada da preparação de uma superfície para ser repintada, é uma inspecção cuidadosa que identifique cada problema dessa pintura (empolamento, retracção, descascamento).
    • Pode ser inapropriada a utilização de, apenas, um único método para a preparação da superfície de todo o edifício. Condições de superfície diferentes irão exigir que sejam usados métodos de preparação da superfície diferenciados, em áreas individuais do edifício.

O objectivo da preparação de uma superfície é proporcionar uma superfície limpa e estável sobre a qual a nova camada de tinta consiga aderir.

  • Em geral, a preparação da superfície deve ser executada pela utilização do mais suave método possível (menos destrutivo) e com a compreensão de que é necessário produzir-se uma superfície uniformemente lisa e regular.
  • Devem ser removidas as bolhas e a tinta estalada, até um nível que proporcione uma superfície estável para a nova tinta. No entanto, as áreas com tinta picada, fissurada ou escamada devem ser conservadas, sempre que essa tinta seja estável e não provoque a ruína do novo acabamento por pintura.

Muitas tintas antigas contêm chumbo. É necessária uma análise laboratorial para se determinar essa presença de chumbo. Quando uma camada de tinta à base de chumbo estiver em condições bem conservadas e estáveis, ela não constitui nenhum perigo.

  • Quando uma tinta velha à base de chumbo ficar exposta sobre uma superfície, ela deve ser monitorizada para a detecção de sinais de descamação, pulverização, empolamento, etc.
  • Quando uma pintura decorativa original sobreviver (texturada, marmoreada, grafitada), mas for composta por uma tinta à base de chumbo degradada, devem ser feitos esforços para se estabilizar essa tinta à base de chumbo, por forma a que se limite o risco de contaminação e que se preserve esse acabamento decorativo histórico. A remoção do acabamento decorativo e a sua repintura, pela utilização da técnica originalmente empregada, só devem ser executadas quando for considerado que o acabamento original não pode ser satisfatoriamente estabilizado.
  • A remoção de uma tinta à base de chumbo é uma actividade perigosa e só deve ser executada sob condições controladas e por pessoal treinado.