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Limpeza Química

O emprego de produtos químicos tem como objectivo facilitar a eliminação das sujidades por uma reacção físico-química de superfície.

Estes produtos são geralmente aplicados com a ajuda de escovas suaves sobre superfícies previamente humidificadas.

A pré-lavagem deve ser realizada de baixo para cima para se evitar a penetração das águas sujas nos poros do material seco.

Após um tempo de reacção variando para a maioria dos produtos entre 5 e 30 minutos, o conjunto da fachada tratada é enxaguada com água sob pressão ou com vapor.

Este enxaguamento, executado sob pressões podendo atingir por vezes 8 MPa conforme a natureza e o relevo das superfícies, visa descolar a sujidade e eliminar ao máximo os produtos utilizados.

Os produtos químicos necessitam do recurso a uma mão-de-obra especializada.

As águas de enxaguamento devem ser evacuadas tendo-se em conta a legislação existente.

Efeitos Secundários

O emprego de produtos químicos pode provocar, nos materiais tratados, a aparição de eflorescências resultantes da migração de sais solúveis produzidos por uma reacção do produto com o material ou contidos no próprio produto de limpeza.

Devem-se seleccionar os produtos químicos com bastante discernimento, sabendo-se que a grande dificuldade não é retirar-se a sujidade, mas evitar-se a penetração do produto no material.

É com efeito impossível eliminarem-se totalmente os sais solúveis pelo enxaguamento com água.

Estes só se podem extrair pela absorção repetida auxiliada por uma pasta húmida aplicada sobre a fachada limpa e retirada mecanicamente após secagem completa.

A neutralização por vezes praticada após uma limpeza química é sempre uma operação perigosa e quase sempre inútil. Introduz no material sais solúveis em grande quantidade.

Aspecto Positivo

Graças a uma escolha judiciosa e a uma utilização correcta dos reagentes químicos, pode-se esperar a eliminação da deposição sem ataque sensível ao material, quer unicamente pela acção específica do reagente sobre as sujidades, quer pela desagregação de uma camada superficial ínfima do material, provocando o descolamento da deposição.

Aspectos Negativos

A composição exacta dos reagentes raramente é conhecida, já que estes dados praticamente nunca são fornecidos pelos fabricantes dos produtos.

Em caso de insuficiente enxaguamento, arriscamo-nos a que se formem eflorescências à superfície do material. Os sais podem provir apenas do reagente ou de uma reacção com o material.

Certos produtos são perigosos de manipular, o que nem sempre é evidente.

Os riscos de poluição são grandes sobretudo quando a composição dos produtos é desconhecida e quando os produtos são evacuados directamente para o esgoto, como é frequentemente o caso.

Produtos Utilizados

A composição química exacta dos produtos comerciais raramente é conhecida, estes produtos são com efeito frequentemente objecto de segredo de fabricação.

Os principais produtos químicos utilizados para a limpeza de fachadas são os agentes ácidos e básicos.

Para se eliminarem sujidades específicas, utilizam-se por vezes reagentes especiais.

Os solventes orgânicos pertencem igualmente aos produtos químicos de limpeza.

Os agentes tensioactivos podem-se revelar úteis para eliminar depósitos gordos, mas são a maior parte das vezes usados para se assegurar um melhor contacto da solução com as sujidades presentes sobre a fachada e para favorecerem por esta razão a acção dos produtos.

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Produtos Ácidos

Os ácidos e os sais ácidos agem por ataque ao suporte. Eles desagregam tanto melhor a sujidade quanto mais a reacção é efervescente (libertação de CO2 para os calcários).

Os mais empregues são o ácido fluorídrico, o bifluoreto de amónio, o ácido clorídrico, o ácido sulfúrico e o ácido fosfórico.

Para se limitar o ataque ácido à superfície dos materiais, é necessário molhá-la convenientemente antes da aplicação do produto líquido ou da pasta.

O ácido clorídrico, que reage fortemente sobre as pedras calcárias, não deve ser usado por causa da formação de cloretos muito higroscópicos.

Estes sais provocam a desagregação dos materiais muito porosos e são difíceis de serem eliminados. De forma geral, o emprego do ácido clorídrico deve ser reservado à limpeza de manchas especiais (exsudações de cal, …).

Nos últimos anos, um certo número de edificações em betão arquitectónico foi limpo com sucesso pelo emprego de soluções acidificadas à base de bifluoreto de amónio.

Nas pedras calcárias, o ácido fluorídrico e o bifluoreto de amónio formam fluoretos insolúveis e sais de amónio, que no entanto não parecem ser perigosos.

Podem mesmo ser considerados inofensivos na limpeza das pedras calcárias e dos grés brancos.

Estes produtos atacam os materiais siliciosos, tais como os grés, os tijolos e as rochas eruptivas.

Em materiais muito escuros (entre os quais se incluem os tijolos vermelhos e os betões coloridos), o ácido fluorídrico pode provocar um certo embranquecimento.

Estes produtos ácidos atacam o vidro e as carpintarias e o ácido fluorídrico na sua forma concentrada deve ser considerado como fortemente tóxico e perigosos para o utilizador.

Produtos Alcalinos

Os produtos alcalinos agem por saponificação das gorduras e dos óleos. Os mais usados são a soda (NaOH) e a potassa (KOH) cáusticas.

Estes produtos não atacam as pedras calcárias mas sim as rochas siliciosas, sobretudo em soluções concentradas. Eles deixam, nas pedras muito porosas e nas juntas, carbonatos e sulfatos alcalinos muito destrutivos pela sua acção lenta e contínua.

O emprego dos hidróxidos de sódio e de potássio (lexívias cáusticas) está consequentemente proibido em materiais muito porosos e nas juntas.

Os produtos alcalinos, que nunca devem ser aplicados em dissolução mas sim em pasta preparada, são misturados com pós absorventes (amido, talco, farinha, argila, cré, celulose) ou a uma matéria tixotrópica (carboximetilcelulose).

Estas pastas, aplicadas sobre o material préhumidificado, diminuem a penetração dos produtos e, durante a secagem, absorvem uma parte dos sais formados.

Antes do enxaguamento com água, é necessário eliminarem-se as pastas, se possível de maneira mecânica.

A aplicação e a eliminação mecânica das pastas básicas, tal como o enxaguamento, devem sempre ser efectuadas de baixo para cima.

Reagentes Específicos

Os reagentes específicos são sais com uma determinada acção. Eles são usados por vezes como aditivos nos detergentes aniónicos, sobretudo o polimetafosfato de sódio e o EDTA (etileno-diaminotetraacético) que complexam o cálcio em dissolução (amaciador) ou decompõem o calcário (destartarante).

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Para as pastas à base de EDTA, o tempo de reacção varia entre uma meia hora a té 24 horas.

Solventes Orgânicos

Os solventes orgânicos apenas são aplicados para se eliminarem manchas específicas e os grafitti.

Tensioactivos

Os tensioactivos podem exercer acções amolecedoras, espumantes, detergentes, dispersantes ou emulsionantes em função da sua natureza.

O seu papel na limpeza é o de diminuírem a tensão superficial das soluções aquosas, permitindo assim um melhor contacto com a sujidade, e de tornar solúveis por emulsionamento certas substâncias tais como os óleos e as gorduras.

Constituem-se cadeias carbonatadas nas quais ficam agarradas uma ou mais grupos hidrófilos, cuja natureza origina quatro categorias de produtos:

  • Os tensioactivos catiónicos (de carga positiva) são geralmente derivados das aminas. Têm uma acção desinfectante. Todavia, como são facilmente absorvidos
    pelos materiais, não podem servir para a sua limpeza.
  • Os tensioactivos aniónicos (de carga negativa) são os mais correntes. Os sulfonatos de sódio, entre os mais utilizados, reagem com as pedras calcárias e, por isso, têm a tendência de solidificarem a sujidade. O emprego dos detergentes aniónicos (sais sódicos) é desde logo de se evitar sobre materiais muito porosos e sobre as juntas.
  • Os tensioactivos anfotéricos, possuem por sua vez grupos positivos e negativos.
  • Os tensioactivos não iónicos são principalmente derivados do óxido de etileno. Não apresentam os inconvenientes dos três primeiros. Os detergentes não iónicos são os menos perigosos, mas, sendo higroscópicos, podem ser difíceis de eliminar.

Enzimas e Bactérias

Utilizadas desde há numerosos anos na indústria alimentar e como aditivos dos detergentes, os enzimas parecem ver o seu domínio de actividade alargar-se à limpeza das fachadas. Utilizam-se, para este efeito, “cocktails” à base de celulose, cujas composições exactas (detergentes, agentes tixotrópicos, …) são por enquanto mantidas confidenciais.

No entanto os enzimas não agem isolados, mas podem acelerar ou aumentar a eficácia de certos processos de degradação das deposições (em combinação, por exemplo, com os detergentes).

Entretanto, actualmente existem numerosas limitações à utilização dos enzimas na limpeza das fachadas, que respeitam entre outras à necessidade de se trabalhar dentro de gamas de temperatura muito elevadas e em intervalos de pH muito limitados.

Para sermos exaustivos, assinalemos a utilização de certas bactérias (desulfovibrio desulfulricans) para a conversão do gesso em calcário com desprendimento parcial das deposições e limpeza parcial das pedras.

Da mesma forma, a “biomineralização” utiliza a capacidade de certas bactérias para precipitar o carbonato de cálcio, com o fim de se obter um endurecimento das pedras brandas ou alteradas.

Estes métodos de regeneração das pedras calcárias alteradas são contudo de utilização excepcional, tendo em conta as necessárias condições de trabalho difíceis de manter em estaleiro.

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