Apontamentos Lidando com defeitos na Alvenaria de Tijolo (Perguntas e Respostas Frequentes)

Lidando com defeitos na Alvenaria de Tijolo (Perguntas e Respostas Frequentes)

A SPAB é frequentemente consultada acerca de alvenarias históricas pela sua linha telefónica de aconselhamento.

O tijolo pode ser um dos mais duráveis materiais de construção, como fica provado pela sobrevivência de notáveis exemplos Romanos. Não é invulgar, no entanto, que reparações pobres, faltas de manutenção ou alterações inadequadas conduzam ao aparecimento de problemas.

P. O que devo fazer com a degradação da alvenaria de tijolo no meu edifício antigo?

R. É essencial identificar-se a causa da degradação e reduzirem-se os trabalhos curativos ao mínimo possível. Isto irá ajudar a evitar a recorrência do problema e, ao se restringir a perda da alvenaria histórica, a preservar a autenticidade do edifício. Por vezes o melhor será não fazer nada, ou seja: deixar a alvenaria em paz. Onde isto não seja uma opção, podem ser executadas algumas formas de reparação conservativa. Apenas em circunstâncias excepcionais haverá a necessidade de se demolir e reconstruir a alvenaria de tijolo.

Onde seja decidido trabalhar sobre uma alvenaria de tijolo, a SPAB pode sugerir os nomes de empreiteiros e de profissionais adequados ou aconselhar através de cursos apropriados.

P. Qual terá sido a causa da degradação?

R. Uma degradação acelerada está vulgarmente associada a reparações pobres, a manutenção negligenciada ou a alterações inadequadas. Deficiências de projecto, de materiais ou de mão-de-obra também podem ter desempenhado um papel.

Tais factores resultam em:

  • Degradação séria nas juntas em argamassa e possivelmente nos tijolos consequentes, por exemplo, de saturação continuada provocada, por exemplo, por algerozes rotos ou então da cristalização de sais;
  • Desagregação (descamação) das faces dos tijolos provocada pela acção do congelamento, particularmente nas platibandas ou nas chaminés, ou pelo uso de argamassa de cimento em vez de uma argamassa baseada em cal;
    • Fracturas ou convexidades (N. T. “barrigas”) na alvenaria provocadas, por exemplo, pela acção das raízes das árvores, pelo apodrecimento de lintéis em madeira, sobre portas e janelas, ou pela remoção de paredes resistentes interiores.
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P. Que reparações podem ser necessárias?

R. Acções selectivas nas juntas e/ou nos tijolos. Em certos casos, apenas serão necessárias refechamentos pontuais nas juntas erodidas após, digamos, a reparação de um tubo de queda de água roto. Em edifícios datados anteriormente a 1850, devem ser usadas argamassas brandas de cal e não argamassas rijas de cimento, para se minimizar a evaporação através das faces dos tijolos e a consequente degradação dessas mesmas faces.

Frequentemente podem ser cuidadosamente removidos os próprios tijolos e virados ao avesso, para ocultarem a sua degradação. A técnica “descose – cose” pode ser uma reparação adequada para fracturas em alvenarias históricas, particularmente onde as juntas horizontais já não estiverem alinhadas. Desde que as juntas entre tijolos sejam conservadas em condições e que se tenha cuidado, a reparação irá envelhecer gradualmente sob a acção do clima.

P. Se necessário, como deverei conduzir a substituição de tijolos?

R. Apenas devem ser retirados e substituídos os tijolos que estiverem severamente degradados. São muito difíceis réplicas exactas, mas existe um bom número de fornecedores com qualidade, que produzem tijolos fabricados manualmente, a preços razoáveis. Os tijolos de substituição devem condizer com os existentes, o mais proximamente possível, no que respeita a cor, textura e durabilidade. Devem ser assentes da mesma forma, ou seja: com o mesmo “aparelho”. É preferível deixar que os tijolos de substituição envelheçam gradualmente com o clima do que tentar fingir artificialmente esse envelhecimento.

A SPAB é muito cuidadosa acerca do uso de tijolos em segunda mão. Para além de considerações de ordem filosófica, existem razões técnicas para isso: os tijolos reaproveitados podem ser mal cozidos e inadequados para trabalhos no exterior, e estão por vezes danificados, manchados ou pintados. Por vezes, o tijolo pode ser reaproveitado a partir de outra parte do mesmo edifício – mas então, apenas sob considerável discrição.

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P. Devo pintar ou tratar os tijolos para os proteger?

R. Não, geralmente isso é desaconselhado. As tintas e as soluções hidro-repelentes podem provocar degradações adicionais, pela retenção da humidade dentro da alvenaria. Além disso, a humidade pode ser forçada a percorrer grandes distâncias para sair, aumentando assim a mobilização de sais solúveis prejudiciais.

Não obstante isto, onde anteriormente tiver sido retirado um reboco de uma alvenaria, pode ocasionalmente, ser prudente substitui-lo, para proporcionar protecção contra o clima. A aplicação de um novo reboco ou de um rufo em chumbo numa alvenaria anteriormente desprotegida pode também ser inteligente em certas circunstâncias, por exemplo, para proteger a face interna de uma platibanda que sofra de saturação.

Internamente, pode ser justificada a aplicação de estuques ou de caiações sobre alvenarias de tijolo expostas, por exemplo onde uma limpeza com jacto de areia tenha provocado o seu “esfarelamento”. Pode ser necessária autorização para a execução destes trabalhos em edifícios classificados.

P. Devo limpar a alvenaria de tijolo histórica?

R. A limpeza justifica-se sob certas circunstâncias, mas em muitos casos irá provocar mais estragos do que fazer bem. Arrisca-se danificar a alvenaria, pode-se alterar o significado histórico da edificação, pode-se obter apenas benefícios a curto prazo. A limpeza pode ser apropriada, no entanto, quando existir uma necessidade – por exemplo, de remover inadequados acabamentos por pintura, graffiti ou deposições de poeiras muito pesadas.

O método(s) de limpeza deve ser cuidadosamente escolhido pela consulta de um especialista. As técnicas abrasivas irão remover provavelmente a superfície protectora bem cozida do tijolo, deixando o seu interior mais fraco vulnerável à degradação. Os métodos baseados em água podem causar eflorescências invisíveis (depósitos brancos) ou penetrações de humidade.

A limpeza química produz por vezes resultados satisfatórios, mas um enxaguamento insuficiente poderá provocar manchas. Deve ser sempre feito um ensaio in-situ, antes dos trabalhos.

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