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O Nacionalismo Moçambicano

O nacionalismo moçambicano, como praticamente todo o nacionalismo africano, foi fruto directo do colonialismo europeu. A base mais característica da unidade nacional
moçambicana é a experiência comum (em sofrer) do povo durante os últimos cem anos de controle colonial português.

Uma das bases fundamentais da crescente exploração que Portugal quis implementar em Moçambique após 1930, era a repreensão político fascista, que impediu o desenvolvimento de organizações anti-coloniais. A luta dos moçambicanos contra a dominação e exploração colonial capitalista nunca esteve apagada. No entanto, ela foi adquirindo formas e dimensões diversas de acordo com as circunstâncias da exploração e preensão colonial.

Antes do fim na Segunda Guerra Mundial, exerceu-se uma luta através de jornais e outras publicações como é o caso das pinturas, denunciando os abusos, arbitrariedades, actos injustos e imorais praticados por agentes da autoridade colonial. Caso típico destes jornais foi o Brado e Grémio Africano, liderados pelos irmãos João e José Albasini. Nestes jornais procuravam denunciar aos abusos cometidos pelo colonialismo.

Por outro lado, criaram-se em Moçambique associações legais de carácter cultural e recreativo que procuravam divulgar os valores africanos em geral e moçambicanos em particular e fazer valer a personalidade moçambicana.

Pouco depois da 2ª Guerra Mundial formou-se em Moçambique o Movimento dos Jovens Democratas Moçambicanos (MJDM), cujo objectivo era fazer uma intensa propaganda contra a política clandestina. A liderança deste movimento esteve a cargo de Sobral de Campos (antigo consultor jurídico da Confederação Geral de Trabalho e outros organismos operários portugueses radicados em Moçambique), Sofia Pomba Guerra e Raposo Beirão (Advogado). João Mendes, Ricardo Rangel (fotografo) e Noémia de Sousa (poetisa), faziam também parte do movimento. O MJDM pretendia combater as grandes injustiças sociais de que estavam a ser vítimas os trabalhadores por parte dos patrões e promover a unidade de todos os africanos.

Todavia, vigiado pela polícia e limitado pelas divisões raciais impostas ao movimento associativo, o MJDM não podia ter um impacto fora do seu fundador. Em 1948-1949, o regime reprimiu o movimento. O Centro Associativo de Lourenço dos Negros de Marques, as Associações Africanas de Lourenço Marques e de Quelimane e o Núcleo Negrófilo de Manica e Sofala, constituíram parte do aparelho legal através do qual o regime colonial pretendeu enquadrar as aspirações culturais e políticas da pequena burguesia.

Igualmente, foi criada a Associação dos naturais Moçambicanos. Em 1949, formou-se em Lourenço Marques, com cerca de 20 membros, o Núcleo dos Estudantes Secundários de Moçambique (NESAM) que funcionava dentro do Centro Associativo dos Negros. Esta organização, pretendeu representar os poucos estudantes que conseguiram matricular-se nas Escolas secundárias da colónia ou que obtiveram a sua formação na África do Sul. O objectivo do Núcleo era fomentar a Unidade e Capacidade intelectual, espiritual e física para melhor servir a sua comunidade e acabar com o colonialismo. A este núcleo pertenceram Joaquim Alberto Chissano, Mariano Matsinhe, Pascoal Adelina Mocumbi, Luís Bernardo Honwana, Armando Emílio Guebuza e Filipe Samuel Magaia.

Apesar do espaço limitado de acção e dos seus membros, estas organizações foram gradualmente inculcando os ideais nacionalistas na juventude instruída, contribuindo para valorizar a cultura nacional e oferecendo a ocasião única de estudar Moçambique e de falar por si próprio. Além disso, e mais evidente, no caso da NESAM, foram cimentados contactos e laços pessoais que facilitaram o estabelecimento de uma rede de comunicação à escala nacional, que se mostrou de grande utilidade para a formação do futuro movimento clandestino de apoio à luta independentista.

Ainda neste período através da música, da canção, da literatura, das artes plásticas e da imprensa se vão também veiculados valores da cultura moçambicana, denunciando as frustrações e as humilhações sofridas pelos moçambicanos. A difusão de artigos e de poemas nos jornais, possibilitaram a transmissão de mensagens invocando a reafricanização, destacadamente na música de Fany Mpfumo, na poesia de Noémia de Sousa e de José Craverinha, nos escritos de João Dias, Marcelino dos Santos e de Luís Bernardo Honwana, nas obras plásticas de Bertina Lopes, Malangatana Ngwenya e Alberto Chissano.

Todavia, em 1960, os moçambicanos de Moeda foram ao administrador colonial pedir o aumento salarial, o que culminou com a prisão de muitos moçambicanos que haviam se pronunciado sobre o acto. Em resposta, o administrador colonial ordenou a prisão dos actores da reivindicação do aumento salarial, o que criou uma ira a população presente. Esta ira levou ao administrador de Moeda a abrir fogo contra os moçambicanos aí presentes, tendo massacrado mais de 600 pessoas, ao que veio a se designar de massacre de Moeda, acto ocorrido a 16 de Junho de 1960. Esta violência de Moeda marcou uma etapa decisiva na tomada de consciência de um verdadeiro sentimento nacional, passando o povo moçambicano a pensar seriamente na independência de Moçambique.

Este sentimento levou a muitos moçambicanos a residir fora do País, nos países vizinhos e organizam-se criando em 1959 a MANU (União Nacional Africana de Moçambique), fundada no Quenia, liderada por Mateus Mole; a UDENAMO (União Democrática Nacional de Moçambique) em 1960, formada na Antiga Rodésia do Sul, actual Zimbabwe e liderada por Adelino Gwambe e que mais tarde teve que mudar a sua sede para Tanzania devido a perseguições da PIDE e a UNAMI (União Nacional Africana para Moçambique Independente), em 1961, que tinha a sua sede no Malawi, liderada por Baltazar Chagonga. Estes três movimentos lutavam sob um carácter Tribal, razão pela qual não conseguiam vencer o colonialismo.

Porém, no período de 1945-1961, a luta anti-colonial foi desenvolvida em várias formas, entre as quais de destacam a resistência contra aspectos da exploração económica colonial, que culminou com a formação de movimentos dentro e fora do país e o seu acompanhamento cultural e intelectual. A repreensão colonial fascista impediu e perseguiu os líderes destes movimentos.

Com o lançamento dos ideais de Unidade para os povos africanos por líderes como Francis Kwame Nkrumah, Patrice Lumumba, Julyus Nherere e outros líderes africanos, levam Eduardo Mondlane a unir os três movimentos e funda-se a Frete de Libertação de Moçambique (FRELIMO), em 25 de Junho de 1962, em Dar-Es-Salaam, na república da Tanzania.

Porém, a FRELIMO sob liderança de Mondlane, realiza o seu primeiro congresso de 23 à 28 de Setembro de 1962 o seu primeiro congresso, onde definiu a unidade Nacional como arma fundamental da Luta de Libertação Nacional e que a divisão foi sublinhada como a maior causa do fracasso da resistência histórica da luta do povo moçambicano contra a dominação colonial portuguesa. Também decidiu-se neste congresso que deveria se formar quadros/militares para a frente da luta armada.

Em seguida iniciou-se o processo de recrutamento e treinamento dos jovens que haveriam de participar na luta contra o colonialismo português, onde muitos deles foram sendo formados em Nachingueya e Kongua na Tanzania, na Argélia, Marrocos, China e na União Soviética, actual Rússia. Sob direcção da FRELIMO e após o insucesso das tentativas de negociações com o governo de Lisboa, iniciava-se a luta armada a 25 de Setembro de 1964, em Chai, na província de Cabo-Delgado, cujo objectivo principal era libertar o Homem e a Terra.

O processo desencadeou-se em três frentes designadamente a de Tete, que teve de ser fechada por dificuldade de trânsito de guerrilheiros e de armas através do Malawi e que veio a ser reaberto em Março de 1968; a segunda em Cabo-Delgado e Niassa. .Estas frentes deram origem as chamadas zonas libertadas, passando a Frelimo a controlar um quinto do território moçambicano.

Com a morte de Eduardo Chivambo Mondlane, a 03 de Fevereiro de 1969, Samora Moisés Machel assume a direcção da FRELIMO e conduz o processo de Luta Armada já em curso. Em 1970, o governo português leva acabo a operação Nó Górdio, sob comando de Laulza de Arriaga, procurando eliminar este movimento nacionalista. Como resposta, Samora Moisés Machel abre a frente de Sofala e Manica, tornando-se o verdadeiro símbolo do fracasso da política colonial portuguesa em Moçambique.

Esta derrota do governo português na operação Nó Górdio provoca um elevado nível de descontentamento do povo português que cansado de perder seus filhos, condiciona para a queda do regime português em 25 de Abril de 1974, acelerando o fim do colonialismo português em Moçambique.

Contudo, após o sucesso do golpe militar de 25 de Abril de 1974 em Portugal, as novas autoridades portuguesas decidiram encetar negociações com todos os movimentos de libertação das colónias portuguesas. Os líderes da FRELIMO para acelerar o processo das negociações para a independência, abriram outras frentes na Zambézia.

Logo quase do fim da luta armada ou mesmo durante as negociações para o cessar-fogo entre o governo colonial português e o da FRELIMO, foram fundadas em Moçambique organizações fantoches que pretendiam ser confundidas como se fossem a FRELIMO e que fossem acreditadas pelo povo, compostas por reaccionários e oportunistas, como foi o caso da FICO, GUMO, MOCOMO, FRECOMO, MIM e outras, tendo valido a atenção do povo em afastar-se destas organizações.

Todavia, derrotados os portugueses, em 07 de Setembro de 1974 o governo português chefiado por Melo Antunes e delegações da FRELIMO chefiadas por Samora Moisés Machel, assinaram o acordo de Lusaka, capital da Zâmbia, após 10 anos de guerra, um acordo que tinha como objectivo principal, o cessar-fogo, dando fim a guerra de libertação em Moçambique.

No mesmo instante em que se desenrolavam as conversações de Lusaka, um grupo auto-denominado “Moçambique Livre”, em oposição ao acordo, ocupou em Lourenço Marques, ao fim da tarde do dia 07 de Setembro, a estação da Rádio Clube de Moçambique, situação que durou alguns dias. Tratava-se de um movimento desorganizado e de maioria branca, mas que se envolveram moçambicanos negros que tinham militado na FRELIMO, como Urias Simango, Mateus Gwenjere e Joana Simeão, movimento dirigido por Gomes dos santos ex oficial do exército português e Velez Grilo, advogado em Lourenço Marques. Este movimento veio a ser desmantelado definitivamente a 10 de Setembro de 1974.

Todavia, a 25 de Setembro de 1974, tomou posse o governo de transição chefiado por Joaquim Alberto Chissano, como primeiro-ministro, composto ainda por: mariano Matsinhe; Gideon Ndombe, José Óscar Monteiro, Salomão Munguambe, Mário Machungo, Rui Baltazar santos Alves pertencentes à FRELIMO e Eugénio Picolo, Rui Paulino e Alcântara Santos, nomeados pelo governo português, onde definiu-se a data da independência.

A 25 de Junho de 1975, Moçambique ficava independente, com Samora Moisés Machel como presidente da República Popular de Moçambique.

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