Evolução do paradigma Auditoria Interna

Evolução do paradigma Auditoria Interna

A história da Auditoria não é tão precisa, de acordo com Pinheiro (2010), historicamente a Auditoria Interna nasceu no tempo dos Romanos, em que os Imperadores nomeavam altos funcionários com a missão de supervisionar as operações financeiras dos administradores das províncias. Outras teorias apontam que a Auditoria surgiu no Egipto e na Babilónia, em que a Auditoria consubstanciava no cumprimento e exactidão dos registos. Com a Revolução Industrial, no início do séc. XIX, e o consequente desenvolvimento das sociedades anónimas, surgiu a figura do Auditor. Nessa altura a actividade de Auditoria limitava-se a um trabalho de mera vigilância e o seu principal objectivo era detectar erros, irregularidades e fraudes, através de uma análise detalhada das transacções (Morais e Martins, 2013). Auditoria Interna nas Instituições Financeiras com enfoque na Gestão de Risco.

Segundo Morais e Martins (2013), foi no Estado Unidos da América, EUA, na década de 40, que surgiram os primeiros Auditores Internos de forma organizada. No ano 1941, nos EUA, foi criado o The Institute of Internal Auditors (IIA), que tem contribuído para o reconhecimento e a progressão da Auditoria Interna. O IIA é um organismo de referência mundial na área da Auditoria Interna, que para além do desenvolvimento e adaptação de Normas e Praticas Recomendadas, tem fomentado a formação contínua e os programas de certificação profissional. A Auditoria Interna, apesar de ser recente, a sua aceitação e o seu conceito tem evoluído rapidamente, devido a alterações económicas e sociais.

O primeiro paradigma da auditoria interna tinha como enfoque a observação e a contabilização, mais tarde, com a criação do IIA, teve uma alteração de paradigma, mudando o enfoque para o controlo interno (Castanheira). Com o paradigma que enfoca no controle interno, a Auditoria Interna se preocupa essencialmente, com o bom funcionamento do sistema de controlo interno, conforme nos mostra a anterior definição da Auditoria Interna: “A auditoria interna é uma função de avaliação independente, estabelecida numa organização para examinar e avaliar as suas actividades, como um serviço a própria organização. O objectivo da auditoria interna é auxiliar os membros da organização no cumprimento eficaz das suas responsabilidades. Com este fim, a auditoria interna fornece-lhes analises, avaliações, recomendações, conselhos e informações respeitantes às actividades objecto de revisão. O objectivo da auditoria inclui promoção de um controlo eficaz a custo razoável (IIA, 1978).” Em 1999, o IIA reformulou a definição de Auditoria interna dando maior relevância á relação existente entre o Auditor Interno e a empresa, surgindo assim uma nova definição:

“Auditoria Interna é uma actividade independente, de avaliação objectiva e de consultoria, destinada a acrescentar valor e a melhorar as operações de uma organização. Assiste a organização na consecução dos seus objectivos, através de uma abordagem sistemática e disciplinada, na avaliação da eficácia dos processos de gestão de riscos, controlo e governação.”

A revisão da definição e das práticas profissionais de Auditoria Interna, contribuíram decisivamente para o actual enfoque na gestão de risco, com o objectivo de ampliar a perspectiva da auditoria interna para abarcar todas as técnicas de gestão de risco incluindo outras técnicas de gestão além das actividades de controlo, ou seja, em vez de identificar e testar os controlos, o auditor auxilia a gestão a identificar e a mitigar os riscos (Castanheira, 2007).

A anterior definição de auditoria interna é incompleta e obsoleta, pois apesar de qualquer das definições reconhecerem a essência do alcance e objectivo da auditoria interna numa organização, a definição actual incorpora conceitos mais actuais e de futuros, nomeadamente porque a auditoria interna passa de um órgão de controlo a um órgão consultor (Miñon & Domingues, (2003), citado por Castanheira (2007)). De acordo com o autor a consultoria contribui para que os objectivos das organizações sejam alcançados. De seguida apresenta-se no quadro uma síntese da evolução do paradigma auditoria interna.