Desmistificar a Massa

Embora diversos tipos de composições moldáveis datem da Renascença Italiana, a utilização da composição ornamental não começou a florescer senão no último quartel do século XVIII. Durante esse período, muitos fabricantes de composição ornamental na Europa e na América forneciam o público com uma decoração escultórica complexa. Além disso, as complicadas e, por vezes, intencionalmente misteriosas receitas primitivas estão actualmente caracterizadas por incluírem alguns componentes básicos : cola animal, óleo (geralmente de linhaça), uma resina dura (a de pinheiro era a mais barata), e um material de volume ou enchimento, geralmente “chalk” ou “whiting” (cré) pulverizado.

“Compo”: Os componentes básicos

Cré: O “chalk” é o “whiting” em estado sólido. É um tipo de pedra calcária branca e branda.

Cola: Antes da invenção das colas sintéticas, cola significava cola animal ou grude. A grude era feita pela fervura de peles de animais em água para a extracção de uma proteína – o colagéneo – que depois era condensado e seco até chegar ao estado sólido.

Existia uma grande variedade de tipos, e ainda existem, à venda. Dois deles são aqui mostrados.

Óleo de linhaça: É um óleo secante amarelado obtido a partir da semente do linho e que se usa nas tintas, nos vernizes, na tinta tipográfica e no linóleo; ele é o elemento chave na composição ornamental.

Resina: As resinas são materiais orgânicos presentes na madeira e exsudados por diversas árvores e arbustos. Sob a forma não refinada, eles consistem frequentemente numa mistura de polímeros naturais sólidos, óleos e substâncias aromáticas voláteis.

As formulações para a “compo” têm estado sujeitas a um bom número de variações e nunca houve uma receita estabilizada, mas os fabricantes de ornamentos de finais do século XVIII e princípios do século XIX compreenderam, em termos gerais, o que era o seu material e o que ele conseguia fazer. As vantagens deste material foram descritas por um proeminente fabricante americano, Robert Welford, no seu folheto publicitário de 1801: “Desde há muito tempo que era desejável um substituto barato para a madeira esculpida, nalgumas situações, particularmente nas molduras enriquecidas, etc., e foram feitas várias tentativas para se responder a este objectivo, a última e mais bem sucedida das quais se chama vulgarmente de “Composition Ornaments”. Ele é um cimento de materiais sólidos e tenazes, que quando adequadamente incorporados e comprimidos em moldes, recebem um relevo fino; na sua secagem, torna-se duro como pedra, resistente e durável, para que possa responder mais eficientemente aos objectivos gerais da Escultura em Madeira, e não seja tão fácil de lascar. Esta descoberta foi conduzida grosseiramente durante algum tempo, permitindo aos Escultores declinarem qualquer ligação com ela, até que, pelo seu baixo preço, ela mostrou tantas vantagens no seu emprego que diversos deles embarcaram neste trabalho e pelos seus superiores talentos a melhoraram muitíssimo.”

Resumidamente, a “compo” talvez seja melhor definida como sendo um termoplástico primitivo que permitiu a rápida reprodução de pormenores complicados para uso popular.