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Corte

Os construtores de muros escoceses tendem a usar pregos muito frequentemente, mas eles esclarecem que é muito melhor irem-se colocando esses pregos durante a construção do que remendá-los mais tarde na face do muro.

Se necessitarmos de pregar, numa qualquer ocasião, devemo-nos recordar  do dito ‘Cada pedra em seu buraco’. Diversos pregos pequenos num único buraco dificilmente conseguem ficar apertados.

Travações

As ‘travações’ ou ‘pedras de travação’ atravessam o muro, ligando uma face à outra. Elas ajudam a evitar que o muro fique convexo para fora, quando for assentando, porque:

a. Ligam as duas faces entre si, para formarem uma única peça.

b. Mantêm o equilíbrio das faces do muro pela distribuição igual do peso das camadas superiores sobre as camadas inferiores.

Nem todos os muros têm necessidade de travações, mas quando eles tiverem faltas, as pedras devem ser grosseiras e irregulares para ficarem bem ligadas e deve-se aumentar a espessura da base desse muro e construir-se com maior inclinação do que aquela que, de outra forma, seria necessária.

A quantidade e o espaçamento das travações garantem um muro muito forte. Quando as travações são escassas e o muro suficientemente alto para levar mais do que uma fiada, devemos aumentar a distância entre travações, em cada fiada, em vez de as usar todas na mesma fiada.

Se estivermos a construir diversos muros, devemos prever a maior proporção de travações para os muros mais altos ou para aqueles que sejam mais susceptíveis de serem danificados. Vale sempre a pena usarem-se travações, mesmo que tenhamos que as situar com afastamentos de 2 a 3 metros, ou mesmo maiores.

Temos que ter sempre presente:

a. Ser especialmente cautelosos quando levantamos e assentamos as travações. As nossas costas e os nossos dedos estão em risco.

b. As melhores travações são placas de arenito com cerca de 50 a 75 mm (2” a 3”) de espessura. As travações de ardósia também são boas, mas um pouco mais susceptíveis de fracturar. Podem ser usadas outras pedras mais irregulares, desde que não escorreguem com demasiada facilidade.

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c. As travações devem ser suficientemente compridas para aparecerem em ambos os lados da parede, mas não importa se ficarem salientes em alguns centímetros num dos lados.

Nalgumas regiões, tais como em redor de Derbyshire High Peak, e nas regiões de ardósia em Gales e na Ilha de Man, as travações que se projectam tanto quanto 175 mm (7”) são usados para se dissuadirem as ovelhas de saltarem.

A maioria dos construtores de muros pensam que esta é uma má ideia porque encoraja o gado a coçar-se e as pessoas a treparem o muro, o que coloca peso nas extremidades salientes e pode provocar o levantamento e deslocamento do topo do muro.

Não nos devemos preocupar em cortar excessivamente as travações compridas, se não conseguirmos arranjar outras melhores.

As travações são muito trabalhosas de cortar e podemos perturbar as entranhas do muro se recortarmos os seus topos depois de elas já estarem posicionadas.

Devem-se reservar as travações mais compridas para serem usadas nas cabeças ou nos prumos dos muros, ou ainda como ombreiras ou lintéis.

a. Devemos colocar as travações de maneira a que elas se projectem igualmente de ambos os lados do muro, a menos que tenhamos uma boa razão para procedermos de forma diferente.

b. Devem-se seleccionar as travações mais duras para a fiada de baixo, já que, para atravessarem o muro, elas têm que ser mais compridas do que as usadas nas fiadas mais acima.

Assim, devemos usar primeiro as travações mais compridas. Como estas também são as mais pesadas, é preferível vermo-nos livres delas, o mais depressa possível, para que não tenhamos que as levantar muito alto.

c. Antes de colocarmos as travações, trazemos a fiada por baixo delas até ficar nivelada com o cordel de marcação. O preenchimento desta fiada deve ficar bem feito para se garantir um leito seguro.

Coloca-se cada travação com a sua parte mais plana para baixo. Tenta-se evitar pôr-lhe cunhas – balança-se para se ajustar melhor ou ajustam-se primeiro os preenchimentos, caso ela não assente com segurança.

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O peso da travação deve repousar tanto sobre as pedras das faces, em ambos os lados, como sobre os preenchimentos entre elas.

d. Depois de se colocarem as travações, com um espaçamento correcto e ao longo da totalidade do troço de muro, constrói-se o muro entre elas usando pedras de face e preenchimentos.

Escolhem-se pedras que se ajustem bem em redor das travações, em vez de se rodarem estas para acertarem com as pedras de face.

Continuam-se a acrescentar fiadas sucessivas, pela forma
habitual, usando-se o topo das travações como leito para as pedras mais acima:

a. Quando atingirmos a fiada seguinte de travações, nivelamos a fiada, tal como anteriormente, e colocamos as travações de maneira a que fiquem desencontradas com as de baixo.

Isto faz um muro mais forte do que se as travações ficassem directamente por cima das anteriores.

b. Nalgumas partes da Escócia, é colocada uma pesada fiada de cobertura, com pedras de travação, no topo do muro, mesmo abaixo do capeamento.

Os construtores da região dos Pennine não fazem isto, mas quando têm a jeito pedras adequadas, eles nivelam a fiada mais alta com placas pequenas e delgadas, colocadas lado a lado, para proporcionarem um bom leito de assentamento para as pedras de topo.

Conforme a pedra, estas podem ser ou não travações, mas com a excepção de onde o hábito local sugira outro procedimento, elas podem não ficar mais salientes do que um pouquinho para fora da face do muro.

Capeamento

O capeamento consiste numa fiada de pedras de acabamento que atravessam o topo do muro.

Ele é muito importante por duas razões:

a. Comprime para baixo as fiadas inferiores e liga as duas faces  entre si, para que o muro assente como uma unidade maciça.

b. Protege as pedras de face e os preenchimentos contra a intempérie, os animais e as pessoas.

Sem capeamentos os muros tendem a desfazerem-se, fiada a fiada, especialmente se forem feitos com pedras pequenas ou frágeis.

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