Apontamentos Composições de terra para reparações

Composições de terra para reparações

Como o subsolo varia muito, não existem receitas definitivas para as composições dos rebocos.

No entanto, todas as misturas de terra contêm dois componentes essências combinados com água – um agregado, tal como a areia ou o “chalk”, e uma argila, a qual reveste as partículas do agregado e actua como ligante.

Podem ser incluídos outros componentes, tais como retardadores de presa e como a cal hidratada, e também reforços de fibra, tais como a palha ou a crina animal.

A parte de argila do reboco retrai conforme vai secando e desenvolvem-se fissuras. Ao contrário da fissuras dos rebocos de cimento, estas são, essencialmente, um problema estético, porque todo este reboco é poroso e, assim, a água pode evaporar tão rapidamente como é absorvida.

A composição do reboco é seleccionada, portanto, com o objectivo de se diminuir a dimensão das fissuras e de se aumentar o seu número; idealmente devem existir fissuras invisíveis em quantidades incontáveis.

A redução da quantidade de água na composição reduz a fissuração, mas também faz com que ela seja mais difícil de aplicar. Com a adição de alguma areia angulosa, palha, “chalk” ou cal hidratada, a proporção da argila no reboco fica reduzida e as fissuras diminuem de dimensão.

A palha cortada produzida para a criação de galinhas, é a ideal porque se consegue amassar uma maior quantidade de palha, se for deste tipo. O “chalk” (calcário agrícola) deve ser triturado abaixo dos 6 mm (ou seja, crivado para incluir apenas partículas de 6 mm ou menores).

A adição de cal hidratada também reduz a dimensão das fissuras, por causar a diminuição da velocidade a que o reboco seca.

Podem ser usados agentes desfloculantes (que afectam a polaridade das moléculas) para se reduzir a quantidade de água necessária para se fazer o reboco ficar trabalhável. Entre eles, podem ser usados a urina, o “isinglass”, os excrementos de vaca frescos (de uma sala de ordenha) e o “water glass”.

Todos os esquemas de reboco devem começar com uma amostra de ensaio, a qual deve ser executada preferencialmente numa fachada abrigada, para o caso de poder ser conservada, mesmo que a argamassa ainda tenha que ser melhorada.

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As fissurações muito severas podem, frequentemente, ser refechadas esfregando-se a face da parede com uma escova firme, antes de se começar a rebocar.

Uma parede seca irá chupar a humidade de qualquer argamassa de reboco, numa questão de minutos. Por essa razão, muitos operários molham a parede com uma mangueira antes da aplicação do reboco, para reduzirem essa sucção; enquanto que outros preferem usar uma argamassa muito molhada que lhes permita voltarem a trabalhá-la mais tarde.

As argilas para rebocos têm melhor desempenho se forem apertadas contra a parede. Pode-se exercer mais pressão se a aplicação do reboco for iniciada pela base da parede. Se não existir nenhuma dúvida sobre se a condição da superfície da parede é adequada, podem-se aplicar rebocos de cal, em especial, sobre uma rede de aço inoxidável ou de outro metal não ferroso que se fixa com pregos da qualidade usada para a fixação de chapas de cobertura sobre vigamentos de madeira.

Os danos menores em paredes de terra podem ser remendados. No entanto, a dimensão das cavidades que podem ser remendadas está limitada pela retracção que ocorre quando se aplicam grandes volumes de um material novo numa forma molhada.

Por esta razão, as cavidades de grandes dimensões têm que ser preenchidas por camadas; cada uma deixada secar antes de ser arranhada para se proporcionar uma ligação mecânica antes de ser aplicada a seguinte.

A cavidade deve ser preenchida em excesso e, finalmente, a superfície é recortada, ou “alinhada” com o plano da parede.

Estas técnicas estão largamente descritas em diversas publicações e é melhor que se contacte a “Earth Building Association” local antes de se tentar a sua execução pela primeira vez.

As reparações de maiores dimensões são iniciadas pelo recorte da zona danificada e executa-se a reconstrução usando-se blocos de “cob” ou “clay lumps” assentes com argamassa.

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Os blocos de “cob” encontram-se à venda no West Coutry e devem ser fabricados com um subsolo similar ao da parede que vai ser reparada. O material que é recortado da parede pode ser triturado e crivado, para se retirarem as pedras maiores, e usado como argamassa nas reparações.

Quando se assentam blocos de “cob” ou “clay lumps” numa argamassa molhada, a humidade dessa argamassa é absorvido muito rapidamente pelos blocos, pelo que o trabalho não fica atrasado enquanto a argamassa seca.

O “wattle and daub” contém, frequentemente, mais evidências arqueológicas do que a própria estrutura de madeira, e pode ser rápida e economicamente reparado.

No entanto é muitas vezes descartado durante as obras. O “daub” deve ser demolido e regenerado sob a forma de massa pela adição de palha de cevada cortada com cerca de 100 mm de comprimento.

Aplicam-se ramos de hardwood sem casca (20 a 40 mm de diâmetro) na estrutura de madeira, da mesma forma pela qual os originais estavam aplicados, espaçados de maneira a que passe uma mão aberta entre eles.

O Country Conservation Officer sabe indicar onde se podem obter os ramos sem casca. Conforme o “daub” seca, ele afasta-se da estrutura. Se for aplicada uma nova camada de “daub” ou de estuque, deve-se fazer uma ligação mecânica atravessando a superfície, ou então pressiona-se o “daub” com uma talocha para se fechar a lacuna.

Os ratos anicham-se nas paredes em terra, especialmente se elas estiverem húmidas e perto de uma fonte de alimentação.

Reparam-se as tocas com uma aguada de terra mas só se tivermos a certeza de que a humidade adicional não vai enfraquecer mais a parede já enfraquecida por essas tocas.

Provavelmente é melhor recortar-se o material em redor das tocas para se assentarem blocos novos.

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