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Ciência e Racionalidade – Cultura, tradição e religiosidade no contexto sociocultural do Modelos religiosos endógenos & modelos religiosos exógenos

Introdução

Nesta unidade temática, debruçar-se-á sobre a Ciência e Racionalidade-Cultura, tradição e religiosidade no contexto sociocultural do Modelos religiosos endógenos & modelos religiosos exógenos. Ao completar esta unidade, o estudante deverá ser capaz de:

Objectivos específicos

  • Caracterizar a ciência e a racionalidade.
  • Diferenciar cultura da tradição e religião.

Desenvolvimento

Segundo Agadjanian (1999) “Antigamente, o governante era um escolhido de Deus porque sua legitimidade era dada pela descendência divina.

As antigas realezas haviam nascido no outro mundo e os reis eram um dos mediadores mais importantes entre deuses e homens. Hoje, essa legitimidade é feita pela soma de escolhas individuais dos cidadãos que votam individualmente e, supomos, autonomamente, e não em grupo ou família”.

Para Medeiros (2007) em sociedades tradicionais ela se estabelece pela pertença a um grupo (geralmente familiar) e pela posse de uma postura individual que permite evocar estes valores tradicionais perante os demais.

Já a dominação carismática tem sua origem no que se convenciona chamar de prestígio, ou seja, um tipo de valorização simbólica do detentor de alguns tipos de títulos que legitimam seu destaque. Ex: um sacerdote de um culto iniciante e seus seguidores.

A Dominação carismática geralmente se associa aos líderes revolucionários neste sentido.

E por último a dominação de natureza burocrática (ou racional) se apoia na competência técnica com a qual o indivíduo maneja as estruturas sociais do aparato burocrático, esteja ele no âmbito social em que estiver (mas geralmente referido à burocracia do Estado ou a uma grande empresa).

A dominação racional-legal ou burocrática é exercida dentro de um quadro administrativo composto de regras e leis escritas que devem ser seguidas por todos, não havendo privilégios pessoais. Ela é apoiada na crença de uma legitimidade de ordens estatuídas e nos direitos de mando dos chamados a exercer autoridade legal.

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Esta é baseada em relações impessoais e os funcionários são incorporados ao quadro administrativo, através de um contrato, não por suas características pessoais mas por sua competência técnica. Como diz Gusmão (2008) eles são livres, sendo que suas obrigações se limitam aos deveres e objectivos de seus cargos que estão dispostos dentro de uma hierarquia administrativa e suas competências são rigorosamente fixadas.

Realizam seu trabalho e em troca recebem um salário fixo e regular que varia conforme a responsabilidade do cargo, que é exercido em forma exclusiva ou como principal ocupação. Há possibilidade de fazer carreira, podendo subir na hierarquia da profissão, através do tempo de serviço ou por competência ou ambos. Importante ressaltar que os funcionários trabalham em seus cargos sem a apropriação dos mesmos.

A dominação burocrática é puramente técnica, com o objectivo de atingir o mais alto grau de eficiência e nesse sentido é, formalmente, o mais racional conhecido meio de exercer a dominação sobre os seres humanos.

Langa (1992) defende que a dominação tradicional repousa na crença das tradições, costumes que existem desde de outros tempos. É a legitimidade na crença dos indivíduos nas ordens e poderes senhoriais tradicionais. A autoridade é exercida e legitimada pela tradição e por normas escritas.

O quadro administrativo, neste caso, pode ser recrutado não pela competência técnica mas por vínculos pessoais e laços de fidelidade.

Honwana (2002) afirma que as tarefas não estão claramente definidas, como na dominação racional, e os privilégios e deveres encontram-se sujeitos a modificações de acordo com a vontade do governante. Há outros tipos de dominação tradicional que são o: patriarcalismo onde o poder é exercido segundo regras fixas de sucessão; e o patrimonialismo ou gerontocracia que é autoridade exercida pelos mais velhos, em idade, sendo os melhores conhecedores da tradição sagrada. Em um corpo administrativo encontramos o patrimonialismo quando os funcionários ligam-se ao chefe por laços de fidelidade pessoais.

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A dominação carismática pode ser caracterizada pelo seu carácter de tipo extraordinário e irracional.

Weber define carisma como uma qualidade pessoal considerada extraordinária, atribuída a um indivíduo que possui poderes ou qualidades sobrenaturais. Esses indivíduos são enviados por Deus para o cumprimento de uma missão.

Portanto, este indivíduo é reconhecido como um líder por seus seguidores e assim a autoridade carismática é legitimada.

Langa(1992) admite que os carismáticos, geralmente são profetas religiosos, políticos, demagogos, apresentam, na maioria das vezes, provas de seu poder, fazendo milagres ou revelações divinas.

Entretanto Weber aponta para possibilidade de uma existência permanente de um líder carismático, tal fenómeno foi chamado de rotinização do carisma.

Para que isso ocorra são necessárias mudanças profundas, pois implicam a transformação da autoridade carismática em tradicional ou legal.

Para Honwana (2002) sendo assim as actividades do corpo administrativo passam a ser exercidas de forma regular seja através da constituição de normas tradicionais seja por promulgação de regras legais.

Haverá um problema a ser resolvido que é o da sucessão que não será eleito, geralmente o líder carismático escolhe entre aqueles de sua confiança ou então por hereditariedade.

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