Uma remoção de sucesso de graffiti em alvenarias históricas depende em grande parte de conseguir-se um equilíbrio na quebra da ligação entre o graffito e a superfície da alvenaria sem se danificar essa alvenaria.
Isto exige geralmente o conhecimento quer dos materiais usados na produção dos graffiti, quer da alvenaria sobre a qual esses graffiti foram executados, assim como do conhecimento dos métodos e dos materiais de limpeza.
Sem isso, as superfícies da alvenaria podem ficar gravemente desfiguradas ou danificadas durante a remoção dos graffiti.
Graffiti. A maioria dos graffiti é feita com tintas em
spray. Apesar de existir uma grande quantidade de solventes e
de decapantes capazes de dissolverem e de destruírem estas
tintas, alguns deles podem descolorir ou manchar permanentemente a superfície da alvenaria, se não forem
usados correctamente.
Em consequência, a tinta remanescente pode tornar-se mais difícil, ou mesmo impossível, de ser removida.
A falta de reflexão e as tentativas apressadas para a remoção de graffiti, usando químicos agressivos ou materiais abrasivos, também podem provocar danos permanentes na alvenaria que se podem vir a revelar piores que os próprios graffiti.
Ter-se a capacidade para identificar o material dos graffiti é um passo importante para uma remoção de sucesso.
Numerosos tipos de tintas em spray (poliuretanos, lacas e esmaltes) e de tintas para aplicação a pincel (óleos e resinas sintéticas, tais como vinílicas, acrílicas, acetatos, metacrilatos e alquídicas), assim como marcadores de feltro são os materiais mais frequentemente usados para se fazerem graffiti.
Mas também são usados outros materiais com a mesma finalidade, por exemplo marcadores solúveis em água, canetas esferográficas, giz, grafite e lápis de cor, de pastel, de cera e de óleo, graxa para sapatos e batom para os lábios.
A gama de materiais adoptados pelos grafiteiros continua a expandir-se.
As tintas são compostas por pigmentos que proporcionam a cor e a capacidade de recobrimento, por ligantes que agarram os pigmentos entre si e ao substrato, e um solvente que permite à mistura pigmento/ ligante fluir.
lgumas tintas em spray e alguns marcadores podem conter corantes líquidos em vez de pigmentos.
As tintas são aplicadas no estado líquido. Geralmente, consoante o solvente evapora, o ligante solidifica.
Quanto maior for a quantidade de solvente contido numa tinta, maior a taxa de fluidez e, portanto, maior a capacidade que essa tinta tem para penetrar nos poros da alvenaria.
Os dois componentes primários contidos na maioria dos materiais dos graffiti – pigmentos ou corantes, e ligante – podem simplesmente permanecer sobre a superfície da alvenaria, mas também podem penetrar dentro dessa alvenaria até variadas profundidades, conforme uma variedade de factores, neles incluídos a tensão superficial do substrato e a viscosidade do solvente ou veículo.
Assim, mesmo a remoção total do pigmento ou do ligante pode deixar resíduos do outro componente sobre a, ou abaixo da, superfície da pedra.
As manchas residuais, ou “fantasmas” dos graffiti, particularmente as de qualquer tipo de tinta vermelha ou com pigmentos finos e negros usados nas tintas em spray, podem ser particularmente difíceis de remover.
No caso de graffiti pintados, é útil perceber-se durante quanto tempo eles já ficaram sobre a superfície.
Para a maioria das tintas que permaneçam sobre a superfície durante várias semanas ou meses, provavelmente, os processos de endurecimento já estão muito adiantados ou mesmo concluídos; a solubilidade destas tintas fica proporcionalmente reduzida e eles são mais difíceis de remover.
Alvenaria: Também deve ser identificado o substrato de alvenaria histórica.
Neste artigo, a palavra alvenaria abrange todos os tipos de pedras naturais, materiais cerâmicos manufacturados, tais como o tijolo e a terracota; e os materiais cimentícios, tal como a pedra artificial, o betão e as argamassas.
O factor comum entre estes materiais denominados de alvenaria é serem porosos, numa maior ou menor escala, e serem sensíveis à abrasão.
Depois de se identificar a alvenaria, também deve ser avaliada a sua condição, incluindo a sua fragilidade, porosidade e permeabilidade, antes de se iniciar a remoção dos graffiti.
Por exemplo, uma superfície lisa em granito, polida recentemente, é comparativamente fácil de ser limpa porque é quase impermeável e os veículos das tintas tendem a permanecer na sua superfície em vez de penetrarem nos seus poros microscópicos.
Uma superfície muito lisa e polida também não tem cavidades ou fissuras que possam reter as partículas do pigmento ou do ligante.
Em contraste, um mármore ou um calcário submetidos ao desgaste ambiental podem ser extremamente porosos ou permeáveis, por terem uma superfície áspera onde se podem alojar com facilidade as partículas do pigmento.
A fragilidade de tais superfícies pode tornar impossível a sua limpeza, até mesmo com uma escova macia, sem se arriscarem perdas graves do material superficial.
Uma diferença na textura da superfície ou no seu acabamento também podem ser a razão pela qual um agente de limpeza consegue trabalhar melhor numa do que na outra.
Alguns tipos de alvenaria podem reagir adversamente ao contacto com os diversos tipos de agentes de limpeza necessários para se vencer ou para se dissolver a ligação entre os graffiti e a superfície da alvenaria.
Assim, para efeitos de limpeza, os tipos de alvenaria são frequentemente classificados conforme são sensíveis aos ácidos, aos não ácidos ou aos álcalis.
As pedras sensíveis aos ácidos consistem essencialmente em materiais carbonatados que podem ser danificados ou mesmo destruídos pelo contacto com os ácidos.
Apesar de, em muitas circunstâncias, os produtos de limpeza ácidos não serem eficientes na remoção dos graffiti e, geralmente, não deverem ser usados com este objectivo, é útil conhecerem-se alguns materiais sensíveis aos ácidos: pedras tais como os calcários, o mármore, o travertino, os arenitos calcários e os xistos; a maioria das pedras polidas; e a terracota vidrada arquitectónica, bem como o tijolo vidrado.
Os materiais não sensíveis aos ácidos incluem a ardósia, o granito, a terracota arquitectónica não vidrada e o tijolo não vidrado.
As pedras sensíveis aos álcalis podem conter silicatos ou sais ferrosos, compostos solúveis do ferro que podem reagir com os álcalis ou com a água para darem origem a manchas graves.
As pedras sensíveis aos álcalis incluem alguns granitos, o calcário de Indiana e muitos tipos de arenitos, especialmente os que forem de cor verde ou cinzenta.
As superfícies vidradas ou polidas tendem para serem danificadas quer pelos ácidos fortes quer pelos álcalis fortes.







