Apontamentos Rituais como mecanismo de reprodução social – Feitiçaria

Rituais como mecanismo de reprodução social – Feitiçaria

Introdução

Nesta unidade temática serão expostos conteúdos mais aprofundados sobre Rituais como mecanismo de reprodução social , num contexto de feitiçaria. Ao completar esta unidade, o estudante deverá ser capaz de:

Objectivos específicos

  • Explicar como os rituais são mecanismos de reprodução social.
  • Saber interpretar diferentes manifestações culturais, como são os casos de feitiçaria.

Desenvolvimento

De acordo com CF (2008) em tempos marcados por subjetivismos, relativismos e fundamentalismos nas mais variadas áreas do conhecimento e nos mais diversos âmbitos da experiência humana, todas as antropologias orientadas para o transcendente definem o ser humano e o meio moral em que vive em termos de algum ser ou “força” para além de si próprio.

Esse além pode ser o Deus pessoal dos judeus, muçulmanos e cristãos, alguma força indefinível, mas real no universo, como concebem os panteístas e os agnósticos, ou alguma divindade criada no mundo. Osório e Macuacua (2013).

As antropologias transcendentais incluem as principais religiões tanto do Ocidente quanto do Oriente, bem como formas modernas de maniqueísmo, gnosticismo e paganismo, frequentemente latentes na multiplicidade de formas da espiritualidade do movimento da Nova Era.

Nesses casos, o moralmente certo e o errado derivam da autoridade de uma fonte que está além, acima e superior ao próprio ser humano, seja como mandamento direto, seja como inferência de textos ou de interpretações de mensagens e sinais variados.

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Fazendo um questionamento, o CF (2008) coloca que até que ponto essas visões transcendentais influenciam a bioética contemporânea é algo difícil de estimar, porque a mentalidade da bioética acadêmica, ao menos nos Estados Unidos, mostra-se predominantemente secular.

A teologia católica romana representa algo de certa forma excepcional nesse contexto, porque tem longa história de estudo formal, que antecede em séculos a bioética contemporânea — iniciando-se no século XV, já conta meio milênio de história.

É também a posição contrária mais citada em relação às antropologias seculares antropocêntricas, atualmente dominantes nos ambientes acadêmicos e científicos.

A teologia católica, na optica de CF (2008) assim como a ortodoxa, constitui um paradigma para uma ética baseada na ideia do homem como ser criado por Deus, a quem este deu a vida e uma natureza única e de quem espera obediência a certas leis específicas. Na visão católica, a existência humana é interpretada segundo a doutrina da imago dei, ou seja, do ser humano como imagem e semelhança de Deus (Gn 1,27).

A fonte dessa dignidade é Deus, ela é inerente a todo e qualquer ser humano e não pode ser tirada, independentemente de sexo, idade, saúde ou doença. A vida humana é um dom de Deus que deve ser cuidado e respeitado.

Nas antropologias antropocêntricas, diz CF (2008) e ideia partilhada por Meneses (2000) a dignidade consiste num atributo socialmente conferido pelos indivíduos a si próprios ou pelos outros. É definida com base em certos atributos de personalidade que podem ser perdidos com a doença, a deficiência mental, o estado de consciência e assim por diante. Um exemplo de dissonância em relação a esse ponto é a atribuição, por parte dos católicos, de dignidade pessoal para o embrião desde a concepção e sua negação categórica pelos outros.

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Para Meneses (2000) alguns defendem o “respeito” pelo embrião, mas não como pessoa. Paradoxalmente, sustentam que o embrião pode ser sacrificado pelo bem dos outros, como no caso de obter células-tronco para pesquisa com o objetivo de curar determinadas doenças de cunho genético que infernizam a vida de muita gente.

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