Repintura de Edifícios Históricos por Razões Cosméticas

Se a tinta exterior existente nos revestimentos de fachadas em madeira, nos beirados, nos peitos de janelas, e nas portadas, portas e elementos decorativos não mostrar evidências de degradação, tais como desagregação, empolamento, descamação ou fissuração, então não há nenhuma razão física para se repintar, e muito menos para se remover essa tinta. O empalidecimento da cor não é, por si mesmo, justificação suficiente para se repintar um edifício histórico.

A decisão de se repintar pode não ser totalmente baseada na degradação da tinta. Quando existir um novo proprietário, ou mesmo se a propriedade se mantiver inalterada durante muitos anos, o gosto pelas cores altera-se frequentemente. Nestas condições, se a repintura se destina essencialmente a se alterarem ou acentuarem as cores principais de um edifício, deve ser tomado em consideração um factor técnico respeitante à acumulação de tinta.

Sempre que a tinta se acumular até uma espessura de aproximadamente 1,5 mm (entre 16 a 30 camadas), uma ou mais camada adicional pode ser o suficiente para desencadear a fissuração e a descamação em áreas limitadas ou irregularmente distribuídas da superfície do edifício. Isto acontece porque a espessura excessiva de tinta está menos
apta a suportar a retracção ou a expansão de uma camada adicional ao secar e também está menos apta a tolerar os esforços térmicos. A tinta espessa falha invariavelmente no ponto de aderência mais fraca – as camadas mais antigas juntas à madeira. Segue-se a sua fissuração e descamação.

Portanto, se não existirem nenhuns sinais de degradação da tinta, pode ser bastante arriscado acrescentar-se ainda mais uma camada de tinta desnecessária, simplesmente por questões de cor. As alterações profundas de cor também podem exigir mais do que uma camada para conseguirem oferecer a capacidade de cobertura apropriada e a exacta cor pretendida. Quando parece que a cor se está a aproximar da espessura crítica, pode ser um compromisso aceitável fazer-se apenas uma alteração das cores dos “vivos” (ou seja, limitada a partes da decoração) sem se correr o risco de se fissurar ou de se descamar o revestimento da madeira.

Se, mesmo assim, for tomada a decisão de se repintar, a “nova” cor ou cores devem, no mínimo, ser adequadas ao estilo e à envolvente do edifício. Por outro lado, quando a intenção é restaurar-se ou reproduzir-se minuciosamente as cores originalmente usadas, ou as cores de um período significativo da evolução do edifício, estas devem ser baseadas nos resultados de uma análise às tintas.