Apontamentos O Emprego de Estuques de Gesso

O Emprego de Estuques de Gesso

O estuque de gesso é encarado por muitas pessoas do mudo da conservação como um material moderno inapropriado para ser empregue em edifícios históricos, apesar de ser usado neste país há centenas de anos.

Existindo claramente um papel para o gesso nos trabalhos de conservação, não pode haver dúvidas de que as modernas massas ensacadas com estuque de gesso são inadequados para aplicação nos edifícios históricos. São demasiadamente fortes e quebradiças para se deformarem e movimentarem com o edifício, e a maioria delas iriam degradar-se na presença da humidade. As que são resistentes à acção da humidade contêm hidro-repelentes que selam a superfície das paredes e impedem que estas “respirem”. Existe, portanto, um reconhecimento crescente entre os projectistas sobre a necessidade de serem usados estuques de cal sobre paredes e tectos antigos.

Modelação manual do século XVIII em Prior Park, executada com pó de mármore, cal e gesso.

Estando reconhecida a necessidade dos estuques de cal, um outro assunto que deve ser considerado é sobre quando é aceitável serem adicionadas pequenas quantidades de gesso naqueles (prática habitualmente chamada de “traçar”). Muitos estucadores costumam acrescentar uma pequena porção de gesso para acelerarem a presa por forma a cumprirem com um prazo apertado. Os estuques de cal e areia são perfeitamente capazes de ganharem presa por si sós, mesmo se isso chegue a levar até quatro semanas por cada camada para a carbonatação, antes que a próxima camada possa ser aplicada. Se “traçar” for considerado indesejável, tem que se prever um tempo adequado no programa de trabalhos. Podem existir, no entanto, circunstâncias em “traçar” pode ser considerado aceitável ou mesmo desejável, por exemplo, na reparação de um estuque que foi “traçado” originalmente.

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Os projectistas de trabalhos com estuque têm, por vezes, receio de usarem gesso porque ele foi considerado prejudicial, mas também porque o material foi usado durante o século XIX na produção de estafe, uma forma de estuque que era reforçado com serapilheiras e linhadas. Embora a maioria dos trabalhos em estuque pré vitorianos fossem executados in situ, com relativamente pequenos elementos decorativos moldados, o desenvolvimento do estafe permitiu a produção de moldados de boa qualidade de forma industrializada. Em resultado disso, as cornijas e outras molduras podiam ser moldadas numa oficina e transportadas para a obra, para serem fixadas. Isto contribuiu para a falência de muitas técnicas tradicionais de estuque decorativo. Embora a perda das técnicas tradicionais de estuque possa, pelo menos no passado, ser atribuídas ao desenvolvimento dos métodos do estafe, temos que reconhecer que o estuque de gesso já era empregue muito tempo antes deste desenvolvimento.

As utilizações e formas modernas do estuque de gesso podem ser frequentemente inadequadas para a reparação dos edifícios históricos, mas devemos ter cuidado para “não deitarmos fora a criança junta com a água do banho.”