Apontamentos O aparecimento de pó depois do Caruncho significa um novo ataque?

O aparecimento de pó depois do Caruncho significa um novo ataque?

Vocês já tiveram um pavimento novo em carvalho, ou uma nova mobília em carvalho, acabados de comprar, em que começam a aparecer furos? É que isso aconteceu a um grande número de pessoasnos últimos anos. Se for este o seu caso, leia o seguinte.

O aviso é, de certeza, o pó produzido pelo caruncho, Lyctus brunneus. Este insecto ataca a madeira do borne de algumas “hardwoods”, tais como o carvalho, desde que esse borne tenha um suficiente conteúdo de amido (superior a 3 %).

Assim, é claramente evidente que o Lyctus é um insecto muito especializado e que tem requisitos específicos, especialmente em relação ao amido. Na verdade, é precisamente o conteúdo em amido de certas “hardwoods” susceptíveis, que as torna susceptíveis ao seu ataque.

Observa-se, também, que conforme uma madeira envelhece, o seu conteúdo em amido diminui graças à acção de bactérias, etc., pelo que, após cerca de 10 a 15 anos, os níveis de amido caem tanto que a actividade de infestação já não é possível.

Além disso, dados os especiais requisitos do insecto, ele não consegue infectar as “hardwoods” velhas (se existirem algumas) e as “softwoods” da casa.

Dados os muito especiais requisitos deste insecto e a madeira que ele ataca (“hardwoods” recém trabalhadas, de poro largo, em que exista suficiente conteúdo em amido), é natural que a maioria das edificações não tenha tais madeiras, com a excepção das que forem introduzidas sob a forma de um novo pavimento, etc.

Assim, é extremamente improvável que o insecto ande a voar dentro dessa edificação em que as tais madeiras susceptíveis foram acabadas de assentar. É quase inevitável que o insecto tenha sido introduzido por uma madeira trazida já infectada; esta infestação só acontece nos locais onde essa madeira está armazenada, ou seja, nas estâncias de madeira e nos fabricantes de mobiliário.

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Este insecto parece aparecer por ciclos, o Autor tem visto sinais significativos do Lyctus durante os últimos 20 anos, mas nos mais recentes 3 anos, recebeu entre 4 a 5 relatórios por ano, e está a par de numerosos outros casos registados.

Ciclo de vida

A fêmea põe ovos até um máximo de 220 unidades; estes são colocados em grandes sacos, no grão exposto da madeira. As larvas eclodem e alimentam-se da madeira do borne durante um a dois anos.

É, geralmente, aceite que, dentro de casa, o seu ciclo de vida dure cerca de um ano, em condições normais mas, sob condições ideais criadas em laboratório, já têm sido registados ciclos de vida tão curtos como 10 a 12 semanas.

No entanto, têm sido registados também, ciclos de vida máximos entre mais de 2 1⁄2 anos e 4 anos. Assim, é evidente que as condições ambientais e nutricionais, o tipo de madeira, etc., influenciam o extensão do ciclo de vida deste insecto.

Os insectos adultos emergem da madeira infestada entre Maio e Setembro. Eles podem voar e são atraídos pela luz, durante a noite; durante o dia eles escondem-se nas fendas e trabalhados da madeira. Frequentemente, podem ser vistos insectos a emergirem da madeira infectada, podendo ser apanhados para identificação. O insecto adulto tem uma cor castanha escura, é bastante alongado, entre 5 a 7 mm e relativamente achatado.

Danos

O borne da madeira fica, frequentemente, desintegrado na sua totalidade, restando apenas uma poeira muito fina parecida com farinha (serradura). Quando existirem galerias, elas tendem a ser paralelas ao grão da madeira.

Os furos de emergência têm cerca de 1 a 1,5 mm de diâmetro e, tal como os danos, estão restritos ao borne. Inicialmente, aparecem na face superior das madeiras e estão rodeados por pequenos “vulcões” de serradura.

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Que iniciativas devem ser tomadas?

Há vários passos a ensaiar.

A madeira foi, inevitavelmente, fornecida já infectada e é “defeituosa”, não tendo qualidade comercial. Se essa madeira tiver algum valor estético, pode-se arguir que os danos (furos) fazem com que não seja adequada para as suas finalidades.

Se examinarmos a madeira e encontramos escavações superficiais alongadas, isso indicia que os danos se tornaram logo evidentes quando a madeira foi serrada e aplainada, ou seja, muito antes de ter sido levada para a edificação.

Podem, portanto, ser tomadas as seguintes acções:

1. Exigir que seja substituída a madeira, já que foi fornecida defeituosa.

2. Se os danos forem menores e estiverem presentes apenas nalgumas faces do borne, pode-se usar um “injector” para se introduzir um imunizador para madeiras nos furos. Se o nível de danos presentes for aceitável, esta também pode ser uma solução aceitável.

No entanto, o fornecedor deve ser informado do problema e seria prudente avisá-lo de que se, posteriormente, esses danos piorarem, se espera que ele assuma as suas responsabilidades.

3. Não se deve pulverizar por cima do chão todo! A maioria dos pavimentos são envernizados ou têm uma espécie qualquer de acabamento, pelo que o imunizador não os vai penetrar – a maioria deles têm uma pregação oculta e estão assente em poliestireno, pelo que as faces inferiores não podem ser facilmente tratadas.

E, claro, levantar-se a totalidade de um pavimento destes pode-se tornar muito dispendioso.

Finalmente, não nos devemos satisfazer com argumentos do fornecedor do género “Não é nada comigo – você já tinha bichos da madeira em casa”. Este insecto é, inevitavelmente, trazido com a nova “hardwood” e, portanto, é um problema do fornecedor desta.

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