Métodos Abrasivos (Mecânicos)

Se a passagem à lixa manual não tiver sido eficaz para efeitos da preparação da superfície, ou se a área afectada for demasiadamente grande para se considerar suficiente apenas a operação manual, devem ser empregues métodos abrasivos mecânicos, ou seja, ferramentas eléctricas; no entanto, deve ser referido que a maioria das máquinas existentes para a remoção de tinta podem provocar danos na madeira frágil e que devem ser usadas com extremo cuidado.

Métodos abrasivos recomendados (mecânicos)

Lixadeira orbital: Concebida para ser uma ferramenta de acabamento ou de polimento – e não para a remoção de camadas múltiplas de tinta – a lixadeira orbital pode ser recomendada quando é necessária uma remoção limitada de tinta antes da repintura. Como ela lixa com um movimento circular de pequeno diâmetro (alguns modelos também podem ser comutados para uma acção de vibração longitudinal), esta ferramenta é especialmente eficaz para amaciar áreas onde a tinta já foi previamente raspada.

A superfície abrasiva varia entre 7,5 x 17,5 cm e 10 x 22,5 cm e o lixa de papel é fixado quer por garras, quer por clips deslizantes.

Deve ser usada uma lixa de papel com abrasivo de óxido de alumínio de grão médio; as lixas finas ficam obstruídas tão depressa que são ineficazes para o corte da tinta.

Lixadeira de fita: Também pode ser usado um segundo tipo de ferramenta eléctrica – a lixadeira de fita – na remoção de camadas limitadas de tinta mas, neste caso, a superfície abrasiva é uma fita de papel de lixa que viaja a elevada velocidade e, consequentemente, oferece menos controlo do que a lixadeira orbital. Tendo em mente o potencial de produção de maiores danos na tinta ou na madeira, o uso de lixadeira de fita (também com lixa de grão médio) deve ser limitado às superfícies planas e só deve ser autorizado, numa obra de conservação de edifícios históricos, por operários experimentados.

Não Recomendados

Acessórios para berbequins: Devem ser evitados todos os acessórios de lixar para adaptação em berbequins, tais como os discos rotativos para lixar e a escova de arame para decapar.

O disco de lixar – geralmente um disco de papel de lixa com 12,5 cm de diâmetro fixado a um acessório de montagem em borracha que, por sua vez, se coloca num berbequim eléctrico ou noutra ferramenta motorizada – pode deixar facilmente depressões circulares visíveis na madeira, que são difíceis de ocultar, mesmo com uma repintura. A escova de arame para decapar- uma escova de arames metálicos montada de forma semelhante numa unidade do género do berbequim eléctrico – pode dilacerar autenticamente uma superfície de madeira e deve ser exclusivamente usada para remover a corrosão e a tinta dos metais.

Jacto de água: O jacto de água para remoção de tinta acima de 600 psi (40 kg/cm2) não é recomendado porque pode forçar a água a entrar na madeira, em vez de limpar a tinta solta e a sujidade da sua superfície; no mínimo, o jacto de água a alta pressão faz com que a água penetre pelos revestimentos exteriores e danifique os acabamentos interiores. Uma solução de detergente, uma escova de cerdas medianamente macias e uma mangueira de rega para o enxaguamento, é o método mais suave que envolve água e é recomendado quando se limpam as superfícies exteriores antes da repintura.

Jacto de areia: Finalmente – e, sem dúvida nenhuma, o mais veementemente “não recomendado” – o jacto de areia aplicado numa madeira exterior pintada irá, sem dúvida nenhuma, remover a tinta, mas ao mesmo tempo pode marcar profundamente os elementos em madeira para além do estado de irreconhecíveis. Tal como a escova de arame para decapar, o jacto de areia desgasta as fibras macias porosas (madeira de primavera) mais depressa do que as fibras rijas e densas (madeira de verão), deixando uma superfície escavada com montes e vales. O jacto de areia também vai desgastar as áreas salientes das esculturas e dos moldados antes de conseguir remover a tinta das áreas côncavas. Por isso, este método abrasivo é o mais potencialmente perigoso entre todas as possibilidades, mesmo quando um empreiteiro promete que a pressão do jacto vai ser controlada para que a tinta possa ser removida sem se danificar uma carpintaria histórica exterior. (Para mais informações, consultar o Preservation Brief 6, “Dangers of abrasive cleaning to historic buildings”.)