Apontamentos Janelas de substituição

Janelas de substituição

Quando um edifício é classificado, as autoridades de planeamento costumam exigir que sejam mantidas e reparadas as janelas, onde possível, a menos que elas estejam claramente a cair aos bocados e não possam ser reparadas, ou que sejam adições posteriores que constituam uma aparência obviamente errada para o edifício em causa. Uma peça de mobiliária antigo é apreciada não só pela sua identidade, mas também pelas suas imperfeições, e o mesmo pode acontecer com uma janela; o vidro primitivo pode exibir ondulações e pequenas bolhas de ar indicativas de que foi soprado manualmente; e, em especial, as janelas de guilhotina são peças de carpintaria altamente intrincadas e sofisticadas, soberbamente construídas para durarem e são merecedoras de um cuidadoso restauro.

A protecção por classificação aplica-se a todas as partes de um edifício, e é exigida umalicença de obra quer para a alteração, quer para a remoção das suas janelas. A substituiçãodestas por outras novas, com vidros duplos, é, geralmente, objecto de grande resistência por duas razões; pela perda da fábrica original e pela alteração do carácter e dos pormenores.

Há mais flexibilidade para a introdução dos vidros duplos nos edifícios não classificados situados dentro das áreas de conservação, já que a ênfase da fiscalização é posta na protecção da aparência exterior de um edifício e no efeito das alterações sobre o carácter dessa área. No entanto, também aqui a necessidade de se manterem presentes os pinázios para assentamento dos vidros apresenta problemas quase inultrapassáveis, já que a típica largura de 20 mm de um pinázio corrente é demasiadamente estreita para ocultar o perfil de espaçamento do vidro duplo.

Recomendado para si:   Traços específicos do Direito Administrativo

Uma solução possível é a incorporação de pinázios falsos que respeitem exactamente o perfil e o padrão originais, mas que sejam “implantados” sobre as faces interior e exterior e que não atravessem a espessura da janela.

Pormenor de janela de batente moderna.

A utilização de um ressalto duplo para vedar as correntes de ar faz com que a folha da janela fique saliente do aro. O enorme pinázio para assentamento do vidro é necessário para se esconder o espaçador usado na separação das
duas folhas do vidro duplo. Estes têm habitualmente 44 mm de espessura.

Pormenor típico de uma janela de batente do século XIX. A construção de um ressalto único e o estreito pinázio
para assentamento do vidro produzem pormenores mais delicados. Os peitoris era geralmente em pedra ou em
reboco, já que as superfícies quase horizontais acumulam inevitavelmente a água e degradam-se rapidamente.

Também têm sido produzidas janelas com vidros duplos com perfis espaçadores mais pequenos, e os pinázios de assentamento têm sido estreitados até aos mínimos possíveis. Desta forma é possível produzir-se um pinázio com 25 mm que funcione. Numa janela maior, com apenas um pinázio, a diferença não é tão evidente como numa janela de guilhotina com vidros pequenos.

Fora das áreas de conservação, as alterações às janelas não podem ser controladas. A utilização de substitutos em PVC e em alumínio está em declínio, em muitas regiões, já que as pessoas estão cada vez mais conscientes das suas desvantagens nos campos do projecto e do desempenho, e do seu efeito negativo sobre o valor das casas. Soluções mais apuradas em madeira, incluindo os exemplos com vidro duplo, proporcionam, sem dúvida, soluções menos prejudiciais que são largamente bem-vindas.

Recomendado para si:   Coisas e Património