O islamismo: origem e difusão

O islamismo: origem e difusão

Contexto histórico do surgimento do islão

A Península Arábica no período em que surgiu o Islão

O Islão foi fundado pelo profeta Maomé, no século VII, na cidade de Meca, situada na atual Arábia Saudita.

Península arábica

Península arábica

A Arábia é uma península asiática situada entre o golfo Pérsico, o mar Vermelho e o deserto da Síria. Nos princípios do século VII, a Península Arábica era habitada pelos povos árabes (os beduínos – que significa habitantes do deserto) constituídas por diversas tribos seminómadas, que dedicavam-se essencialmente à criação de camelos, cavalos, gados ovino e caprino. Muitos eram mercadores. Agrupavam-se em caravanas e faziam grandes viagens.

Comércio caravaneiro

Comércio caravaneiro

Muitas tribos deslocavam-se de oásis em oásis, em busca de pastagens para seus animais. Reunidos em clãs, governados pelos anciões, disputavam com outros clãs o controle dos pastos e dos poços d’água.

Oasis

Oasis

Os árabes eram politeístas, místicos e animistas, adorando os elementos da natureza representados na forma de ídolos, guardados na Caaba, em Meca, uma importante cidade comercial. O mais importante dos símbolos era a “pedra negra”, provavelmente um grande meteorito.

Meca, como sua rival Iatreb, era uma cidade localizada na rota comercial caravaneira, que atravessavam a Arábia. As caravanas provenientes do Oriente por ela passavam carregadas de mercadorias, como especiarias, tecidos de seda, essências, joias, para serem trocadas por metais preciosos, marfim, armas, escravos. Portanto, os clãs que viviam em Meca eram rivais, lutando pela hegemonia econômica.

Cidade de Meca ( no centro a Caaba)

Cidade de Meca ( no centro a Caaba)

O nascimento de Maomé e a fundação do Islão

Maomé nasceu em Meca no ano de 570. Era filho de pais pobres. Órfão logo cedo, foi criado pelo avô e, posteriormente, pelo tio Abu Talib. Desde a sua juventude, dedicou-se ao comércio, condutor de caravanas e nas suas viagens conheceu comunidades de judeus e cristãos.

Costumava caminhar pelo deserto, meditando durante muitos dias, em jejum. Seguia o exemplo de Jesus, a quem considerava um dos últimos profetas. Aos quarenta anos, quando se encontrava no deserto a meditar, o arcanjo S. Gabriel lhe revelou o Deus único e lhe sugeriu que fosse seu profeta.

Gravura do anjo Gabriel a fazer revelação ao profeta Maomé

Gravura do anjo Gabriel a fazer revelação ao profeta Maomé

A crença num Deus único (Alá) e em Maomé, como seu profeta, passou a ser a profissão de fé de uma nova religião que conquistou rapidamente numerosos adeptos.

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A nova crença definiu-se como um acto de submissão – Islão em árabe – a Alá, criador e senhor do mundo e da vida. O verdadeiro crente é o muçulmano – termo que em árabe significa submisso – ou seja, aquele que abraça o Islão e o segue fielmente.

Maomé converteu inicialmente seus parentes. Posteriormente, passou a pregar em praça pública, atacando o politeísmo e a idolatria. Assim, tornou-se um homem perigoso para os mercadores de Meca, habituados que estavam às enormes receitas financeiras que o politeísmo, com o culto a Caaba e as frequentes peregrinações, lhe trazia.

Perseguido, Maomé foi obrigado a fugir de Meca para a cidade de Iatreb, que passou a ser chamado de Medina, a Cidade do Profeta. Essa fuga ficou conhecida por Hégira, que significa fuga, e é um acontecimento fundamental da religião islâmica: o ano de 622 passará a marcar o primeiro ano da era islâmica.

Depois de muitos anos de lutas, conquistou Meca, onde quebrou todos os ídolos da Caaba, exceto a pedra negra, símbolo da união dos homens com Deus. Meca foi transformada em uma cidade santa e os muçulmanos passaram a orar voltados para ela. Nos últimos da sua vida, Maomé dedicou-se à pregação da sua religião entre os Árabes que visitavam Caaba.

 Maomé diante da Caaba

Maomé diante da Caaba

As ideias pregadas por Maomé iam sendo registadas pelos seus discípulos e seguidores. Da compilação desses textos resultou o Alcorão, ou Corão, considerado pelos muçulmanos como o Livro Sagrado, pois contém as verdades reveladas por Deus ao maior e último dos seus profetas.

Com incrível rapidez, as cidades árabes aderiam ao islamismo. Em 631, Maomé era senhor de toda a península Arábica e os seus ensinamentos eram fervorosamente difundidos. No ano seguinte, o profeta morreu, sendo sucedido por Abu-Bekr, o primeiro califa, simultaneamente chefe político, militar e religioso de um Estado teocrático, centralizado e poderoso.

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Princípios do Islão

São cinco os principais mandamentos do Corão, livro sagrado dos Muçulmanos:

Os cinco pilares do Islão

Os cinco pilares do Islão

  • A oração, que deve ser praticada cinco vezes ao dia, voltado para Meca.
  • A esmola e a hospitalidade para com todos os Muçulmanos e estrangeiros;
  • O jejum, desde o nascer ao pôr-do-sol durante os quarenta dias do Ramadão (nono mês do ano lunar árabe);
  • A peregrinação a Meca, pela menos uma vez na vida;
  • A guerra santa, que obriga a lutar contra os infiéis para defender o Islão de qualquer ataque.

O Corão define outras normas que servem para estruturar a vida e os costumes dos crentes, tais como:

  • A proibição de comer carne de porco, de beber vinho, de representar Alá em esculturas e pinturas;
  • Autorização da poligamia e do divórcio;
  • Submissão da mulher ao homem.

A expansão do Islão

Após a marte de Maomé e sob a liderança dos califas, ocorreu uma grande expansão territorial árabe. São várias as razões dessa expansão. Entre elas, destacam-se:

  • A busca de terras férteis;
  • O interesse na ampliação das atividades comerciais;
  • As guerras santas contra os infiéis, ou seja, a luta para difundir e preservar o islamismo.

Fases da expansão

As grandes etapas da expansão muçulmana foram:

Expansão do islã

Expansão do islã

  • Primeira etapa (632-661) – período dos califas eleitos que sucederam Maomé. Conquistas da Pérsia, da Síria, da Palestina e do Egipto.
  • Segunda etapa (661-750) – período da dinastia dos Califas Omíadas. A capital foi transferida para Damasco. Conquistas, por exemplo, do noroeste da China, do norte da África e de quase toda a península Ibérica. O avanço árabe ao Reino Franco foi barrado por Carlos Martel, na Batalha de Poitiers, em 732.
  • Terceira etapa (750-1258) – período da dinastia dos califas Abássidas, marcado pela ascensão dos persas rumo ao mundo islâmico. Nessa fase, a capital foi transferida para Bagdá. As conquistas muçulmanas ainda avançaram pela Europa, na parte sul da península Itálica.
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