Ética, Uma concepção diversa segundo as épocas

Ética antiga: pensamento de Aristóteles

Aristóteles nasceu em Estagira, na Macedónia em 384 a.C. Foi discípulo de Platão. Em 333 a.C., fundou um liceu em Atenas. Durante treze anos dedicou-se ao ensino e à elaboração da maior parte das suas obras. Porém, as obras que chegaram até nós, foram organizadas pelos seus discípulos com destaque para Andrónico de Rodes.

Para Aristóteles, ética é um conjunto de acções que conduzem o homem à felicidade, isto é, à boa vida. O filósofo considera a felicidade como o “sumo bem”, ela encontra-se acima de qualquer coisa. Ele afirma, no início da Ética a Nicómaco, que o homem tende a precisos fins, que estão configurados como bens: “Admite-se, geralmente, que toda arte e toda investigação, assim como toda acção e toda escolha, têm em mira um bem qualquer; e por isso foi dito, com muito acerto, que o bem é aquilo a que todas as coisas tendem” (ARISTÓTELES, 1984: 46).

Portanto, percebemos que segundo Aristóteles há fins e bens que o indivíduo almeja em vista de outros, que são fins e bens relativos; logo, é difícil um processo que leve de fim em fim e de bem em bem ao infinito. Deve-se pensar, então, que todos os fins e bens ao qual o homem tende estão em função de seu sumo bem:

“Se, pois, para as coisas que fazemos existe um fim que desejamos por ele mesmo e tudo o mais é desejado no interesse desse fim; e se é verdade que nem toda coisa desejamos com vista em outra (porque, então, o processo se repetiria ao infinito, e inútil e vão seria o nosso desejar), evidentemente tal fim será o bem, ou antes, o sumo bem” (ARISTÓTELES, 1984: 49).

A felicidade (eudaimonia) constitui um dos temas recorrentes na filosofia ética de Aristóteles. Ela é considerada por Aristóteles como o sumo bem da acção humana, o ponto de partida e o ponto de chegada de todo o curso moral da ética. Ela é concebida, inicialmente, como divina, pelo acto de contemplação e, depois, assume uma característica humana.