Descrição e diferenciação dos conceitos Essência e Existência

A essência e existência são dois conceitos com significados ontológicos implicativos, tal como a substância e o acidente. Pois para além da sua clara destinação, o conceito de essência é correlativo ao conceito da existência.

Em Metafísica, VII, Aristóteles escreve: “a essência é o quê de uma coisa, isto é, não o que seja, mas aquela coisa é”, ou seja, é o que é uma coisa, podendo caracterizá-la e distingui-la do que ela não é; é qualidade ou determinação sem a qual uma coisa não seria o que factualmente é. A essência é, portanto, a substância segunda, ou seja, tudo quanto existe como pensamento. A essência refere-se, neste sentido, às características fundamentais da substância. Ela não existe por si só, mas existe como pensamento. Se o conceito de essência é equivalente à substância segunda, a existência é a substância primeira. Por conseguinte, é na existência que o ser se manifesta e se revela enquanto realidade.
A existência é a actualização da essência; é a realidade, a substância em acto. Por isso, para Aristóteles, filosofo grego, a substancia  pode ser entendida como a existência, porquanto nela residem todas as propriedades que determinam um ente (tudo o que é de maneira concreta, fáctica ou actual).
A essência e a existência constituem dois princípios necessários e, ao mesmo tempo, complementares para afirmação ou a constituição de qualquer ser, de tal forma que é inconcebível um ser sem essência ou um ser existência. Consequentemente, pensar num caderno não é o mesmo que ver um caderno. O caderno como pensamento não passa de uma ideia ou essência. Portanto, existir o significa “sair”, ”manifestar-se”, “mostrar-se” e “revelar-se”, e sai, manifesta-se e mostra-se somente aquilo que possui uma determinada essência. Por isso, era frequente ouvir, entre os filósofos clássicos, que a essência nada é sem a existência e a existência não é sem a essência. Daqui emergem duas correntes filosóficas modernas: o essencialismo e o existencialismo.
O essencialismo defende a primazia da essência sobre a existência – o ser define-se primeiramente e só depois se torna isto ou aquilo, enquanto existencialismo defende a primazia da existência sobre a essência, ou seja, uma pessoa não tem qualquer natureza ou conjunto de escolhas predeterminadas, pois, é sempre livre para fazer novas escolhas e constituir-se como uma pessoa diferente.
O existencialismo, embora seja um tema antigo, teve o seu desenvolvimento, como corrente filosofia, na Europa, no período entre as duas grandes guerras mundiais, e as suas características fundamentais são as seguintes:
A valorização do indivíduo como algo irredutível, e não como insignificante e reduzido à sua totalidade. O que existe verdadeiramente é o indivíduo na sua singularidade, é o indivíduo singular, uno e irrepetível (“existir” significa ser diferente). Por isso, no diz respeito ao ser humano, “o homem primeiramente existe e só mais tarde se torna isso ou aquilo”, ou seja, a existência precede a essência, como afirma Jean-Paul Sartre na sua obra O Ser e o Nada.
A valorização da liberdade do homem enquanto ser situado no universo. Se a essência é o pensamento, a existência é a manifestação do ser, a liberdade que se afirma no ser contra todas as limitações impostas pala natureza. Portanto, o exercício da liberdade, enquanto manifestação do ser, não deve ser limitada pala natureza humana. Como afirma Sartre. “o homem está condenado a ser livre”, isto é, o homem, enquanto manifestação do ser substanciado, ser corpóreo, é livre de se tornar o que quiser, uma vez que a sua construção é algo de permanente e constante enquanto ser situado no mundo. Neste sentido, ser homem significa ser capaz de construir a sua personalidade à medida que se vai buscando valores por si mesmo escolhidos e tomados como paradigmáticos.