Apontamentos Crescimento de bolor

Crescimento de bolor

O vapor de água isoladamente na atmosfera não provoca, só por si, quaisquer problemas – certamente nenhum problema de saúde.

Na realidade, a condensação e a permanência de humidades elevadas conduzem ao aparecimento de crescimentos de bolor. Estes podem ser geralmente detectados pelo cheiro “a bafio” associado à humidade. Onde ocorrerem estas condições, os esporos do bolor em grandes quantidades podem provocar o aparecimento de alguns problemas de saúde.  

O bolor mais vulgar associado à condensação é o bolor das “manchas negras”, Aspergillus niger. No entanto, também se podem desenvolver outros bolores – dependendo do substrato e das condições. Podem existir bolores verdes e amarelos; alguns bolores brancos são erradamente confundidos com eflorescências de sais. 

É o crescimento de bolor que tende a provocar as maiores preocupações, porque não só produz o cheiro bafiento, mas também provoca a degradação da pintura, e degrada a própria fábrica, em certos casos. Os bolores, uma vez germinados, exigem a manutenção de humidades elevadas persistentes, geralmente acima dos 75 %, mas frequentemente ainda mais elevadas.

Os bolores têm, portanto, a tendência para se desenvolverem em áreas onde a passagem do ar está limitada e em que esse ar permanece húmido e estagnado, ou seja, cantos, junções pavimento/ paredes, etc., onde nós podemos observar frequentemente padrões “triangulares” de bolor muito típicos de um problema de condensação.  

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Repare-se, por favor, que tais condições de humidade podem surgir durante os meses quentes e húmidos de verão, mas que não persistem o tempo suficiente para manterem o crescimento de bolores.  

Notas:  

Existe mais água dentro de uma casa do que no seu exterior, durante a maior parte do ano. Isto é,  simplesmente, o resultado da quantidade de água adicional acrescentada pelo nosso “estilo de vida”.  

Não se deve esperar conseguirem-se manter humidades relativas inferiores a 75 % durante o verão; os conteúdos em humidade do ar exterior são tais que, naturalmente, irá ocorrer uma humidade relativa interior superior a esta.  

Deve-se desconfiar das medições de humidade sem conhecimento da temperatura! Elas podem levar a diagnósticos errados! Por exemplo, num caso recente, foi registado que o ar tinha 65 % de  humidade relativa. A superfície de um pavimento maciço tinha, alegadamente, 85 % de humidade relativa, pelo que foi afirmado que esse pavimento estava húmido, possivelmente por causa de um defeito numa membrana impermeabilizante.

No entanto, a investigação demonstrou que esse pavimento estava seco (não existia humidade capilar) e, como era de esperar, estava vários graus mais frio do que a temperatura  do ar ambiente. Isto deveria significar que a humidade relativa desse pavimento era mais elevada! Alguém pensava que a humidade relativa sobe quando a temperatura desce!  

Baseado no mesmo princípio, esse alguém não executou um ensaio de humidade nas paredes, tal como a medição da sua eventual humidade – as paredes provavelmente estariam mais frias do que a temperatura do ar interior, e o seu estado frio aumentaria a sua humidade relativa para a mesma quantidade de água no ar (NB os “baldes” anteriormente mencionados) – a mais elevada humidade relativa obtida poderia não reflectir nenhum “humedecimento” na parede, reflectiria apenas a diferença de temperatura. Eu já vos tinha prevenido!  

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Finalmente, sobre a utilização dos humidímetros eléctricos. Alguns ensaios recentes demonstraram que, para certos humidímetros eléctricos entrarem em equilíbrio com o ambiente circundante, pode decorrer algum tempo. Assim, retirarem-se estes instrumentos de um carro velho e usá los imediatamente, numa determinada casa, irá proporcionar certamente resultados de medição MUITO enganadores. O instrumento TEM QUE permanecer estável o tempo suficiente para adquirir a temperatura dessa casa (ou inferior a ela).

Alguns ensaios iniciais sugeriram como regra de bolso deixarem-se passar, pelo menos, 10 minutos mais 3 minutos por cada grau de diferença na temperatura. Por exemplo, saindo de um carro frio a, digamos, 10 º C para uma casa ao redor dos 20 º C, levará 10 + ( 10 x 3 ) = 40 minutos antes que se possam considerar os dados registados.

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