Apontamentos Avaliação e Conclusão

Avaliação e Conclusão

Contra este fundo de potenciais movimentos, não é muito surpreendente que os edifícios se comportem frequentemente na perfeição, apesar de raramente atingirem a verdadeira estabilidade.

Mas será isto importante? Se um edifício tiver comodidade suficiente, firmeza, e seja bonito, então a desagradável distorção pode fazer parte do charme, da patina de uma estrutura histórica.

Apesar da intervenção dos engenheiros poder ser desnecessária por causa destes feios sintomas de perturbações, é demasiado fácil confiar-se na assunção de que um edifício irá durar eternamente, simplesmente porque já sobreviveu a 200 anos, enquanto ele cambaleia para o desastre.

O movimento estrutural é sério quando as margens de segurança da resistência, estabilidade ou integridade estiverem significativamente erodidas, ou quando o movimento estiver a encaminhar-se progressivamente para a ruína, dentro de um período especificado.

Para uma estrutura relativamente modesta, tal como uma casa, não deve ser considerada necessária nenhuma acção, a menos que a estrutura esteja quase a falhar dentro de um período aproximado a cinco anos, mas para uma catedral deve ser considerada uma margem muito mais larga, talvez de cinquenta anos, em consequência da sua escala e dos elevados custos envolvidos na execução de trabalhos de vulto.

As expectativas quanto à duração de uma reparação também podem variar.

Uma avaliação de engenharia sobre a seriedade de qualquer sintoma, em particular de danos estruturais, não deve ser feita apenas por cálculo, mas também envolvendo uma compreensão baseada na experiência prática sobre o comportamento das estruturas antigas, e sobre a intangível contribuição dos constituintes não estruturais, tais como o efeito de rigidez proporcionado pela crina de cavalo no estuque antigo.

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O Bulding Research Establishment oferece algumas directivas sobre a seriedade da larguras das fendas, mas que devem ser usadas com circunspecção.

As fendas devem ser examinadas para se determinar a sua causa, e não devem ser rigidamente preenchidas para se ver se reaparecem, já que este preenchimento pode restringir os movimentos cíclicos, causando uma escalada do problema.

Um exame cuidadoso pode revelar a direcção do movimento, e se esse movimento vai continuar. Em particular:

  • Observar as faces das fendas – como é que elas ficaram separadas.
  • As suas bordas são frescas e estão limpas?
  • Existe tinta velha ou massa de reparação nas fendas?
  • Qual é a idade das decorações?

Se a causa provável do movimento estrutural ainda for obscura, ou caso se suspeite que o movimento está em progresso, deve ser garantida a monitorização desse movimento.

A monitorização é uma ajuda para o diagnóstico e para o prognóstico, mas não um substituto para a compreensão das estruturas.

Felizmente que já lá vão, há muito tempo, os dias em que construtores bem intencionados mas mal informados colocavam desfigurantes vigias de vidro por cima das fendas, com pontos de resina a fixá-las, na vã esperança de que a sua falência explicasse as causas.

A maioria dos vidros descolava-se, ou os miúdos das escolas partiam-nos por brincadeira.

O arsenal de equipamento existente hoje em dia é resistente ao vandalismo, e quando apropriadamente usado, dá resultados significativos.

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Logo que as causas se tornem evidentes, avança-se para a sua eliminação e para a execução das reparações.

O movimento estrutural não tem que ser um problema, se for encarado racionalmente.

Apesar de as estruturas raramente adquirirem a verdadeira estabilidade, as fendas e as “barrigas” nem sempre são sérias, e a monitorização das fendas nem sempre é necessária. O que deve ser alterado são as expectativas das pessoas.

Os vitorianos tinham ideias correctas; molduras para esconderem os movimentos nas juntas entre o tecto e as paredes, painéis de madeira pintados de castanho chocolate para camuflarem a retracção nas juntas, e papel elástico Lincrusta para encobrir fissuras dispersas.

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