Apontamentos A desigualdade em França

A desigualdade em França

Desigualdades e pobreza  O Bip 40 regressa à alta

O PIB também aumenta as desigualdades. Depois de um período de acalmia (2000-2001), que permitiu deter a aumento das desigualdades e da pobreza, estas regressaram fortemente à subida a partir de 2002.

O que nos mostra a nova edição do «Bip 40», o barómetro das desigualdades e da pobreza que é publicado desde agora pelo Rai – Rèseau d’alerte sur les inégalités no seu site na Internet?

Com a primeira edição do Bip 40, publicada na Primavera de 2002, o indicador de pobreza e de desigualdades mostrava uma degradação generalizada da coesão social em França entre 1983 e 2000. Os números agora publicados mostram uma melhoria em 2000 e 2001, nomeadamente graças à retoma do emprego e a certas políticas públicas (Couverture Maladie Universelle 10, reforma da justiça).

A subida do Bip 40 em 2002 é, portanto, uma má noticia. A qual não é surpreendente: a retoma do desemprego, o aumento do número de famílias muito ricas, a explosão do número de detidos nas prisões francesas, o aumento do diferencial da esperança de vida entre quadros e operários, etc. contribuíram para fazer subir este indicador.

Contrariamente aos números do Dow Jones e do Cac 40, que estão presentes em todos os media, a medição das desigualdades e da pobreza está largamente ausente do debate público.

Os últimos números oficiais sobre as desigualdades nos rendimentos em França estão largamente desactualizados, uma vez que remontam a 1997. Pior ainda: os números oficiais sobre as taxas de pobreza estão embelezados, nomeadamente porque eles não tomam em consideração os rendimentos do património, os quais explodiram desde há quinze anos a esta parte.

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O INSEE publica assim, contra todas as evidências, uma baixa taxa de pobreza em França, desde 7,1% em 1884 até 6,1% em 2001.

Existe, realmente, motivo para escândalo sobre a pobreza das informações a respeito das desigualdades entre rendimentos, sobre a habitação, sobre a saúde, e sobre as discriminações de todas as espécies que dilaceram o tecido social.

A questão das desigualdades e da pobreza deve, finalmente, tomar o lugar que lhe pertence no debate público. Para criar o índice Bip 40, o Rai inspirou-se em métodos alternativos desenvolvidos para se medir o bem-estar e o desenvolvimento humano.

Este barómetro, que recenseia mais de 60 séries estatísticas, abraça os principais campos respeitantes às desigualdades e à pobreza: trabalho, rendimentos, justiça, habitação, educação, saúde. Ele traça a curva seguida pelas desigualdades e pela pobreza desde 1983: uma subida galopante até 1990, depois uma breve estabilização por volta dos anos 90 antes de um novo agravamento entre 1992 e 1999.

A seguir, o indicador estabilizou e depois baixou: o regresso provisório de um forte crescimento permitiu começar a inverter-se o vapor. Mas a bela foi de pouca duração: desde o início de 2002, as ANPE e as prisões encheram-se de novo, os despejos de arrendatários multiplicaram-se ao mesmo tempo que os desempregados viam os seus direitos estrangularem-se e que os requerentes de asilo eram cada vez mais sistematicamente recusados.

O Bip 40 demonstra-o em pormenor: este xeque constante vale na maior parte dos domínios estudados. É verdade que a esperança de vida continua a melhorar, o nível médio do rendimento por cabeça a progredir e as despesas sociais a aumentarem, embora fracamente.

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A sociedade francesa continua, assim, globalmente a enriquecer, mas ao mesmo tempo, a democratização da escola interrompeu-se; o único imposto distributivo, o imposto sobre o rendimento, é reduzido todos os anos; o número de pessoas que sobrevivem graças aos mínimos sociais permanece próximo de níveis recorde; os arrendamentos não param de aumentar em flecha, e as famílias sobre-endividadas são cada vez mais numerosas.

No site www.bip.40.org, pode-se doravante dispor regularmente de um ponto de referência cuja metodologia é clara e transparente. Desde já, está prevista a publicação de uma primeira estimativa do Bip 40 para o ano de 2003 para o Outono de 2004; os indicadores já disponíveis mostram que não se deve esperar por nenhuma melhoria.

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