Apontamentos Sobre a nova forma como olhamos para a cidade antiga

Sobre a nova forma como olhamos para a cidade antiga

Sobre a nova forma como olhamos para a cidade antiga

Pode verificar-se, nos nossos dias, uma enorme explosão no âmbito do que consideramos como património.

Para a nossa geração, património é tanto a “obra-de-arte” a ruína, o objecto-construção, a arquitectura de um dado edifício (o monumento clássico, digamos), como o lugar-ambiente, os núcleos urbanos a que chamamos “centros históricos”, ou seja, a cidade antiga e a cidade consolidada… também património o território e a paisagem humanizada, de que tanto fala Ribeiro Telles, enquanto arquitectura, ainda que de vasta escala, ou seja, organizações voluntárias do espaço feitas por (e portadoras dos
valores dos) homens.

No entanto, o tomar da cidade histórica como um objecto da vontade de salvaguarda, é algo ainda relativamente recente, surgindo quatro séculos depois da invenção do conceito de património histórico.

Trata-se, como esclareceu Françoise Choay, de um contributo específico da cultura europeia, surgindo em contra-corrente ao urbanismo renovador, confrontando-se desde logo com o inevitável processo de urbanização, ou seja, com a aplicação da cultura moderna ao desenho da cidade.

Estes desenvolvimentos requerem novas interpretações daquilo que constitui património, de como este se conserva e de como se reutiliza.

Uma cidade é histórica (ou tem partes históricas), se estiver associada à presença de determinados conceitos e valores, traduzidos na sua arquitectura, que definem essa sua identidade.

Mas uma cidade é sempre uma entidade funcional que deve satisfazer objectivamente os requerimentos dos seus utilizadores.

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A relação do planeamento com a cidade histórica necessita de ser encarada como um processo particularmente dinâmico, onde se gere uma permanente relação dialéctica entre os valores absolutos a preservar, nas diferentes qualificações e valores físicos do edificado, e as funções/ actividades necessárias ao lado “utilitário” da cidade.

Neste domínio, os nossos maiores problemas residem precisamente no estabelecimento das condições em que se deve processar a reutilização patrimonial de forma a garantir a continuidade dos valores culturais e, ao mesmo tempo, a conservação material dos edifícios, não impedindo o desenvolvimento (provavelmente ‘outro desenvolvimento’ dentro de novas noções, mais sustentáveis), isto num momento cultural relativamente confuso, marcado por complexas mudanças, eventualmente até civilizacionais.

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