Ética e Responsabilidade Social

As mudanças na primeira década do século, impulsionadas pelo avanço científico e tecnológico na sociedade do conhecimento e da informação, no contexto dos novos paradigmas e das tensões entre modernidade e pós-modernidade desafiam as organizações a repensar sua legitimidade social e rever as bases onde até então sustentaram seu desenvolvimento e mesmo, sua razão de ser.

Historicamente, o termo Responsabilidade Social foi cunhado para tratar de obrigações de caráter ético das empresas quanto a um comportamento socialmente res­ponsável para, juntamente com os Estados e a sociedade civil, construir um mundo melhor. Por isso, responsabilidade social pode ser definida como o compromisso que uma organização deve ter com a sociedade, expresso por meio de actos e atitudes que a afectem positivamente, de modo amplo, o mundo, ou a alguma comunidade, de modo específico. Assim, numa visão expandida, responsabilidade social é toda e qualquer acção que possa contribuir para a melhoria da qualidade de vida da sociedade.

Entretanto, vários foram os conceitos que, no decorrer do tempo, atribuíram-se a expressão “Responsabilidade Social.” Uma das consequências mais negativas desta pluralidade de conceitos foi à distorção e a manipulação voluntária, por parte de alguns grupos de interesse, do significado do termo, em sua essência. A título de ilustrar a multiplicidade de interpretações do conceito de “responsabilidade social”, citemos o pensamento de Thomas Zenisek:

“Para uns é tomada como uma responsabilidade legal ou obrigação social; para outros, é o comportamento socialmente responsável em que se observa a ética, e para outros, ainda, não passa de contribuições de caridade que a empresa deve fazer. Há também, os que admitam que a responsabilidade social seja, exclusivamente, a responsabilidade de pagar bem aos empregados e dar-lhes bom tratamento. Logicamente, responsabilidade social das empresas é tudo isto, muito embora não sejam, somente, estes itens isoladamente” (ZENISEK, 2002 apud VIEIRA, 2007: 27).

Como se pode ver, a afirmação de Vieira (2007), demostra a diversidade de concepções no que diz respeito à responsabilidade social. Porém, regra geral, a responsabilidade social, faz menção a incumbência ético-moral das organizações consoante aos seus modos de actuação dentro do contexto no qual estão inseridas. Aliás, se por um lado, nos últimos tempos, se coloca a necessidade de uma relação entre a sociedade e suas organizações, por outro lado, as organizações, ao mesmo tempo que são guiadas por um conjunto de valores ético-morais (ética e deontologia profissional ou simplesmente ética profissional), no âmbito da sua actuação, colocam a ética da responsabilidade social como uma outra componente essencial com a qual as organizações, as empresas, actuam e contribuem para o desenvolvimento da sociedade e do contexto no qual estão inseridas.